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Sifilis sintomas e tratamento
Sifilis sintomas e tratamento

sífilis é uma DST (doença sexualmente transmissível) causada por um bactéria chamada Treponema pallidum, cujo sintoma mais comum é uma úlcera indolor na genitália. Na era pré-antibióticos a sífilis era uma doença crônica, prolongada, dolorosa e que, tardiamente, acometia todos os sistemas do organismo; era extremamente temida e muito estigmatizada. Neste texto vamos falar sobre os sintomas, diagnóstico e tratamento da sífilis.

Transmissão da sífilis

Como já foi dito na introdução deste texto, a sífilis é causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. A transmissão ocorre, na imensa maioria dos casos, pela via sexual e se dá pela penetração da bactéria através de microscópicas feridas ou abrasões na mucosa da vagina ou do pênis. Estima-se que o risco de contágio em cada relação sexual desprotegida com parceiro infectado seja de aproximadamente 30%. Se houver feridas ou inflamações na vagina/pênis, este risco é ainda maior. Os pacientes que transmitem sífilis são aqueles que apresentam a doença na fase primária ou secundária, principalmente se houver lesões ativas nos órgãos sexuais. Apesar de não ser 100% efetiva, a camisinha ainda é o melhor método para prevenir a transmissão por via sexual da sífilis (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).

Nas fases mais avançadas da doença, a sífilis pode ser transmitida por beijos e até pelo toque se houver lesões na pele ou na boca (explicarei os sintomas mais abaixo). 

A transmissão da sífilis por transfusão de sangue é muito rara uma vez que o Treponema pallidum não sobrevive por mais de 48h no sangue estocado.

Existe também a sífilis congênita que é aquela adquirida pelo feto quando a mãe encontra-se contaminada pelo Treponema pallidum durante a gestação. A sífilis na grávida pode causar aborto, parto prematuro, má formações e morte fetal.

Estágios da sífilis

A doença é dividida em 3 fases, denominadas de sífilis primária, sífilis secundária e sífilis terciária.

1.) Sintomas da sífilis primária

O período de incubação, ou seja, o intervalo de tempo entre o contágio e os primeiros sintomas, é em média de 2 a 3 semana. Todavia, há casos em que este intervalo pode ser tão curto quanto 3 dias ou tão longo quanto 3 meses. 

A lesão da sífilis primária é uma pápula (uma pequena elevação na pele) nos órgãos genitais que em poucas horas se transforma em uma úlcera não dolorosa. Nas mulheres esta lesão pode passar despercebida, uma vez que é pequena (em média 1 cm de diâmetro), indolor e costuma ficar escondida entre os pelos pubianos ou dentro da vagina. Não há outros sintomas associados à lesão da sífilis primária; o paciente apresenta no máximo aumento dos linfonodos da virilha (ínguas).

Em alguns casos a úlcera pode surgir na boca ou na faringe, caso a transmissão tenha se dado através do sexo oral.

A úlcera da sífilis recebe o nome de cancro duro e após 3 a 6 semanas desaparece mesmo sem tratamento, levando à falsa impressão de cura espontânea. Portanto, a sífilis inicialmente é uma doença indolor, que costuma frequentemente passar despercebida  e que parece desaparecer espontaneamente após algum tempo. O problema é que o desaparecimento do cancro duro não significa cura, pelo contrário, a bactéria agora está se multiplicando e se espalhando pelo organismo silenciosamente.

Para ver imagens reais de lesões da sífilis, clique no link: FOTOS DE SÍFILIS

2.) Sintomas da sífilis secundária

Sífilis secundária
Sífilis secundária

Algumas semanas ou meses após o desaparecimento do cancro duro, a sífilis retorna, agora disseminada pelo organismo.

Essa forma de sífilis se manifesta com erupções na pele, classicamente nas palmas das mãos e solas dos pés. Também são comuns febre, mal estar, perda do apetite, dor nas articulações, queda de cabelo, lesões oculares e aumento dos linfonodos difusamente pelo corpo.

 

As lesões nas solas dos pés, palmas das mãos e mucosa oral são características, mas as erupções de pele podem ocorrem em qualquer local do corpo.

Uma outra lesão típica da sífilis secundária é o chamado condiloma lata, uma lesão úmida, com aspecto de uma grande verruga, que surge geralmente próximo do local onde existiu a lesão do cancro duro na sífilis primária.

Há casos, porém, que a sífilis secundária apresenta poucos sintomas, fazendo com que o paciente não dê muita importância ao quadro. Cerca de 20% dos pacientes com sífilis secundária não consideram seus sintomas incômodos o bastante para procurarem ajuda médica.

Assim como ocorre na sífilis primária, os sintomas da sífilis secundária desaparecem espontaneamente, sem qualquer tratamento.

3.) Sintomas da sífilis terciária

Os pacientes podem ficar de um até vários anos, inclusive décadas, assintomáticos antes de um novo retorno da doença. A forma terciária é a mais grave.

A sífilis terciária apresenta 3 tipos de manifestações:

- Goma sifilítica = grandes lesões ulceradas que podem acometer pele, ossos e órgãos internos.

- Sífilis cardiovascular = acometimento da artéria aorta, causando aneurismas e lesões da válvula aórtica (leia: O QUE É UM ANEURISMA ?).

- Neurosífilis = acomete o sistema nervoso, lavando à demência, meningite, AVC e problemas motores por lesão da medula e dos nervos (leia: ENTENDA O AVC - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL).

Diagnóstico da sífilis

O diagnóstico da sífilis é feito basicamente através de 2 exames sorológicos: VDRL e FTA-ABS (ou TPHA)

O VDRL é o exame mais simples e é usado como rastreio. O resultado é dado em formas de diluição, ou seja, um resultado 1/8 significa que o anticorpo foi identificado até 8 diluições; um resultado 1/64 mostra que podemos detectar anticorpos mesmo após diluirmos o sangue 64 vezes. Quanto maior for a diluição em que ainda se detecta o anticorpo, mais positivo é o resultado.

Se a explicação acima ficou confusa, apenas saiba que o VDRL = 1/2 é um título mais baixo que 1/4, que é mais baixo que 1/8 e assim por diante. Quanto mais alto o título, mais positivo é o exame.

Como o VDRL pode estar positivo em várias outras doenças que não sífilis (lúpus, doenças do fígado e até em idosos saudáveis), consideramos apenas valores maiores de 1/32 como confiáveis para o diagnóstico.

Se o VDRL for negativo, descarta-se a doença. Se for positivo, mesmo em valores baixos, o diagnóstico deve ser confirmado com o FTA-ABS, um exame mais específico.

Ao final, acabamos ficando com 2 situações:

- VDRL positivo e FTA-ABS positivo confirmam o diagnóstico de sífilis
- VDRL positivo e FTA-ABS negativo indicam outra doença que não sífilis

Uma outra situação que pode ocorrer é o de VDRL negativo e FTA-ABS positivo. Este resultado indica sífilis tratada e curada. O paciente tratado corretamente fica com VDRL negativo, mas o FTA-ABS continuará positivo para sempre. Se o paciente nunca tiver sido tratado, esse resultado pode sugerir sífilis na fase latente, entre as fases secundária e terciária.

Tratamento da sífilis

O tratamento da sífilis é diferente dependendo do estágio estágio da doença:

- Sífilis primária ou secundária = Penicilina benzatina (Benzetacil) 2.4 milhões de unidades em dose única
- Sífilis com mais de 1 ano de evolução ou de tempo indeterminado = Penicilina benzatina (Benzetacil) 2.4 milhões de unidades em 3 doses, com uma semana de intervalo entre cada.

Doentes alérgico a penicilina podem ser tratados com tetraciclina, doxiciclina ou azitromicina.

Seguimento pós tratamento

Todo paciente tratado para sífilis deve refazer o VDRL com 6 e 12 meses. O critério de sucesso do tratamento da sífilis é o desaparecimento dos sintomas e uma queda de 4 titulações nos niveis de anticorpos. Exemplos:
- VDRL era 1/64 e caiu para  1/16 
- VDRL era 1/32 e caiu para 1/8 
- VDRL era 1/128 e caiu para 1/32

Quanto mais tempo se passa, mais caem os títulos, podendo até ficarem negativos após alguns anos (há pacientes curados que permanecem a vida inteira com títulos baixos, como 1/2 ou 1/4). Os títulos na sífilis primária caem mais rapidamente que na sífilis secundária e terciária. O FTA-ABS não serve para controle de tratamento, já que ele não fica negativo após o tratamento.


Leia o texto original no site MD.Saúde: SÍFILIS | Sintomas e tratamento http://www.mdsaude.com/2009/01/dst-sifilis.html#ixzz1dan6Nk2s

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