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AVALIAÇÃO EM UTI
AVALIAÇÃO EM UTI

A avaliação do paciente em Terapia Intensiva se diferencia do exame usual em ambientes não-intensivos por ter à disposição vários recursos que demonstram, em tempo real, o estado de saúde do paciente. Assim, cabe ao profissional utilizar-se de todos os dados obtidos para eleger as necessidades prioritárias ao doente crítico para que sua terapêutica seja a mais eficaz e eficiente possível.
O exame se inicia com a obtenção de informações em prontuários acerca da história patológica atual e pregressa, dados pessoais e dados socioeconômicos, os quais, além de auxiliarem na dedução de uma hipótese diagnóstica, contribuirão para que o tratamento seja instigante e familiar ao paciente, uma vez que o profissional passa a utilizar uma metodologia de trabalho baseada em elementos do seu cotidiano.
Agora já à “beira do leito” após inspeção geral, é de suma importância verificar o estado cortical do paciente, para tal, são utilizadas escalas de mensuração do nível de consciência. A Escala de Coma de Glasgow é usualmente utilizada e permite identificar a atividade do Sistema Nervoso Central sobre as demais funções (função ocular, verbal e motora), verificando a existência de disfunção neural, já que o rebaixamento do nível de consciência é um importante indicador de falência cerebral. Quando o paciente é encontrado sob sedação, utiliza-se a Escala de Ramsay que avalia e classifica o grau de sedação como aceitável ou não. Além disso, há também a possibilidade de se identificar inatividade neural através do exame pupilar (forma, simetria e reflexos) e movimentos oculares, principalmente eleitos em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, pois sugere o limite anatômico da lesão. Embora estas ainda sejam pouco abordadas pelo profissional fisioterapeuta.
Após inspeção e exame minucioso da cabeça, incluída a observação de mucosas e escleróticas, a avaliação é prosseguida com a investigação do Sistema Hemodinâmico, o qual reage de forma compensatória a perturbações da homeostase ou estados patológicos, podendo, por fim, entrar em falência. Dentre os parâmetros hemodinâmicos, não devem ser relegados: Tensão Arterial, Freqüência Cardíaca, ausculta cardíaca, pulsos periféricos e débito urinário. Lembrando que exames complementares de rotina como: Hemograma, dosagem de eletrólitos, dentre outros, fornecem dados importantes acerca das micro-funções celulares necessárias às atividades vitais do organismo.
A Avaliação Ventilatória segue a hemodinâmica, mas estam intimamente ligadas. Além do exame físico do tórax e observação rotineira dos recursos e equipamentos ventilatórios para checagem e confirmação da adequação do seu uso, são avaliados os parâmetros do Ventilador mecânico e a resposta do paciente ao mesmo, através da observação da presença de auto PEEP, volume minuto, relação I:E, VC, Pressão de Pico ou sinais de desconforto ou dissincronia paciente ventilador.
Na UTI são realizados exames rotineiros e dispositivos de mensuração que auxiliam de maneira eficiente na avaliação e monitoramento do estado respiratório do pcte. Como exemplos usuais têm-se a oximetria de pulso, a capnografia e a hemogasometria, esta última além de fornecer dados sobre o estado ácido/básico sanguíneo e a resposta do organismo ao distúrbio, fornece informações acerca das funções de ventilação e de trocas gasosas pulmonares. A causa, por exemplo, de uma hipoxemia poderia ser sugerida através do cálculo do Gradiente alvéolo-arterial de O2 (GA-aO2 = PAO2 - PaO2), uma vez que na presença de uma hipoxemia, verificada por baixa PaO2, com GA-aO2 aumentado demonstra uma ineficiência nas trocas gasosas, já um gradiente mantido, considerando ainda um estado de hipoxemia, sugere um problema ventilatório, direcionando assim à resolução do problema do paciente.




Seguidamente ao exame do tórax, avalia-se o abdome, a presença de viscero-megalias e/ou distensão pode diminuir a incursão do diafragma e contribuir para a geração de zonas de atelectasias em regiões pulmonares posteriores. Além deste contribuinte, a posição supina pode agravar ainda mais o quadro devido à dependência de toda a parte posterior do pulmão neste decúbito. Torna-se importante, portanto, a detecção destas alterações bem como, o diálogo com a equipe médica e de enfermagem para analisar as necessidades de medidas resolutivas na diminuição da pressão abdominal.
Por fim, avaliam-se as extremidades, embora não menos importante já que estas são as primeiras a serem privadas de suprimentos caso haja ameaças aos órgãos centrais. Logo, é importante a execução das técnicas de inspeção e palpação verificando coloração, temperatura, presença de edema, úlceras de pressão, perfusão tecidual e sinais de Trombose Venosa Profunda, tendo em vista que o paciente com imobilidade aumenta a chance de TVP.
Fundamental ao paciente com imobilidade no leito é a avaliação de seu “status funcional”, traduzido em manutenção de tônus, trofismo, drive e funcionalidade no leito. Para tal podem ser utilizadas escalas específicas como a MRC e a mensuração da Pimáx e Pemáx, amplitude de movimento, além de tendências às complicações como contraturas, polineuromiopatia e úlceras.
Como visto são diversos os recursos avaliativos a serem utilizadas no ambiente de Terapia Intensiva para que sejam esclarecidas a funcionalidade e a influência mútua que cada sistema exerce sobre os outros: neural, respiratório, circulatório, metabólico, musculoesquelético. Esse olhar fisiopatológico do profissional de saúde à beira de um leito fornece subsídios para que o seu tratamento seja ao máximo “terapêutico”.

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