APRENDENDO A FAZER TRICO E CROXE
APRENDENDO A FAZER TRICO E CROXE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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PONTOS BÁSICOS DO TRICO - INICIANTES

 

 
Para quem é apaixonada por  tricô  mas não sabe fazer, algumas dicas para você que é iniciante e esta querendo aprender os primeiros passos do tricô.
O ponto tricô é um dos pontos mais simples e rápidos de fazer. Confira abaixo o passo a passo para conseguir os primeiros pontos de tricô.

1-  Com o fio na parte da frente do trabalho, insira a agulha da mão direita por cima do primeiro da mão esquerda.
2- Enrole o fio sobre a agulha direita.
3- Retire a agulha direita, trazendo o fio através do ponto da agulha esquerda.
4- O ponto passa da agulha esquerda para a direita.
5- Repita estes passos até que as todas as malhas da agulha esquerda sejam transferidas para a agulha direita.

Como colocar a linha na agulha



 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como Ensinar seu Filhote a Fazer Xixi e Cocô no Local Certo

 

xixi no local certo

A palavra de ordem é PACIÊNCIA!

Persistência também é importante. Afinal,  somos nós que ensinamos o que nossos filhotes devem ou não fazer.

Outra arma poderosa é o conhecimento. Saber como os cães “funcionam”, ajuda muito.

Em geral, os filhotes conseguem “segurar” a vontade de urinar por aproximadamente o mesmo número de horas que a idade deles, em meses. Isto é, um filhote de 2 meses é capaz de se segurar por 2 horas. Sabendo disso, não devemos deixar um filhote sem acesso ao local apropriado por mais tempo que isso.

Os cães também costumam defecar e urinar logo após comerem e/ou beberem água. Mas não gostam de se aliviar próximo ao bebedouro e comedouro, no local que eles dormem, nem em um ambiente sujo.

Então o melhor a fazer é se programar.

  • Escolha o local adequado (de preferência com o piso facilmente higienizável – azulejo, cerâmica)
  • Coloque uma “fralda higiênica” (a venda nas pet shops) ou jornal sempre no mesmo lugar (ajuda bastante molhar este jornal ou fralda numa urina anterior para orientar o filhote pelo olfato)
  • Leve seu filhote para esta área após as refeições ou após ele beber água (alguns filhotes demoram de 10 a 15 minutos para defecar/urinar), nos intervalos que ele é capaz de se segurar (ex: 3 meses-3/3 horas) e também entre uma atividade e outra (ex: após uma soneca, depois de muita brincadeira)
  • Deixe-o confinado ou fique por perto, vigiando
  • Use uma palavra-chave para designar o momento de urinar/defecar (xixi/cocô/faz, faz)
  • Tenha por perto algum petisco canino para recompensá-lo imediatamente após ele defecar/urinar
  • Faça uma grande “festa” e ofereça um premio quando ele acertar o local determinado

E quando acontecer um “acidente”? Como agir?

  • Durante a aprendizagem, nunca brigue com seu cão, ele não deve associar nenhuma sensação desagradável ao ato de urinar ou defecar
  • Se você pegar seu filhote no flagra, faça um barulho estranho (bater palmas, por ex.) para interromper o ato e leve-o para o local adequado – recompense-o se ele continuar a urinar na área certa
  • Ao encontrar um xixi ou cocô no local errado, tenha paciencia e limpe o ambiente, não confunda seu cão com uma bronca que ele não associará a urina de 2 horas atrás
  • Limpe muito bem a área, usando um produto que realmente limpe e não só disfarce o cheiro de urina (Enzimac, Enzilimp a venda nas petshops ou no link http://www.bitcao.com.br/index.php?PUID=BSD)

Você também pode evitar acidentes observando o seu filhote.

Eles costumam cheirar o chão, rodar e se posicionar antes de defecar ou urinar. Interrompa! Leve-o rapidamente para o local determinado.

Não deixe seu filhote por mais tempo que ele é capaz de se segurar sem acesso ao local determinado. É exigir demais dele.

Usualmente, 1 a 3 semanas são suficientes para ensinar um jovem cão. Se você está ensinando a mais tempo e ele ainda não aprendeu, provavelmente está fazendo de maneira inadequada.

Quanto mais dedicação, mais rápido ele aprenderá. Depende de você e sua família.

Após o 4º mês de vida, a maioria dos cães já pode passear na rua e defecar e urinar fora de casa. Eles tendem a ter este interesse para deixar sua marca para outros animais. SÓ NÃO ESQUEÇA DE RECOLHER AS FEZES DELE!

Existem outros motivos para os cães (nem sempre filhotes) urinarem e/ou defecarem pela casa. Medo, ansiedade, excitação e até mesmo carência (eles fazem para chamar atenção).

Animais idosos também podem diminuir a capacidade de segurar a urina e de acertar o local adequado. Converse com seu veterinário e até considere a possibilidade de usar fralda, se os acidentes forem diários.

 

Leishmaniose Visceral Canina – precisamos evitar

cão e mosquito divulgação internet

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a leishmaniose é um importante problema de saúde pública mundial.

A leishmaniose (calazar) é uma zoonose causada por um protozoário do gênero Leishmania.

Sua transmissão ocorre através da picada do “mosquito-palha” (flebótomo) infectado. Esse mosquito tem o hábito de picar ao anoitecer e geralmente ocorre em regiões próximas a matas e encostas de morros. A doença pode afetar tanto seres humanos como animais domésticos e silvestres. O cão é considerado o principal reservatório da doença no meio urbano.

Apesar de classificada como doença de caráter rural, a boa adaptação do mosquito transmissor ao meio urbano tem permitido a expansão da doença no Brasil.

A doença apresenta-se em duas formas clínicas principais: a forma cutânea e a forma visceral, sendo esta última mais grave.

Os sintomas podem ser bastantes variáveis. O cão pode apresentar lesões na pele (úlceras e descamação), emagrecimento, problemas oculares e em alguns casos, crescimento exagerado das unhas.

A doença pode evoluir para um quadro mais grave, causando lesões no fígado, baço e rins, podendo levar à morte.

Como o tratamento não é recomendado (os orgãos oficiais de saúde recomendam a eutanásia dos animas positivos), a preveção é a melhor opção:

  • Combate ao mosquito transmissor
  • Usar telas milimétricas nas janelas e portas em áreas endêmicas
  • Usar repelentes para minimizar o risco de transmissão (nos cães e seres humanos)
  • Realizar exames sorológicos periódicos em animais de áreas de risco
  • Procurar o posto de saúde mais próximo quando suspeitar da doença em humanos
  • Evitar o desmatamento e a construção de moradias em encostas de matas.

A evolução da doença pode ser muito lenta (até 4 anos para apresentar sintomas), e o cão apesar de parecer saudável pode ser transmissor da doença para seres humanos e outros animais.

O diagnóstico é realizado através de um exame de sangue ou biópsia da lesão.

Animais que vivem em regiões onde já foram detectados casos positivos devem ser testados.

Já existe uma vacina que pode ser aplicada em cães saudáveis e acima de 4 meses de idade. É fundamental realizar um exame de sangue antes da vacinação – somente animais negativos podem ser vacinados.

O esquema de vacinação consiste em 3 doses com intervalo de 21 dias entre elas. A revacinação é anual.

Gripe Canina ou Tosse dos Canis

A gripe canina ou “Tosse dos Canis”  ou traqueobronquite infecciosa canina é uma infecção respiratória altamente contagiosa que acomete SOMENTE os cães.

Ela é causada pelo vírus da Parainfluenza e pela bactéria Bordetella bronchiseptica. O sintoma mais comum é a tosse seca e persistente acompanhada de engasgos. Frequentemente se confunde com ânsia de vômito e/ou corpos estranhos obstruindo as vias respiratórias. Geralmente o animal é levado para clínica como se fosse uma emergência: o proprietário tem “certeza” que ele engoliu algum objeto que ficou preso na garganta.

Nos casos brandos o animal se alimenta e se comporta normalmente, não apresenta febre e costuma melhorar sem tratamento em um período de 7 a 12 dias. O maior incômodo é a força e a frequência da tosse, ningúem dorme numa casa com um cão tossindo assim!

Os casos mais graves costumam ser em filhotes e animais idosos.  A tosse passa a ser produtiva (com secreção) devido a contaminação bacteriana secundária (pneumonia). Nestes casos, o animal pode apresentar febre, secreção nasal e ocular, diminuição do apetite e prostração.

Para prevenir a infecção deve-se evitar o contato com animais doentes e locais com muitos cães (pet shops, hospedagens, canis etc). O vírus é transmitido através de aerossóis, isto é, gotas eliminadas na tosse e no espirro. Esta contaminação pode ocorrer pelo ar ou através de objetos e pessoas que entraram em contato com animais doentes.

Existem vacinas disponíveis, mas como toda vacina de gripe (inclusive a humana), a eficácia não é muito alta. Isto significa que mesmo vacinado o animal pode desenvolver a doença. O grande benefício é a diminuição dos sintomas e da duração da gripe, além de diminuir a contaminação para outros cães.

A vacinação é extremamente recomendada para animais que frequentam canis, hospedagens, aulas coletivas, parques ou para os idosos e cães com problemas respiratórios.

 

Como Escolher uma Raça

A decisão mais importante é: ter ou não ter um animal de estimação (saiba mais em: http://www.bichosaudavel.com/ter-ou-nao-ter-eis-a-questao/).

Depois de ter certeza e a família toda decidida, como escolher?

A chegada de um filhote é muito divertida e cheia de novidades, mas nem tudo são flores…

Além da grande responsabilidade, precisamos lidar com toda bagunça e energia dos filhotes.

Se a escolha vai ser de um animal de raça, qual escolher? Macho ou fêmea (saiba mais em:http://www.bichosaudavel.com/macho-ou-femea/)?

São mais de 150 raças reconhecidas no mundo, mas nem todas conhecidas por aqui no Brasil.

Existem raças de todos os tamanhos, cores, pelagens e temperamentos.
Os vira-latas costumam ser maravilhosos, mas é mais difícil prever o tamanho e o temperamento do cão adulto.

É importante lembrar, que independente do perfil da raça, existem características individuais de cada animal. Não podemos ter a garantia ou certeza de que um cão de uma raça mansa não pode se tornar agressivo.

Os animais provenientes de canis não muito sérios, que reproduzem cães com defeitos genéticos e/ou desvios comportamentais também costumam apresentar problemas inesperados para determinada raça.

(In)felizmente, os filhotes crescem. Antes de escolher uma raça, pense no cão adulto, como ele será após o primeiro ano de vida. Afinal, este filhote será seu companheiro por mais de uma década, escolha bem.

As características físicas são importantes e geralmente, as mais valorizadas na hora da escolha. Mas é fundamental escolher um cão com um temperamento que se encaixe com o seu.

Se o seu estilo de vida é atlético e externo, escolha um animal ativo, que goste de se exercitar. Se você faz mais o estilo sofá-TV, seu cão precisa ser parecido com você, mais preguiçoso e calmo.
Se você mora em apartamento pequeno, não convém ter um cão muito grande, mas se você mora numa casa com quintal, pode ser que um cão pequeno consiga passar pela cerca e acabe sofrendo um acidente na rua.

O ideal é conseguir adaptar seus desejos ao que você de fato, pode oferecer para seu animal. Existem raças que precisam de muita atenção e cuidados. Se você não tem muito tempo, evite-as.

Depois de ter a certeza de que “cabe um cão na sua vida”, escolha com cuidado e calma. Leia sobre as raças, estude, reflita. Escolha o canil, vá visitá-lo, faça muitas perguntas e tire todas as suas dúvidas.

NADA de MODISMOS! Já tivemos a fase dos pequinêses, dos poodles, labradores e hoje em dia, as raças da moda são o Buldogue Francês e o Border Collie. As características são muito diferentes, não se pode fazer uma escolha tão importante guiado pela moda.

Vale lembrar que existem muitos animais maravilhosos, disponíveis para adoção.

Procure campanhas de adoção, ONGs e grupos de proteção animal na sua cidade.

Boa sorte e saúde para seu filhote!

Clique aqui para visualizar o perfil das raças mais comuns no Brasil:http://www.lordcao.com/perfil.htm

Gatos – Bolas de Pelo (tricobezoar)

Quase todos que convivem com gatos já sabem do que se trata, principalmente quem tem gato de pelo longo.

Na verdade, não parece uma bola e sim um…charuto ou um quibe.

Os gatos engolem muito pelo quando se lambem. Você já reparou que a língua do seu gato parece um pente?

A maior parte do pelo engolido é expelido nas fezes, mas quando a quantidade é muito grande pode ocorrer um acúmulo no estômago.

Na maioria das vezes o gato consegue regurgitar, num movimento que parece um engasgo quase sufocante. Se você não vir o seu gato vomitar, vai encontrar um objeto estranho, alongado e peludo no chão.

O quadro pode se agravar se houver uma obstrução no estômago ou intestino.

Os sintomas são perda do apetite, vômitos e/ou constipação.

A melhor maneira de lidar com as bolas de pelo é prevenindo.

Escove seu gato o máximo possível – os pêlos sairão na escova ao invés de engolidos (sua casa também agradecerá!).

Se ele não gosta de ser escovado, experimente usar uma escova MUITO macia (pode ser de roupa, de neném ou até de unhas) e por poucos segundos.

O importante é seu gato receber a escovação como um carinho.

Se ainda assim ele não gostar, ofereça petiscos enquanto o escova. Se a escova não for eficiente, substitua-a aos poucos. Também vá aumentando o tempo de escovação.

Se o seu gato for muito peludo ou apresentar bolas de pelo com frequência, é possíveloferecer pastas e/ou medicamentos que lubrificam e facilitam que os pêlos engolidos sejam expelidos nas fezes.

Converse com o veterinário do seu gato.

Você lembram do Gato de Botas? Clique aqui para ver watch?v=lwAFvZujH_U

 

Convulsões em Cães

Uma convulsão é um quadro muito “feio” de se presenciar, às vezes até assustador.

O animal apresenta várias contrações musculares involuntárias, pode vocalizar, urinar, defecar, “pedalar” ou apresentar um quadro mais brando com pequenas contrações dos músculos da face. Uma convulsão pode durar poucos segundos ou minutos.

Para quem assiste, parece uma eternidade.

As convulsões são sintomas de alguma desordem neurológica e não são por si, uma doença.
Entre as possíveis causas, devemos destacar:

  • hipoglicemia
  • doença hepática (encefalopatia hepática)
  • intoxicações ou envenenamento
  • inflamação ou infecção no sistema nervoso
  • trauma na cabeça
  • tumor cerebral
  • doenças congênitas (hidrocefalia, por exemplo)
  • epilepsia

Na maioria dos casos, as convulsões são idiopáticas, isto é, não é possível determinar a causa.

Se o seu cão apresentar uma convulsão, não entre em panico.

Ele está inconsciente e não está sentindo dor. Pode até parecer que ele não está respirando, mas está.

Os cães não enrolam a língua – não coloque sua mão nem nenhum objeto na boca do seu animal. Ele ou você podem se machucar.

Afaste móveis para evitar que ele se machuque, se possível posicione uma almofada embaixo da cabeça dele, para evitar traumas cefálicos. Se ele estiver perto de uma escada, vão, ladeira ou piscina, mude-o de lugar para ele não cair.

Evite fazer barulho, pode agravar a convulsão.

Retire crianças e outros animais do ambiente.

Anote a duração e o que aconteceu durante a convulsão – estas informações são valiosas para o veterinário que vai examiná-lo.

Logo após uma convulsão, seu cão pode ficar desorientado e não te reconhecer. Em geral, se a convulsão for duradoura e severa, ele também pode ficar muito cansado.

Aproxime-se do seu cachorro, fale com a voz calma e tranquilize-o, conforte-o.

Em geral a convulsão não é uma emergência veterinária, mas seu animal deve ser examinado por um veterinário assim que possível.

Se a convulsão durar mais de 10 minutos, leve-o para atendimento emergencial.

Se não for detectada nenhuma causa para a convulsão (intoxicação, envenenamento, virose, parasitismo, doença hepática etc), ela é considerada idiopática.

Às vezes é necessário realizar vários exames complementares para buscar uma causa – exames de sangue, radiografia, tomografia e até ressonância magnética.

Quando não encontramos causa para as convulsões, diagnosticamos como epilepsia.

O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e a severidade das convulsões. Nem sempre é possível eliminar completamente todas as convulsões. Nestes casos, usa-se medicação anti-convulsivante.

O tratamento deve ser recomendado e acompanhado pelo médico veterinário. É importante avaliar a toxidez das medicações e escolher a melhor opção.

Este diagnóstico não é uma “sentença de morte”! A epilepsia é uma doença crônica que pode ser controlada na grande maioria dos casos.

Como existe a possibilidade da epilepsia ser herdada geneticamente, evite que seu cão ou seus descendentes diretos reproduzam.

 

Artrite

Este quadro acontece frequentemente: seu cão já não brinca tanto, mas come, bebe água e reage alegremente quando te vê. Ele está envelhecendo e é normal diminuir o ritmo.

Mas pode não ser exatamente isso que está acontecendo. Ele pode estar sentindo dor. Um estudo recente demonstrou que 20% dos cães apresenta artrite.

Os cães são muito bons em esconder que estão doentes ou sentindo  dor. Ouço frequentemente dos proprietários que o animal não está reclamando ou chorando de dor. Eles raramente demonstram. Quando a dor é aguda (por exemplo, alguém pisa numa pata acidentalmente), eles avisam,  mas se a dor é crônica eles se acostumam a conviver com ela. Só de pensar me dá arrepios.

Existem algumas medidas para amenizar este quadro crônico:

  1. Diagnóstico – consulte se veterinário
  2. Piso anti-derrapante – é muito difícil para 1 cão com artrite levantar, fazer curvas e correr sem deslizar e sobrecarregar as articulações. É fácil comprar 1 borrachão ou virar 1 carpete e forrar as áreas que o cão circula
  3. Cama macia – principalmente se o animal for magro
  4. Medicação – além de analgésicos e anti-inflamatórios existem suplementos a base de condroitina e glicosaminoglicanos que podem ajudar – consulte seu veterinário
  5. Acupuntura – além do efeito anti-inflamatório, pode modificar o limiar da dor, melhorando muito a qualidade de vida
  6. Exercícios leves – podem ajudar, mas cuidado: depende do estado geral do animal
 

Por Que os Gatos Ronronam?

Foto Patricia Nuñez

Nós, humanos, sorrimos quando estamos felizes. Os cães, abanam a cauda.

Os gatos ronronam!

Outros felinos também são capazes de produzir este som, como o puma. Já o leão e o tigre, assim como todo felino que ruge, não ronrona.

Nos gatos, os músculos da laringe vibram quando o ar passa, tanto na inspiração quanto na expiração, fazendo o som parecer contínuo. Isto acontece quando o gato está experimentando uma sensação prazerosa.

Os filhotes costumam ronronar mais alto que os adultos.

Há indícios que alguns gatos gatos também ronronam quando estão assustados ou contrariados.

Se você nunca experimentou a deliciosa sensação de ouvir e sentir (é possível ! Basta fazer carinho na “garganta” de um gato que aprecia carinho) um gato ronronando, eu recomendo, parece um mantra da alegria.

 

 

Descubra os segredos dos adestradores mais experientes para adestrar seu cachorro!

Treine seu cão com um método simples e descomplicado. Ensine-o a não destruir as suas coisas, fazer as necessidades no lugar correto, parar de latir loucamente e passear sem te arrastar.

O seu cão está lhe causando problemas?

 VOCÊ já teve a sensação que não consegue de maneira alguma se comunicar com seu cachorro?

 VOCÊ já perdeu a paciência com o cheiro horrível de urina e fezes espalhados pela casa por que seu cão nunca respeita e faz as necessidades no local correto?

 VOCÊ já teve a sensação que há qualquer momento ele pode agredir você, à sua família e a seus filhos?

 VOCÊ já está cansado de ficar correndo atrás dele na rua loucamente enquanto ele corre sérios riscos de ser atropelado?

 VOCÊ já pensou que em qualquer momento algum vizinho pode envenenar ou machucar seu cão devido tantos latidos e barulho?

 VOCÊ já chegou a conclusão que da maneira que está você terá que dispensar o seu cachorro tão querido?

Se você está enfrentando algum dos problemas descritos acima, PARE e leia este artigo agora.

Olá, meu nome é João Martinez e eu já passei por vários problemas com meu cão de estimação. Se você é como eu era antes de começar a estudar a mente dos cachorros, então alguma destas situações provavelmente já aconteceu com você… provavelmente muitas vezes.

Parece que se as coisas continuarem do jeito que estão você vai precisar tomar atitudes drásticas não é mesmo?

Sabe por que esses problemas são tão difíceis de resolver?

Eu também enfrentava todos esses problemas com meu cão, e para pode continuar vivendo com ele, eu tive que começar a estudar a mente dos cachorros. Vou te contar rapidamente o que aconteceu e como tudo aconteceu.

Eu tenho um cãozinho chamado Bingo, da raça basset hound, que são muito travessos e brincalhões. Eu sofria com a bagunça que ele fazia no meu apartamento! Ele fugiu de casa e fazia as necessidades nos corredores do prédio, então precisamos deixa-lo mais tempo preso para não ter problemas com os vizinhos, e ai ele começou a ficar mais agressivo!

Primeiro foi minha esposa. Ela estava limpando a área de serviço e tirou a vasilha de comida dele do lugar, ele foi lá e mordeu ela. A sorte foi que ela não se machucou e ficou tudo bem.

Depois foi um entregador de pizza, que subiu até a porta do apartamento para fazer a entrega e quando abrimos a porta ele atacou o jovem! Tivemos sorte também que o moço estava de bota, e não sofreu nenhum arranhão!

Mas o terceiro problema foi mais sério. Bingo atacou um vizinho, em uma das fugidas dele. O vizinho ficou com uma cicatriz enorme na perna e criou uma grande briga dentro do condomínio querendo proibir animais de estimação!

Eu me senti muito mau! Em uma reunião do condomínio o pessoal me deu uma intimada, dizendo que era eu ou o cachorro! Ou seja, eu não poderia mais morar no prédio com minha família se continuássemos com Bingo! Então propus aos moradores que iria adestrar o meu cachorro e eles decidiram nos dar uma chance.

Na noite deste mesmo dia, enquanto eu voltava do trabalho eu comprei alguns livros sobre adestramento em uma livraria que passei, e resolvi tentar estudar sobre o assunto. Cheguei em casa e devorei todo o material que encontrei. Mas eu não gostei muito do que li, a maioria dos métodos eram violentos, e o cachorro era adestrado na base da punição. Quando ele fazia alguma coisa errado, devíamos bater no animal, até que ele aprendesse o que era certo e o que era errado.

Como eu não pretendia bater no Bingo, continuei procurando, até que uma amiga da minha esposa nos indicou ummétodo baseado em reforço positivo, sem nunca precisar gritar ou bater no seu amigo! O método funciona muito bem e é o mesmo método utilizado por produtores de TV e cinema para adestrar os cães que vemos nos filmes e novelas!

Foi ai que tudo mudou e nós começamos a ter esperança!

Comecei a fazer vários cursos sobre o assunto e ir me aprofundando em treinamento de cães! Além dos cursos presenciais, comprei vídeo cursos e mais livros. Depois de algumas semanas separei o que encontrei de melhor e mais moderno para adestramento de cães e comecei a adestrar Bingo!

Com alguns dias ele estava mais dócil, não fugia mais para o prédio e nos obedecia em casa! Foi ótimo! O pessoal do condomínio percebeu que ele estava diferente e autorizaram que continuássemos morando no prédio. Tudo estava sendo resolvido graças ao método que eu desenvolvi (na verdade foi apenas uma mistura das melhores técnicas)!

O mais legal é que é um método simples que qualquer um pode fazer em casa com 15 minutos por dia! Funciona com qualquer cão, de todas as raças e idades!

Você não precisa ser nenhum especialista em adestramento para conseguir treinar seu cão. Qualquer um pode seguir os passos em casa com 15 minutos por dia e adestrar seu amigo. Você vai aprender rapidinho e seu cão também!

Antigamente, os métodos de adestramento utilizavam de punição para educar um cão. Sempre que o cão tinha um comportamento indesejado, o adestrador devia puni-lo e assim o animal iria aprender o que não devia fazer, com medo de ser punido. Por exemplo, se o cachorro faz cocô no tapete deve apanhar com um jornal enrolado.

Veja como funciona o treinamento com reforço positivo

O método baseado em reforço positivo é baseada na ideia contrária! Quando o cachorro se comporta bem, você o recompensa de alguma maneira, como por exemplo, quando ele faz cocô no lugar correto, você pode lhe dar um biscoito.

Dessa maneira, seu cachorro vai querer fazer a coisa certa para poder ser recompensado! A recompensa pode ser um carinho ou um petisco. O que importa é que você não vai precisar mal tratar seu amigo e ele vai aprender a se comportar da maneira que você quiser!

O segredo desse método de adestramento é ensinar ao seu cão quando ele está se comportando bem! A ideia é utilizar uma palavra-comando para que ele relacione aquela atitude à uma ordem falada. E ai sempre que ele agir da maneira que você deseja você reforça positivamente.

Com o método do reforço positivo você pode ensinar seu cachorro tudo o que você precisa! Desde não fugir de casa, não morder os outros, fazer as necessidades no lugar correto, não destruir os móveis, roupas e sapatos, sentar, deitar, rolar e muito mais!

Você também quer aprender a ensinar tudo o que você quiser ao seu cão, de uma forma rápida e divertida e que ele vai fazer com prazer e nunca mais vai esquecer?

Se você tiver 15 minutos por dia para treinar seu cão, você mesmo poderá adestrar o seu amigo e não precisa arriscar a integridade dele com algum adestrador desconhecido. Veja algumas coisas que você vai descobrir com o método Como Adestrar!

 Quais são os maiores erros cometidos pelas pessoas quando eles tentam adestrar um animal

 Como motivar seu cão a fazer tudo o que você deseja

 Como fazer seu cão sentar,  deitar, dá a patinha, ficar esperando, buscar objetos

 Não comer qualquer coisa que encontrar, correndo o risco de se envenenar

 Andar solto na rua

 Controlar a agressividade

 Fazer as necessidades no lugar correto

 Não latir muito e nem ficar chorando a noite

 Não destruir o jardim

 Não morder e nem pular nas pessoas quando está brincando

 Não roer as coisas e nem ter ciúmes

Adestramento Anti – Veneno – Proteja a vida de seu cão e o eduque para que ele nunca coma nada que possa estar envenenado.

Andar Solto na Rua – Acabe de uma vez por todas com a total insegurança de andar com seu cão solto na rua ou com o medo de que ele Fuja ou que possa causar transtornos para a vida dele e para sua também.

Ataque/Defesa – Use o extinto do cão para proteger a casa de pessoas más intencionadas e também para que ele possa se defender caso seja necessário sem atacar qualquer pessoa que veja pela frente.

Controle da Agressividade – Você ensinará ao cão a fingir agressividade em um passeio, por exemplo, caso uma pessoa estranha e suspeita se aproxime de você.

Fazer a Necessidade no lugar certo – Aqui está um problema que a maioria das pessoas sofrem com seus cães. Descubra como acabar com esse problema de uma vez por todas. Você ficará espantado de saber como essa técnica é simples. E você poderá não só resolve-lo como poderá ajudar amigos e familiares que sofrem do mesmo mal.

Não Cavar o Jardim – Você irá aprender a adestrar seu cão para que ele não cave em seu jardim e acabe com as plantas suas.

Não Chorar à Noite – Esta técnica é para cães filhotes ou cães que já tem certa idade mas são “mimados”  pelo seu temperamento ou por criação e não conseguem dormir sozinhos ou fora da casa. Você irá descobrir como resolver esse problema que afeta tantas pessoas e que a maioria não sabe como resolver.

Não Comer Fezes – Esse é um Problema bem comum entre nossos cachorros, mas pode acontecer do cão contrair doenças e verminoses em razão desse ato. Você irá aprender como acabar com esse ato e fazer a prevenção para que não ocorra esse ato em filhotes e cães adultos .

Não Latir em Demasia – É comum ver cães que latem excessivamente, mas isso causa desconforto tanto para o dono quanto para seus vizinhos e podem causar brigas discussões e mau – estar entre todos. E o cão também será prejudicado pelo estresse causado por latir demasiadamente podendo causar desde úlceras a problemas no sistema imunológico. Você irá descobrir como dar um ponto final nisso.

Não Morder as Pessoas como Forma de Brincar – Você irá aprender a prevenir isso com o cão desde filhote para que quando adulto ele não venha a causar transtornos em crianças ou também em adultos e para que todos tenham um convívio prazeroso.

Não Pular nas Pessoas – Esse Problema faz parte dos cachorros brincalhões, mas é muito fácil de resolver se feito da forma correta. Você irá ver como.

Não Roer as Coisas – Isso é muito comum e pode ser causado por diversos fatores, você irá conhecê-los, e saber diagnosticá-los para poder cuidar do cão e de seus objetos pessoais.

Não ter Ciúmes – As pessoas podem achar bonitinho o ciúme que seu cão sente do seu dono ou de objetos quando alguém se aproxima. Isso até é normal o problema é quando isso se torna exagerado. Pois pode causar transtornos para animais de outras pessoas e para as próprias pessoas. Você irá descobrir como resolver esse problema e todos os outros citados acima.

 

Adestramento Inteligente: o reforço positivo

 

Ale adestra caes 5 200x300 Adestramento Inteligente: o reforço positivo

Nós, adestradores da Cão Cidadão, usamos um método próprio para adestrar animais: o Adestramento Inteligente®. Um dos pilares desse método, é o uso de reforço positivo, e hoje falaremos um pouco sobre esse assunto.

Primeiramente, o uso da palavra positivo neste caso não tem a ver com bom ou ruim, mas sim com soma ou acréscimo. Explicando melhor: reforçar positivamente é acrescentar algo (um petisco, um brinquedo, um carinho, um elogio) depois do acontecimento de um comportamento, fazendo com que esse comportamento aconteça com mais frequência. Ou seja, reforçar positivamente é recompensar comportamentos que gostamos em nossos pets, e que queremos que aconteçam mais vezes.

No nosso dia-a-dia com nossos bichinhos, estamos o tempo todo recompensando, ou seja, usando o reforço positivo. Um exemplo de como o reforço positivo pode ser usado errado: um cãozinho pula no dono quando o proprietário entra em casa, desejando contato físico e brincadeira. Para parar os pulos, o dono segura o cão pelas patas e lhe dá uma bela bronca, falando para que não pule. Sem querer, o dono usou o reforço positivo e recompensou o cão por pular, pois deu o que o cão queria – a atenção e contato físico com dono. Com certeza, esse cãozinho vai pular mais nas próximas vezes! Uma forma fácil de parar os pulos? Ensinando o cão a sentar, e recompensando-o – dando um petisco – sempre que ele sentar, principalmente na chegada de pessoas. Neste caso, estamos usando o reforço positivo de forma correta e produtiva: ensinando comportamentos que gostamos, e recompensando sempre que eles acontecem, pois isso fará com que esses comportamentos aconteçam mais e mais vezes, e com mais naturalidade para o cãozinho.

O uso correto do reforço positivo também traz um benefício: quando ensinamos comportamentos corretos e recompensamos o pet sempre que acontecem, a tendência é que comportamentos errados diminuam. Como assim? Se o cão sabe alguns comandos, como sentar, deitar, dar pata, é provável que ele use esses comandos quando quiser pedir algo, em vez de latir ou pular, por exemplo. Com isso, diminuímos o uso de broncas, que são uma ferramenta útil no treinamento, mas totalmente ineficazes se utilizadas sozinhas, sem o uso do reforço positivo. Falaremos mais sobre o assunto broncas em um próximo artigo.

O reforço positivo também é usado para ensinar comandos aos animais, sejam eles cães, gatos, aves ou outros. Por exemplo, ao ensinar um cão a sentar, utilizamos um pedacinho de petisco como “isca”, colocando-o no focinho do cão e erguendo a mão. O cão acompanhará esse movimento e, normalmente, ao levantar o focinho para farejar, ele abaixará a parte traseira. É neste momento que devemos usar o reforço – ou seja, recompensar o cão dando a ele o petisco. Utilizar o reforço positivo evita que precisemos tocar no cão ou força-lo usando coleira e guia, e torna o aprendizado interessante, divertido e natural para o animal! Todos os comandos podem ser ensinados com o uso do reforço positivo.

O treinamento de animais tem várias particularidades e detalhes, mas para facilitar, existe uma regrinha de ouro: frustre ou impeça o acontecimento de comportamento errados e lembre-se de sempre usar o reforço positivo, ensinando e recompensando comportamentos corretos. É essa combinação que realmente fará do seu pet uma companhia agradável, divertida e sempre bem educada!

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Texto: Juliana Yuri (Adestradora da Cão Cidadão)
Revisão e Edição Final: Alex Candido


Agressividade – Parte 1

agressividade ataques 1024x768 Agressividade   Parte 1

Hoje falaremos sobre um dos assuntos que mais preocupa donos e pessoas que convivem com cães: a agressividade.

Muitos cães demonstram agressividade, e ela pode ser causada por vários motivos, como medo, dominância, posse e defesa de território, ou por transferência. Primeiramente, para evitar que um cão apresente comportamentos agressivos, é importante lembrar de sociabilizar o filhote; a "janela de sociabilização" acontece dos 50 dias até os três meses de idade, e é nesse período que devemos expor o cão a todos os estímulos que ele encontrará na vida adulta, sempre de forma positiva, ou seja, recompensando com alimentos e carinho sempre que o cãozinho estiver diante de uma novidade. Cães (vacinados e vermifugados), outros animais, pessoas diferentes, crianças, objetos como aspiradores de pó, bicicletas, guarda-chuvas, entre outras coisas, devem ser apresentadas ao cão nessa época. Grande parte dos casos de agressividade contra outros cães, pessoas estranhas e objetos é causada pela falta de sociabilização, pois o cãozinho que não foi exposto não desenvolve a capacidade de lidar com situações novas, e por conta do medo e da ansiedade, pode apresentar comportamentos agressivos.

A agressividade por ser causada por diversos motivos, hoje descreveremos alguns deles:

• Agressividade por medo: normalmente acontece quando o cão está com alguma dor, quando teme perder algo que deseja muito (um brinquedo ou um osso, por exemplo), quando é punido de forma violenta ou é acuado. O cão parte para a agressividade na tentativa de afastar aquilo que o amedronta.

• Agressividade por posse: cães que protegem brinquedos, ossos, a própria cama ou até um móvel, como o sofá ou a cama, normalmente atacam quando percebem que o recurso está sendo disputado.

• Agressividade por dominância: dominância normalmente ocorre entre seres da mesma espécie e que desejam possuir o mesmo recurso (fêmeas, um local específico, um alimento). Cães podem demonstrar esse tipo de agressividade com pessoas quando não estão acostumados com limites e regras e são contrariados e acreditam estar no topo da hierarquia.

Tratar a agressividade não é tarefa simples, e sempre que os sinais emitidos pelo cão (rosnados, latidos, mordidas) colocarem as pessoas da casa e conhecidos em risco, deve-se procurar ajuda especializada, sempre dando preferência profissionais que utilizem métodos baseados em reforço positivo, e sem agressividade ou violência.

No próximo post falaremos sobre outros tipos de agressividade e como lidar com esse problema usando o método de reforço positivo.

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Texto: Juliana Yuri (Adestradora da Cão Cidadão)
Revisão e Edição Final: Alex Candido

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Dúvidas sobre o comportamento do seu pet? Deixe seu comentário aqui no Blog!

Conheça mais sobre os serviços da Cão Cidadão acessando nossa página oficial no facebook:http://www.facebook.com/caocidadaooficial.

 

Por Equipe Cão Cidadão

Confira as dúvidas sobre comportamento enviadas pelos internautas no Consultório Pet, respondidas pela adestradora da Cão CidadãoCassia Rabelo Cardoso dos Santos.

Importante: nossa equipe NÃO RESPONDE dúvidas sobre problemas de saúde! A qualquer sinal estranho ou alteração fisiológica, procure o mais rápido possível um veterinário de sua confiança! Só ele poderá avaliar os sintomas e dar todas as orientações necessárias.

Poodle que late para as visitas

Olá Dr Pet, eu preciso urgentemente da sua ajuda ! Eu tenho um poodle de porte grande, fêmea, eu não me lembro a idade dela agora, mas eu tenho ela há uns 10 anos, desde filhote.
Bom, o meu problema com ela é o seguinte, ela simplesmente não aceita outras pessoas, somente eu, minha mãe e meu pai e só ! Sempre quando vem alguém nos visitar ela tem de ficar presa e além disso ela fica latindo o tempo todo. Outro problema é o latido dela com outras pessoas. Nós moramos em apartamento e quando alguém passa pelo hall, e ela escuta, ela ja vai correndo pra porta e começa a latir.
Nós ja tentamos socializá-la, ela desce todo dia e não estranha outras pessoas fora de casa, só que quando chega alguém em casa...ninguém segura !
A gente tem medo de soltar ela perto das pessoas e ela morder alguém... tanto que nós ja tentamos e ela late muito.
Bom, espero que há alguma solução porque ela é tão carinhosa que da um dó de prender ela.
Obrigada desde já !
Annelisa

Olá, Annelisa! Antes de mais nada, é preciso identificar muito bem os deflagradores dos latidos, para poder atuar diretamente quando eles ocorrem. É necessário que o cão seja recompensado com atenção, petiscos, afagos justamente quando não estiver latindo! Assim, passará a entender que a melhor forma de obter atenção é mantendo o silêncio! Um detalhe importante: pelo seu relato, parece que a sua cadelinha já fez uma péssima associação com a chegada das pessoas à sua casa, pois ela sempre acaba ficando presa... De qualquer forma, para casos extremos, é importante contratar um adestrador especializado em comportamento canino, que auxiliará os donos a lidar com esta situação. Para tanto, você pode contatar a Cão Cidadão, pelo telefone  (11) 3571-8138. Para conhecer melhor a empresa, acesse o site: www.caocidadao.com.br. Boa sorte!

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Maltês com coprofagia

Boa tarde, Alexandre
Tenho uma cadela da ração Maltês com um ano de idade, desde que a comprei ela tem o péssimo hábito de comer as fezes após defecar.
Já levei-a no veterinário e dei lumbrigueiro, porém, o problema persiste. Não sei mais o que fazer. Espero sua ajuda!
Jamira

Oi, Jamira! Este comportamento é denominado coprofagia e não é incomum, apesar de ser repulsivo para os humanos. Costuma ser mais bastante observada em cães jovens e, em grande parte dos casos, extingue-se naturalmente.

Uma das suposições é que o cão pode estar brincando com as próprias fezes, em razão de um ambiente pobre em distrações, assim como confinamento em espaços pequenos e falta de atividades físicas. Cães também podem comer as próprias fezes (ou de outros animais) por investigação. Ou ainda, para chamar a atenção do proprietário.

Para treinar o cão a parar de ingerir as fezes, assim que o cão se aliviar, atraí-lo para outro local, onde será recompensado por fazer as necessidades no lugar correto (que você já deve estar ensinando). Neste momento, jogar algo amargo e não tóxico nas fezes (como produtos amargos vendidos em pet shop para este fim), para que não sejam mais atrativas.

Após estes procedimentos, pode-se recolher as fezes e urina calmamente, sem alardes e, preferencialmente, longe da visão do filhote que, assim, não será incentivado a competir com os donos por este “objeto”.

O enriquecimento do ambiente com objetos e brinquedos que mantenham o cãozinho entretido também auxilia na estimulação mental para que tenha menor probabilidade de se interessar pelas fezes. E também proporcionar atividades físicas, como um bom passeio pelo parque!

Além disso, existem alguns medicamentos que podem ser prescritos pelo veterinário, que tornam as fezes amargas, tornando-se, assim, nada interessante comê-las...

Se você sentir dificuldades, consulte um profissional especializado em comportamento canino. Para tanto, você pode contatar a Cão Cidadão, pelo telefone  (11) 3571-8138. Para conhecer melhor a empresa, acesse o site: www.caocidadao.com.br. Boa sorte!

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Boxer e vira-lata que começaram a caçar a gata

Preciso de uma ajuda urgente, tenho uma cachorra boxer, uma vira lata e uma gata... e de uns tempos pra cá as cachorras começaram a caçar a gata, e elas viviam em harmonia... Mas acho que é por ciúmes. Não sei o que faço pois estou com medo das cachorras pegarem a gata e matar...
Joyce Lobo

Olá, Joyce! Se você afirma que antes as três viviam em harmonia, é muito importante verificar o que pode ter acontecido no ambiente ou na rotina delas para que este comportamento das cachorras com a gata se iniciasse e se mantenha. Pode ter ocorrido alguma situação em que o instinto predatório das cachorras tenha sido atiçado pela gatinha, e elas iniciaram uma divertida brincadeira (do ponto de vista delas), mas péssimo para a gata. Invista muito em enriquecimento ambiental para as cachorras (leia mais sobre o assunto aquihttp://caocidadao.com.br/artigos_caes.php?id=322) e em atividades físicas para elas, visando, assim, que elas se ocupem com outras atividades que não incluam caçar a gata. Mas o ideal seria que você consultasse um profissional especializado em comportamento animal, que poderá identificar as situações de perseguição quando elas ocorrem e lhe dar as dicas necessárias. Para tanto, você pode contatar a Cão Cidadão, pelo telefone  (11) 3571-8138. Para conhecer melhor a empresa, acesse o site: www.caocidadao.com.br. Boa sorte!

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Cocker de 15 anos que late o dia todo

Dr pet preciso de ajuda nao sei mais o que fazer .minha cachorrinha uma coker spaniel dourada de quinze anos vem me causando problemas com meus vizinhos eles estao ameaçando chamar a policia pois ela late muitoooo qd nao estou em casa, ela late por horas e horas, eu trabalho tb a noite e isso me causa problemas pois ela late ate eu chegar onze horas da noite.estou quase sem ir trabalhar e sair com amigos me ajuda por favor, nao quero ter q abandona lano gim de sua vida ...
Fabiane Cardoso

Oi, Fabiane! Sua Cocker certamente sofre do que se denomina ansiedade de separação, uma condição que deixa os cães muito apegados aos donos bastante ansiosos, o que gera comportamentos como latidos excessivos. Isto gera muito sofrimento ao cão e você deve tomar algumas medidas para minimizar esta condição. Assim, é importante investir em atividades físicas (como um bom passeio) antes de sua saída de casa e deixar o ambiente repleto de atividades, o que se costuma chamar enriquecimento ambiental. Confira nos artigos a seguir as dicas da Cão Cidadão sobre esses assuntoshttp://caocidadao.com.br/artigos_caes.php?id=322 ehttp://caocidadao.com.br/artigos_caes.php?id=347. Além disso, é recomendado que você não faça muita euforia qunado chegar em casa, nem tampouco grandes despedidas ao sair de casa, pois estes comportamentos do dono levam o cão a ficar ainda mais ansioso quando sozinho. Treinos do comando FICA, para estimulá-la a ficar sozinha em cômodos da casa quando você está presente também auxiliará a desenvolver a independência dela da sua presença. É também indicado que você consulte um profissional especializado em comportamento canino, que lhe dará as dicas necessárias. Para tanto, você pode contatar a Cão Cidadão, pelo telefone  (11) 3571-8138. Para conhecer melhor a empresa, acesse o site:www.caocidadao.com.br. Boa sorte!

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Pit Bull bruto

Olá Dr. Pet, adotei há 3 meses um filhote mestiço de Pitbull e Boxer. Ele é um filhote bem bruto, mas é natural dele responder um carinho com carinho, sendo isso bruto. Ele está crescendo e ficando forte e não quero que ele vire uma ameaça para amigos ou conhecidos. Como eu faço para deixá-lo mais manso, e fazer com que ele apenas lamba e não morda, por mais que a sua mordida não seja ofensiva?
Malik Martins

Oi, Malik! Seu cão é um filhote com bastante energia para brincar, e isto é normal. Mas é também muito forte e realmente é importante você prezar para que ele aprenda a controlar as mordidas durante a empolgação das brincadeiras. Você deve investir em atividades para ele, além de brinquedos próprios para morder. Quando ele estiver interagindo com os brinquedos, elogio-o bastante. Quando ele usar a boca em qualquer parte do corpo, fale um “Ai!” e pare im

Por Equipe Cão Cidadão

gatos crianças 300x213 Brigas entre gatos: como evitar?

Existem inúmeras razões pelas quais o seu gatinho pode se envolver em uma briga com outro, mesmo que eles já convivam há algum tempo. Para resolver o problema é importante saber a causa dessa disputa.

Se você pensa em adquirir um novo gato, introduza-o de forma gradual. Você pode até achar que está fazendo um favor em trazer para casa uma nova companhia, mas seu gato pode enxergar o novo colega como uma ameaça. Se nós não adoramos outras pessoas automaticamente no momento em que as conhecemos, por que esperar que os gatos sejam diferentes? No começo mantenha-os em cômodos separados e introduza o gato novo aos poucos, sempre os deixando juntos somente com supervisão. Pode levar um tempo até que eles se acostumem, seja paciente.

Gatos são bastante territoriais, portanto, para não haver disputa, providencie a cada gatinho suas próprias coisas (cada um deve ter um arranhador, pote de água, caixa de areia – de preferência uma caixa a mais do que o número de gatos na casa), pelo menos no começo. Quanto mais oportunidade de cada um ter seu próprio espaço, menores as chances de eles acabarem brigando por algo.

Outro motivo que leva os gatos a brigarem é o olfato, um sentido muito importante para eles. Não é incomum o dono levar um dos gatos para o veterinário, e na hora em que chega em casa, esse gato é atacado pelo outro que ficou. Isso porque o gato que saiu acabou ficando com vários cheiros diferentes, o que confunde o que ficou em casa. Para evitar isso, antes de sair do veterinário esfregue no gato que está com você uma toalha contendo o cheiro do que ficou em casa. Isso também ajuda na hora de trazer um novo felino para casa, pois assim um já vai se acostumando com o cheiro do outro.

Tenha certeza também de que está tudo bem com a saúde do seu gatinho. Quando estamos doentes não queremos ninguém mexendo com a gente. Se ele estiver com algum probleminha de saúde pode atacar o companheiro quando ele se aproxima ou tenta brincar. Eles são ótimos em disfarçar que estão doentes, portanto, se seu gato apresentar alguma mudança brusca de comportamento, leve-o ao veterinário para descartar qualquer problema.

Pode acontecer também o que chamamos de “agressividade redirecionada”, quando o gato acaba ficando agitado por algum estímulo externo, e desconta a frustração na primeira oportunidade que aparece. Por exemplo, quando ele está olhando pela janela e vê um cachorro. Como ele não consegue fazer nada a respeito, acaba descontando no companheiro que está ao lado. Apesar de ser comum acontecer, você pode prevenir esse tipo de agressividade prestando atenção ao que deixa seu gato agitado e evitando essas situações (nesse caso, por exemplo, fechar a cortina ou não deixá-lo ter acesso à janela).

Disputas entre machos quando eles atingem a maturidade sexual (entre 2 e 4 anos de idade) também é muito comum, podendo ser evitada através da castração.

Se por acaso a briga já estiver ocorrendo, não tente entrar no meio e interrompê-la pegando um dos gatos, você pode acabar se machucando seriamente! Faça um barulho alto ou jogue água neles à distância, de um lugar onde os gatos não possam te ver para que não associem a briga a você.

Se você aprender a ler os sinais dos seus gatos, talvez consiga minimizar a chance de algo mais grave acontecer. Fique atento se eles começarem a se olhar fixamente, arrepiar o pelo ou arquear as costas, abaixar as orelhas e deixá-las bem próximas à cabeça. São sinais de que eles estão prestes a começar uma briga.

Tome cuidado para não reforçar o comportamento errado. Dar carinho ou comida ao gato que está demonstrando sinais de agressividade pode até acamá-lo, mas acaba fazendo com que ele se sinta recompensado por essas atitudes. Ao invés disso, recompense-o quando estiver calmo e interagindo de forma pacífica, isso também os ajudará a fazerem associações positivas um com o outro.

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Texto Thais Oliveira (adestradora da Cão Cidadão)
Revisão Alex Candido

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. Para conhecer melhor a empresa, acesse o site: www.caocidadao.com.br. Boa sorte!

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Indicação de raças para apartamentos

Dr. Pet, bom dia!
Tenho muita vontade de ter um cachorro, porém moro em um apartamento relativamente pequeno. Sei que mais importante do que a minha vontade em ter um cachorro deve ser a saúde do animal. Gostaria de saber se você tem indicações de raças que poderiam se adaptar bem à um apartamento sem sofrer. Muito pesquisei na internet, mas gostaria de uma fonte confiável. Muito obrigado pela atenção!
Carlos Eduardo

Olá, Carlos Eduardo! Na sua situação, o ideal é buscar raças de pequeno a médio porte e não muito ativas. Neste sentido, os Lhasa Apsos e Shih-Tzus são boas opções. O Buldogue Inglês também se enquadra nesta categoria, mas são maiores e mais “pesadões”. É muito importante avaliar se a raça escolhida se adapta também ao seu estilo de vida, para que a convivência seja harmônica. Leia mais sobre o assunto neste artigo do blog do Dr. Pet:http://noticias.r7.com/blogs/dr-pet/2012/05/23/raca-canina-mais-indicada-para-cada-estilo-de-vida/. E sempre importante ressaltar a importância de considerar também a adoção. Boa sorte na escolha!

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Na próxima semana tem mais Consultório Pet! Se a sua pergunta ainda não foi respondida ainda, não deixe de mandá-la nos comentários do blog!

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Adestramento Inteligente: com amor, humor e bom-senso
Alexandre Rossi
Editora CMS
9° edição – 2002
255p – il.
Contra capa
Transmitir informações para tomar o convívio com seu cão muito mais prazeroso é a intenção deste livro.
As técnicas sugeridas permitem adestrar cães de qualquer raça, em qualquer idade, e de uma maneira
agradável, sempre com respeito e carinho. Dicas práticas são apresentadas para que você encontre
soluções para problemas que podem estar atrapalhando sua relação com seu melhor amigo, como
agressividade, xixi fora do lugar, compulsão para roer móveis, e muitos outros. Você compreenderá
melhor o comportamento do cão e assim será capaz de treiná-lo com muito mais rapidez e eficiência.
"Alexandre Rossi, em seu livro, conduz o leitor pelos caminhos do adestramento por reforço positivo, que 

você encontre
soluções para problemas que podem estar atrapalhando sua relação com seu melhor amigo, como
agressividade, xixi fora do lugar, compulsão para roer móveis, e muitos outros. Você compreenderá
melhor o comportamento do cão e assim será capaz de treiná-lo com muito mais rapidez e eficiência.

é um modo suave, inteligente e afetuoso de promover a boa relação entre o Homem e seu cão. Com uma
linguagem coloquial e de fácil compreensão, serve também para consultas rápidas para prevenção e
resolução de distúrbios de comportamento."
Mauro Lantzman
Médico-Veterinário Clínico de Comportamento Animal Aplicado
"De um modo direto e interessante, Alexandre Rossi põe à nossa disposição os conhecimentos que
sempre quisemos ter para interagir com o nosso cão. Seu livro é um convite para um melhor encontro do
homem com o cão."
Cesar Ades
Professor Titular do Instituto de Psicologia (USP) e Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de
Etologia (Comportamento Animal)
AMOR, HUMOR E BOM SENSO são os princípios adotados pelo autor no adestramento de animais
que vivem numa sociedade de homens. Aspectos técnicos de treinamento são apresentados sem perder de
vista o relacionamento afetivo entre o cão e seu dono.
Neste livro você vai aprender:
¾ sobre a natureza do cão: um animal que vive em matilhas;
¾ seu cão pode ser adestrado desde filhote;
¾ quais os equipamentos que melhor contribuem para o adestramento;
¾ que treinamento inteligente inclui paciência e técnicas de comunicação atuais;
¾ quais são os problemas de comportamento (desde "roer o pé da mesa" até "atacar o carteiro") e
como resolvê-los;
¾ que certos comportamentos estranhos dos cães são fáceis de explicar, e que outros não passam de
mitos.
Alexandre Rossi, formado pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, observa e
adestra animais desde seus 6 anos de idade. Ampliou seus horizontes participando de pesquisas no Kruger
Park, na África do Sul, integrando-se a projetos de reabilitação de animais selvagens — muitos dos quais
à beira da extinção — para lhes dar condições de retomar à natureza. Também trabalhou na Austrália,
sociabilizando cangurus e outros animais que viviam em parques e apresentavam comportamento
agressivo com relação a humanos.
Foi lá que seu método de adestramento começou a ser desenvolvido, ao treinar cães pastores de
ovelhas que, além de cuidar do rebanho, exerciam diversas atividades longe de seus donos durante
jornadas exaustivas de trabalho.
Hoje, Rossi leciona técnicas contemporâneas de adestramento, dá assistência ao animal com
problemas de comportamento e orienta seu dono.
À Tamara Pall Mall, minha Weimaraner, com quem aprendi muitas coisas.
SUMÁRIO
PREFÁCIO.................................................................................................................................................15
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................17
PRIMEIRA PARTE
Conceitos Fundamentais................................................................................................................. 19
A Matilha................................................................................................................................................... 21
O cão faz parte de uma matilha....................................................................................................... 22
Desentendimentos........................................................................................................................... 22
Papel do líder................................................................................................................................... 23
A hierarquia é obrigatória............................................................................................................... 24
Linguagem canina........................................................................................................................... 25 Como fazer uso da linguagem canina............................................................................................. 26

Liderança......................................................................................................................................... 27
Quem é o líder da matilha............................................................................................................... 27
Para o cão, nós somos cachorros..................................................................................................... 28
Liderando com violência................................................................................................................. 28
Ande na frente................................................................................................................................. 29
Inverta a situação............................................................................................................................ .30
Ganhe respeito e dê bons exemplos................................................................................................ 31
Amor incondicional................................................................................................................................... 33
Amor e entendimento...................................................................................................................... 34
Comportamento............................................................................................................................... 34
Punição............................................................................................................................................ 35
Treinamento sem traumas............................................................................................................... 37
A Troca...................................................................................................................................................... 39
Tipos de troca.................................................................................................................................. 40
Objetos de troca............................................................................................................................... 40
Desafios e recompensas.................................................................................................................. 42
O valor da troca............................................................................................................................... 43
Como valorizar um objeto de troca................................................................................................. 43
Alternativas para a troca.................................................................................................................. 44
Recompensa negativa...................................................................................................................... 45
A Atenção.................................................................................................................................................. 49
A atenção: conseqüência e causa.................................................................................................... 50
Reforce a atenção............................................................................................................................ 50
O cachorro como foco da atenção................................................................................................... 51
O reverso da atenção....................................................................................................................... 51
A atenção: estímulo e não limitação............................................................................................... 52
SEGUNDA PARTE
As Fases do Desenvolvimento Cerebral.................................................................................................. 55
Período inicial - do nascimento até o 50° dia.................................................................................. 56
Período de socialização - do 50° ao 85° dia.................................................................................... 57
Período de dominância - da 12ª à 16ª semana................................................................................. 59
Período de independência – do 4° ao 8° mês.................................................................................. 60
Período da adolescência até a maturidade – de1 a 4 anos............................................................... 60
TERCEIRA PARTE
Equipamentos............................................................................................................................................ 65
Brinquedos para distração, divertimento e redução do estresse...................................................... 66
Brinquedos recomendados.............................................................................................................. 68
Cuidado com estes brinquedos........................................................................................................ 68
Coleiras e guias............................................................................................................................... 69
Plaquetas de Identificação............................................................................................................... 70
Coleiras........................................................................................................................................... 70
Enforcadores................................................................................................................................... 71
Colocando o enforcador:................................................................................................................. 72
Alternativas mais eficientes que o enforcador................................................................................ 73
Guias............................................................................................................................................... 73
Caixa de contenção/transporte........................................................................................................ 75
Local ideal....................................................................................................................................... 76
Tamanho.......................................................................................................................................... 76
Tempo............................................................................................................................................. 77
Modelos de caixas de contenção/transporte.................................................................................... 78 Petiscos e outras recompensas........................................................................................................ 78
Utensílios que ajudam a "punição".....................................................................79

Coleiras de treinamento................................................................................................................... 81
Coleiras contra latidos excessivos................................................................................................... 81
Coleiras que impedem que seu cão saia de sua propriedade........................................................... 82
"Clickers"........................................................................................................................................ 83
Removedores de odor..................................................................................................................... 84
QUARTA PARTE
Adestramento inteligente.......................................................................................................................... 89
Técnicas do Adestramento Inteligente.................................................................................................... 91
A técnica de adestramento e as leis fundamentais.......................................................................... 92
Tenha paciência.............................................................................................................................. 92
Inteligentes mas não adivinhos....................................................................................................... 93
Associações corretas dependem de repetição................................................................................. 94
Personalizar ou não as punições?.................................................................................................... 95
Como despersonalizar a punição..................................................................................................... 96
Cuidado para não dessensibilizar as punições................................................................................ 97
Saiba alternar recompensa e punição.............................................................................................. 97
Fracasso como punição e sucesso como recompensa..................................................................... 99
Bronca pode ser recompensa......................................................................................................... 101
Ignorar é uma ótima punição......................................................................................................... 101
Linguagem para se comunicar com o cão............................................................................................. 105
Linguagem..................................................................................................................................... 106
Técnica do Click...................................................................................................................................... 113
O que é o “clicker”........................................................................................................................ 114
Confira poder ao seu clicker......................................................................................................... 116
Aprenda a capturar um comportamento com seu clicker.............................................................. 116
Aperfeiçoe Comportamento o comportamento com o clicker...................................................... 117
Confira ainda mais poder ao seu clicker....................................................................................... 118
Comandos ............................................................................................................................................... 121
Senta......................................................................................................................................................... 122
Informações gerais sobre o comando ............................................................................................ 122
Para capturar o comportamento.................................................................................................... 122
Relacione o comportamento ao comando oral e gestual............................................................... 123
Modele o comportamento............................................................................................................. 123
Dificulte e varie as situações......................................................................................................... 124
Problemas e soluções.................................................................................................................... 124
Vem........................................................................................................................................................... 125
Informações gerais sobre o comando............................................................................................ 125
Capture o comportamento............................................................................................................. 127
Relacione o comportamento ao comando..................................................................................... 127
Modele o comportamento............................................................................................................. 127
Dificulte e varie as situações........................................................................................................ 128
Problemas e soluções.................................................................................................................... 128
Deita......................................................................................................................................................... 128
Informações gerais sobre o comando............................................................................................ 129
Capture o comportamento............................................................................................................. 129
Relacione o comportamento ao comando...................................................................................... l30

Modele o comportamento............................................................................................................. 130
Dificulte e varie as situações......................................................................................................... 130
Problemas e soluções.................................................................................................................... 130
Fica........................................................................................................................................................... 130
Informações gerais sobre o comando ............................................................................................ 131
Capture o comportamento............................................................................................................. 132
Relacione o comportamento ao comando..................................................................................... 132
Modele o comportamento............................................................................................................. 133
Aumente o estresse e varie as situações........................................................................................ 133
Problemas e soluções.................................................................................................................... 133
Junto......................................................................................................................................................... 134
Informações gerais sobre o comando............................................................................................ 134
Capture o comportamento............................................................................................................. 135
Relacione o comportamento ao comando..................................................................................... 135
Modele o comportamento............................................................................................................. 135
Dificultando e variando as situações............................................................................................. 136
Problemas e soluções.................................................................................................................... 136
Busca........................................................................................................................................................ 136
Informações gerais sobre o comando............................................................................................ 136
Capture o comportamento............................................................................................................. 137
Relacione o comportamento ao comando..................................................................................... 138
Modele o comportamento............................................................................................................. 138
Dificulte e varie as situações......................................................................................................... 139
Problemas e soluções.................................................................................................................... 139
Pula........................................................................................................................................................... 119
Informações gerais sobre o comando ............................................................................................ 140
Capture o comportamento............................................................................................................. 140
Relacione com o comando............................................................................................................ 141
Modele o comportamento............................................................................................................. 141
Dificulte e varie as situações......................................................................................................... 141
Problemas e soluções.................................................................................................................... 141
Planejamento de comandos avançados................................................................................................. 141
Não comer comida envenenada............................................................................................................. 144
Truque, jogos e brincadeiras................................................................................................................. 146
Cumprimenta................................................................................................................................. 146
Frisbee - free style......................................................................................................................... 146
Acompanhar a bicicleta................................................................................................................. 147
Puxar patins, etc............................................................................................................................ 148
Guardar os brinquedos.................................................................................................................. 148
Procurar as chaves......................................................................................................................... 149
Ataque e Defesa....................................................................................................................................... 150
Defender a casa até você chegar perto.......................................................................................... 151
Dica para cães que não mostram agressividade para proteger a casa........................................... 151
Como fazer o cão parar de latir quando você se aproximar.......................................................... 152
Comando amigo............................................................................................................................ 153
Atacar sob comando...................................................................................................................... 153
Fingir agressividade em um passeio quando um marginal se aproxima....................................... 155

QUINTA PARTE
Problemas de comportamento: como resolver..................................................................................... 157
As necessidades fisiológicas do cão........................................................................................................ 159
Fazer as necessidades em um lugar determinado.......................................................................... 160
O condicionamento começa cedo.................................................................................................. 160
Não dê atenção a comportamentos indesejáveis........................................................................... 161
Rotina como solução..................................................................................................................... 162
Quando você se distrai.................................................................................................................. 164
Adultos também podem ser ensinados.......................................................................................... 165
Urinar por submissão ou excitação............................................................................................... 163
Urinar por dominância.................................................................................................................. 167
Outras causas que provocam a regressão no aprendizado............................................................ 168
Agressividade........................................................................................................................................... 171
Agressividade................................................................................................................................ 172
Um cão de guarda não tem de atacar necessariamente................................................................. 172
Além de selecionar a raça e a família do filhote, garanta-lhe um tratamento adequado............... 173
Identifique corretamente o tipo de agressividade.......................................................................... 171
Não acorrente seu cão................................................................................................................... 174
Estude o problema antes de tentar curá-lo.................................................................................... 174
Agressividade por dominância...................................................................................................... 175
Agressividade por medo................................................................................................................ 178
Agressividade transferida.............................................................................................................. 180
Outras causas para agressividade.................................................................................................. 181
Brigas entre cachorros desconhecidos.......................................................................................... 182
Brigas entre, cachorros da mesma casa......................................................................................... 186
Separar brigas................................................................................................................................ 192
Latir em demasia........................................................................................................................... 194
Latidos topem ser úteis.................................................................................................................. 195
Elimine as causas do comportamento........................................................................................... 195
Não ensine o que você não quer.................................................................................................... 196
Punição despersonalizada para evitar latidos na sua ausência...................................................... 197
Boa vizinhança.............................................................................................................................. 198
Coleiras antilatidos........................................................................................................................ 198
Utilize a força das recompensas.................................................................................................... 199
Problemas do cão em relação as pessoas............................................................................................... 201
Problemas de comportamento quando você não está em casa...................................................... 202
Os cães têm imaginação e criam delírios...................................................................................... 202
Cães mimados sofrem mais........................................................................................................... 203
Outras maneiras de diminuir a ansiedade causada pela separação............................................... 205
Chorar à noite................................................................................................................................ 205
Conforte o animal.......................................................................................................................... 207
A ansiedade é o problema............................................................................................................. 207
Não recompense comportamentos indesejáveis............................................................................ 207
Punições despersonalizadas podem ajudar.................................................................................... 208
Pular nas pessoas........................................................................................................................... 209
Vocês é que são os "culpados"...................................................................................................... 209
Recompense-o com atenção somente quando não pular............................................................... 210
Cuidado para não confundi-lo....................................................................................................... 211
Morder as pessoas como forma de brincar.................................................................................... 212
Eduque-o desde o começo............................................................................................................. 213
Tentativas de copular com pessoas e outros cães.......................................................................... 214
Ciúmes em relação a pessoas ou outros cães................................................................................ 215
Como lidar com o problema.......................................................................................................... 217
Cuidado com punições e privações seletivas................................................................................ 217

Problemas do cão em relação à casa..................................................................................................... 219
Cavar o jardim............................................................................................................................... 220
Elimine as causas.......................................................................................................................... 220
Quando e como puni-lo................................................................................................................. 221
Subir nos móveis........................................................................................................................... 222
A arte de despersonalizar punições............................................................................................... 223
Deixe a situação bem clara para seu cão....................................................................................... 224
Roer as coisas................................................................................................................................ 225
Não permita que o comportamento se torne um vício.................................................................. 226
Deixe os brinquedos ainda mais interessantes para o seu cão...................................................... 226
Supervisione o comportamento dele e puna-o quando necessário................................................ 227
Problemas do cão relacionados ao ato de comer.................................................................................. 229
Roubar comida.............................................................................................................................. 230
O próprio ato se auto recompensa................................................................................................. 230
A punição deve ser relacionada com o fracasso da intenção........................................................ 231
Pedir comida quando você está comendo..................................................................................... 232
Não o recompense por comportamentos que você quer eliminar................................................. 232
Comer fezes de outros animais..................................................................................................... 233
Soluções........................................................................................................................................ 234
Comer as próprias fezes................................................................................................................ 235
As soluções para esse problema.................................................................................................... 236
Problemas com o cão na hora do passeio.............................................................................................. 239
Puxar a guia................................................................................................................................... 240
Há motivos para seu cão puxá-lo, pelo menos ele acha que sim.................................................. 240
A importância do equipamento correto......................................................................................... 241
O treinamento propriamente dito.................................................................................................. 242
Outros equipamentos que auxiliam o adestramento...................................................................... 243
Assim seu cão entenderá que não adianta puxar!.......................................................................... 243
Correr para a rua (e o perigo de ser atropelado)............................................................................ 244
PARTE FINAL
Curiosades............................................................................................................................................... 247
Comportamentos........................................................................................................................... 247
Por que o cão cheira o rabo dos outros?........................................................................................ 247
Mitos......................................................................................................................................................... 248
O cão precisa aprender a tacar para não atacar?............................................................................ 248
Cães preferem ficar apertados dentro da casa (com as pessoas) ou livres no quintal (sozinhos). 248
Deixar o cão preso é uma boa maneira de “fabricarmos” um cão-de-guarda?............................. 249
É preciso repetir várias vezes para que o cão aprenda?................................................................ 249
Capacidades............................................................................................................................................. 250
Inteligência dos cães..................................................................................................................... 250
Órgãos sensoriais.................................................................................................................................... 251
Visão............................................................................................................................................. 251
Olfato............................................................................................................................................. 252
Audição......................................................................................................................................... 252
Interações especiais com humanos........................................................................................................ 253
Cães para portadores de deficiência visual................................................................................... 253
Cães para portadores de deficiência auditiva................................................................................ 253
Cães para paraplégicos.................................................................................................................. 253

Bibliografia.............................................................................................................................................. 255
PREFÁCIO
Dra. Hannelore Fuchs
Médica-veterinária e psicóloga Especialista em comportamento animal
Ah, se eu soubesse - lá em 1955, quando me formei como médica-veterinária, e acredito que todo
veterinário deveria saber quando se forma - que exercera medicina veterinária sem sólidos conhecimentos
de comportamento animal não é viável.
O caminho para adentrar a área de comportamento e distúrbios comportamentais caninos até agora
requeria do estudioso pelo menos influência no inglês e poder aquisitivo para perquirição dos inúmeros
livros técnicos, todos em língua estrangeira. Eis que, para minha surpresa, me foi apresentada esta
simpática obra, uma ilha em português, no meio de tantos livros em inglês, francês e alemão, calcada em
leituras e experiências do autor "buscadas, com muito mérito, lá fora".
De utilidade prática e surgido da prática, o livro leva o leitor, técnico ou leigo, a compreender
fundamentos da estrutura social, desenvolvimento e psicologia canina e se tornar "o melhor amigo do
cão", sem perder a liderança. A comunicação ser humano-animal, que apresenta vieses quando nós seres
humanos queremos interpretar a linguagem canina, será facilitada, e muito, se forem seguidas as regras e
dicas apresentadas.
Com clareza e bom humor ensinam-se técnicas básicas e vitais de educação canina, apresentando
princípios de reforço indispensáveis para um convívio harmonioso. As idéias que o autor, baseado em sua
prática e estudos, divide com outros profissionais e pessoas interessadas no assunto dão a oportunidade de
pensar e repensar o cão e todos os seus momentos evolutivos, a fim de abrir novas propostas
educacionais.
Merece louvor a parte dedicada aos problemas comportamentais. De forma simples, ela oferece
subsídios iniciais para lidar com esse assunto e desfaz muito das crenças antigas de como e quando
intervir.
A partir deste trabalho muito poderá ser feito: haverá um entendimento melhor do porquê de
determinados comportamentos, haverá a possibilidade do veterinário, do criador, do adestrador e do
proprietário se unirem para construir uma ponte que integre o cão de maneira satisfatória na matilha
humana.
O esforço e o ideal que nortearam esta obra serão de serventia a todos nós.
INTRODUÇÃO
Este livro é destinado às pessoas que gostam de animais e estão procurando melhorar o
relacionamento com seu cachorro. Trata-se de uma ferramenta valiosa para que você se aproxime do
universo canino e possa se comunicar com seu cão de uma maneira que ele entenda. Obediência e
respeito são obtidos através de consideração e dignidade, mas somente boas intenções não bastam,
portanto aprenda a falar a língua dele! O convívio com um cão adestrado é, sem dúvida nenhuma, mais
prazeroso, fazendo com que o animal e seu dono se sintam muito mais felizes.
Uma das grandes motivações que me levaram a escrever este livro foi a experiência que adquiri
atendendo proprietários que me traziam seus animais "problemáticos". Nessas consultorias, notei que
raramente os animais apresentavam verdadeiros desvios de comportamento: o que havia, realmente, era
uma grande falha de comunicação entre as duas espécies, e a minha tarefa prioritária era "apresentar" o
cão ao seu proprietário. Para estender a um número bem maior de lares a ajuda que presto pessoalmente,
decidi passar para o papel os conhecimentos que fui acumulando em anos de prática, sem deixar de lado a
base teórica que procuro manter sempre atualizada. A intenção deste livro é mostrar como o cão
"raciocina", sente e reage diante das diversas situações que se apresentam no seu dia-a-dia em contato
com os homens, e de que maneira o dono deve agir para ser compreendido por seu cão a fim de tornar a
convivência entre pessoas e animais ainda mais agradável.
As técnicas descritas neste livro são o que há de mais eficiente para o condicionamento de
animais, podendo ser aplicadas a praticamente qualquer espécie domesticável, embora estejam
direcionadas para cães. São técnicas que, por tratar o animal com respeito, já formaram, e estão formando,

campeões em diversas modalidades de competição canina.
As primeiras quatro partes em que o livro foi dividido devem ser lidas obrigatoriamente para um
entendimento global da obra. A quinta parte destina-se a auxiliar o leitor a resolver problemas específicos
de comportamento e pode ser consultada conforme surgir a necessidade, embora sua leitura prévia possa
prevenir tais problemas.
A parte final relata curiosidades do mundo canino, desde o esclarecimento de mitos a interações
especiais com humanos, podendo ser lida a qualquer momento.
Desde que o leitor tenha tempo, é preferível uma primeira leitura completa, bastando depois
consultar qualquer parte ou capítulo isolado quando tiver dúvidas. Para facilitar a localização do item
desejado, o livro está dividido em subtítulos e, além disso, no início de cada capítulo há uma lista com os
tópicos principais e, no final, um resumo para a aplicação prática do que foi apresentado.
Curta seu cão!
Alexandre Rossi
e-mail: rossi@adestramentointeligente.com.br
www.adestramentointeligente.com.br
PRIMEIRA PARTE
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Quatro conceitos fundamentais formam a base de um convívio harmonioso entre o seu cão e você,
além de assegurar um adestramento correto:
ƒ a matilha: para o cão, a família humana é um conjunto de cachorros;
ƒ o amor incondicional: o cão deve sentir que gostamos dele independentemente do que posas
fazer;
ƒ a troca: a obediência do cão deve ser recompensada;
ƒ a atenção: se o cão estiver atento, aprenderá com mais profundidade, eficiência e rapidez.
A MATILHA
Os cães não são só companheiros, protetores e diversão para nossas crianças. São animais
predadores que vivem em matilhas e possuem uma complexa organização social.
Se entender e respeitar essa organização, o resultado será felicidade e bem-estar reinando entre
você e seu grande amigo.
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Que, para o cão, sua família é a matilha.
¾ Que o cão só vai respeitá-lo se você for o líder dessa matilha.
¾ Como se tornar o líder.
¾ Que a violência deve ser evitada.
O CÃO FAZ PARTE DE UMA MATILHA
A primeira lei do adestramento, e também do convívio entre cães e humanos, exige que você
compreenda a realidade do cão. Ele não é gente. É um ser que pertence à matilha e possui ainda todos os

instintos de sobrevivência, proteção e afeto de que seus antepassados necessitaram para sobreviver como
espécie.
DESENTENDIMENTOS
Sem a consciência de que somos diferentes, entramos em disputa com os cães e acabamos ficando
nervosos ou frustrados com suas reações. Esperamos que os cães queiram o que queremos, que sintam
como nós sentimos e, ainda pior, que pensem como nós pensamos.
Suponha que, ao alimentar seu cão, ele comece a rosnar para você. Isso imediatamente o deixa
transtornado, pois você interpreta isso como ingratidão e, além de não se sentir amado, sente-se
ameaçado. Nós nos comportamos e reagimos de maneira diferente da dos cães quando amamos. Se
esperarmos que os cães se comportem como humanos, seremos vítimas de sérios mal-entendidos.
Ficaremos muito frustrados e não usaremos nosso tempo para entender pacificamente as diferenças que
existem entre homens e cães.
Entender como funciona uma matilha não lhe dá apenas uma nova e crucial compreensão sobre o
cachorro, mas também uma visão diferente de como ele deve ser treinado. Os valores dos cães são
diferentes dos nossos, e é pelo conhecimento deles que percebemos os erros mais comuns ao educar e
adestrar os cães.
22
PAPEL DO LÍDER
Os cães, na matilha, necessitam de um líder, um cão que graças às suas, habilidades conduza os
demais. Inúmeras regras são impostas por ele ao grupo. A marcação do território, por exemplo,
geralmente cabe ao líder da matilha; portanto, quando o nosso cãozinho sair pela casa urinando,
provavelmente estará disputando a liderança ou acreditando que é o líder da matilha.
O líder da matilha, felizmente, impõe respeito por sinais e atitudes, e a briga só em último caso é a
forma de disputa pela liderança. Isso ocorre por uma razão muito importante: quando os cães brigam
realmente, eles se machucam, e qualquer membro da matilha debilitado diminui as chances de
sobrevivência do grupo. O tempo todo os animais recebem e passam informações uns aos outros a
respeito de quem é o líder e de quem é o subordinado. Se eles, por milênios, agem assim para estabelecer
a ordem, teremos mais sucesso se fizermos a mesma coisa. Como conseguir isso? Neste capítulo explicaremos como se tornar o líder da matilha sem empregar a violência ou machucar seu cão.
23
A HIERARQUIA É OBRIGATÓRIA
Muitas vezes, passamos inconscientemente ao cão a informação de que ele é o líder da matilha, e
quando ele age como tal ficamos transtornados e aborrecidos. Não é justo não gostarmos do nosso cão por
ele ter agido de acordo com a educação que recebeu de nós mesmos. Há um ditado que diz: "Cada pessoa
tem o cachorro que merece". É uma verdade expressa pela sabedoria popular, pois nós influenciamos de
tal maneira o meio ambiente e as atitudes de nossos cães, que praticamente tudo que eles aprendem é
resultado direto ou indireto de nossa maneira de tratá-los.
Se quiser ser respeitado por seu cão, você pode escolher um método que lhe pareça interessante e
tentar impor isso ao animal, ou pode utilizar um método que faça sentido para ele. É claro que o segundo
método é bem mais eficaz, mas depende de um conhecimento muito maior sobre cães. Por exemplo, um
método bastante popular é bater no cão quando ele faz algo errado. Acontece que, para ele, uma pancada
significa ataque ou convite para brincar, e nenhuma das alternativas corresponde ao que você gostaria de
lhe comunicar.
Para os cães a hierarquia é obrigatória, todos os cães sabem exatamente o lugar que ocupam na
ordem dentro do grupo. Cada posição e cada atitude têm significado para os outros cães. Essa linguagem
canina é natural e importante para eles. Se o filhote for separado da mãe e dos irmãos muito cedo (antes
de sete semanas), a linguagem não se tornará natural, o que vai criar problemas para o animal no convívio
com outros, além de fazer dele um cão mais difícil de ser treinado.
24
LINGUAGEM CANINA
Os cães se testam continuamente para saber quem é o líder. Como dissemos antes, não é
necessário que briguem para estabelecer o domínio. A liderança é assegurada por atitudes e posições que

formam a linguagem canina. A seguir daremos alguns exemplos da linguagem usada pelos cães e seus
significados.
1. Um cão pode rosnar e ameaçar brigar até que o opositor saia de perto, corra ou fique numa
posição que queira dizer "ok, você é o chefe". Esse é o sentido que têm as posições vulneráveis que
permitem ao vencedor fazer o que quiser, inclusive tirar a vida do subordinado. Existem duas posições
clássicas: ou o animal vencido se deita com a barriga virada para cima (expondo a parte frágil da barriga)
ou se curva mostrando a nuca (que também é frágil). Em ambas as posições as orelhas ficam coladas à
cabeça (ou para trás) e a ponta da língua permanece fora da boca.
2. Ou pode andar todo esticado em torno do oponente, com a cauda erguida e o pêlo arrepiado Isso
significa: "Sou líder!" Se o outro aceitar o domínio, irá assumir uma posição de submissão; se não aceitar
a hierarquia proposta, irá partir para a briga até que haja um vencedor que submeterá o outro.
25
COMO FAZER USO DA LINGUAGEM CANINA
Às vezes, ladrões são encontrados vivos em casas protegidas por cães ferozes que deixaram de
atacar os invasores assim que esses se curvaram ou deitaram no chão e não se mexeram mais. Por sorte,
os ladrões ficaram numa posição de submissão diante dos cachorros, para quem a disputa perdeu o
sentido. Se esses ladrões tivessem tomado outra atitude poderiam ter morrido na ocasião. É claro que este
não é um manual para ladrões, com truques de como assaltar uma casa, mas todas essas reações e
comportamentos se mostram importantes para transmitir um sentimento de domínio e confiança ao
animal. Por exemplo, quando o seu cachorro estiver aterrorizado com raios e trovões em meio a uma
tempestade, estufar o peito e andar firmemente significa que você tomará conta da situação. Isto o
acalmará. Se você, em vez disso, se abaixar e acariciar o cachorro, poderá amedrontá-lo ainda mais, pois
na linguagem canina estará passando o comando para ele e mostrando que também está com medo.
Entender a matilha e o comportamento de seus membros também auxilia o treinador a aumentar a
confiança de cães excessivamente submissos e corrigir comportamentos decorrentes disso. Um cão
excessivamente submisso costuma urinar e virar de barriga para cima toda vez que seu dono chega em
casa ou fala com ele.
26
Nessas circunstâncias, a pior maneira de lidar com o problema é gritar com esse cão ou dar uma
surra nele por urinar. Ele já está mostrando sinais de submissão e, se você gritar, isso significará que a
mensagem que ele transmitiu ainda não está clara. Isso o levará a urinar mais ainda ou sair correndo...
O conhecimento de cada expressão corporal do seu cão auxilia incrivelmente a determinar a
eficiência da punição, da recompensa e a prevenir ataques.
LIDERANÇA
Desde filhotes, os cães já demonstram disposição para disputar a liderança do grupo, e as
brincadeiras são fundamentais. É através delas que o cãozinho desde logo percebe como controlar a força
de suas mordidas, aprende a se comportar, a brincar e a disputar.
Os líderes das matilhas geralmente indicam o rumo aos demais caminhando à frente. É possível
distinguir logo cedo o cãozinho com maiores chances de ser líder pois, para onde ele vai, os outros o
seguem.
QUEM É O LÍDER DA MATILHA
Ser o líder da matilha significa estabelecer as regras.
Qualquer pessoa que tenha um cão e queira morar numa casa que não funcione de acordo com padrões
caninos, terá todo o interesse em estabelecer as regras. Para isso, paradoxalmente, precisará se comportar
como se fosse o líder da matilha.
Ao contrário do que muita gente pensa, o líder da matilha costuma ser o membro mais querido do grupo.
É impressionante o carinho e a alegria demonstrados pelos cães quando o líder os agrada, ou quando volta
de uma caçada ou de algum passeio. Se você conseguir ser o líder do seu cão, ele o respeitará mais e
gostará mais de você.
27 PARA NOSSO CÃO NÓS SOMOS CACHORROS
Para o cão, a nossa família é a matilha à qual ele pertence. É isto mesmo, para ele, nós também
somos cachorros! Ele tentará descobrir qual a posição que ocupa entre os membros da família. Mesmo
que goste muito das pessoas, se o seu cão acreditar que poderá liderar a matilha, irá disputar o poder com
você de inúmeras formas, a maioria delas superdesagradáveis! Carinho e afeto para ele não impedem
disputas pela hierarquia. Ser o líder da matilha significa proteger os demais membros e impor as regras
para que a matilha prospere. Podemos observar dois cães se lambendo e mostrando afetividade não muito
depois de terem disputado a liderança a mordidas.
LIDERANDO COM VIOLÊNCIA
Uma das maneiras do cão aprender é por imitação, por isso, se uma pessoa conseguir impor
respeito ao seu cão pela violência, provavelmente fará com que esse cão imite a sua técnica para obter
respeito ou, quem sabe, chegue um dia a disputar violentamente com ela a posição de liderança. Alguns
fortões riem, incrédulos, quando são informados de que seu cão poderá disputar algo violentamente com
eles, pois dizem que o cachorro não terá a menor chance. Nisso talvez estejam certos, mas o que
acontecerá se o cachorro for mostrar o que aprendeu para os filhos do doutor Fortão ou para qualquer
outra pessoa não tão vigorosa e agressiva?
Uma pessoa que grita com o seu cão ou bate nele é um péssimo líder, pois só consegue sua
posição por meio de ameaças e agressões. Cães que recebem esse tipo de tratamento adquirem seqüelas
graves que dificultam muito o adestramento e, às vezes, tornam-se perigosos ao redirecionar sua
agressividade para alguém
28
da casa que não consiga dominá-los. Um cão que é submetido com o uso de violência aprende que é
assim que as regras são estabelecidas. Por isso, não devemos culpar nosso cão por sua agressividade
quando é tratado violentamente, pois está simplesmente seguindo nosso exemplo.
Existem inúmeras maneiras de nos tornarmos líderes de nossos cães sem praticar nenhuma
violência. Qualquer tipo de agressão contra o animal atrapalha o condicionamento e altera negativamente
seu padrão de comportamento. A violência não é uma maneira eficiente de se comunicar com seu cão ou
de puni-lo.
ANDE NA FRENTE
Como o líder geralmente anda à frente, a maioria dos cães procura ocupar essa posição. Modificar
esse comportamento já é uma boa maneira de controlar a escalada da hierarquia pelo seu cão. Mas como
fazer isto? É muito fácil, simplesmente engane o seu cachorro algumas vezes, finja que vai para um lado,
vire para o lado oposto e saia andando; quando ele ultrapassá-Io novamente, vire para o outro lado, e
assim por diante. Não demorará muito para que ele desista de andar à frente e passe a prestar mais
atenção a seus movimentos. Pronto, não doeu nada e, por incrível que pareça, esse cachorro já estará em
melhores condições de ser educado e treinado. O mesmo cuidado deve ser tomado ao passar por portas ou
portões: sempre conduza seu cão. Algumas pessoas ficam impressionadas com o fato de seu cão
magicamente deixar de fazer xixi pela casa ou de parar de morder as visitas, simplesmente por terem exigido que ele esperasse que elas passassem em primeiro lugar. De mágica isso não tem nada. O fato é que,
ao restaurar o domínio, automaticamente outros comportamentos foram alterados, como o da demarcação
de território.
29
INVERTA A SITUAÇÃO
Quando o seu cão latir ou pedir de alguma maneira que você o alimente, leve-o para passear ou
qualquer outra coisa; se você o satisfizer imediatamente, estará obedecendo as ordens dele, e ele
interpretará isso como uma prova de que ele é o líder do grupo. Por isso, não entenderá nada quando for
corrigido ao demarcar o seu território, ou ao decidir quem entra ou não na sua casa. Não é preciso fazer
seu cão passar fome, nem deixar de ir passear com ele para resolver esse problema. A situação é invertida
simplesmente se comandarmos algo ao cachorro antes de fazer o que ele está esperando. Qualquer
comando serve, mas para cachorros mais mandões é aconselhável algo como o comando "deita", pois um
simples "senta" ou então "dá a pata" não se mostram suficientemente eficazes. O que fazer se ele não
obedecer? Ignore-o completamente e não faça o que ele quer ou está esperando. Resultados surpreendentes podem ser obtidos com essa técnica. Mas é importantíssimo que não haja nenhum tipo de
correção ou castigo caso o cachorro não o obedeça. Lembre-se de que o tom de voz ao dar o comando
deve ser normal; não é necessário falar alto. A audição dos cães é muito superior à nossa e seu cachorro
terá todo o interesse em obedecê-lo, caso contrário, além de não conseguir o que quer, será ignorado por
seu querido dono.
Alguns cães recusam-se a executar comandos, abrindo mão até de alimento como forma de testar a
liderança. Mais cedo ou mais tarde, porém, eles se convencem de que você é o líder e de que a
sobrevivência deles depende de você.
30
GANHE RESPEITO E DÊ BONS EXEMPLOS
A questão da liderança é importantíssima para o treinamento. Ser um líder não é ;tão difícil, mas
ser um ótimo líder demanda treinamento, conhecimento e atenção. Quanto mais respeito e mais carinho o
seu cão sentir por você, mais fácil e mais prazeroso será o adestramento. Ele terá todos os motivos do
mundo para querer obedecê-lo.
Um líder perfeito só passa bons exemplos aos seus subordinados e não exige respeito - ganha-o.
Infelizmente, boas intenções não bastam, portanto não aconselho que se brinque com a boca do
cachorro ou se permita que ele a use para disputar algum objeto com você, fazendo cabo-de-guerra. Se
você ou qualquer pessoa estiver do outro lado do brinquedo, embora o que se tenha em mente seja um
divertimento, poderá estar incentivando o cão a utilizar a boca e a disputar fisicamente com quem estiver
na outra extremidade. Quando o cachorro brinca de mordê-lo, adquire confiança e aprende a usar sua
arma (boca) contra você. Quando brincamos de puxa-puxa, para o cachorro isso pode ser uma disputa de
liderança, e ele a ganha cada vez que sai com o objeto na boca. Pode parecer inofensivo, mas, se ocorrer
algum problema ou disputa na hierarquia, alguém poderá sair machucado. Se não estiver disposto a parar
ou evitar essas brincadeiras, pelo menos tenha certeza de que será você quem sairá vencedor e não seu cachorro. Devemos ganhar, sempre, qualquer disputa física.
E por último, quando seu cão se comportar ou mostrar submissão, elogie-o. Assim, além de
mostrar que você é o líder, dará a ele o prêmio de receber atenção ao deixar que você ocupe essa posição.
31
APLICAÇÃO DA LEI DA MATILHA:
1. Seja o líder da matilha.
2. Ganhe respeito e não o exija.
3. Faça o seu cão merecer o que quer e o quem precisa: peça-lhe para executar algum
comando simples antes de receber comida, sair para passear, ou quando quiser que você abra a porta
para ele, etc.
4. Caminhe na frente do seu cachorro e passe sempre antes dele por portas e portões.
5. Nunca grite ou bata em seu cachorro.
6. Jamais deixe que ele ganhe qualquer disputa física. Se você tiver que segurá-lo, qualquer
não o solte se ele espernear ou mordê-lo. Só o solte quando você decidir, e de preferência quando ele
parar de espernear.
7. Não deixe que ele o morda, nem de brincadeira, e evite as disputas de cabo-de-guerra.
8. Não o machuque e nem o enforque.
9. Elogie a submissão dele a você e aos demais membros de sua família.
32
AMOR INCONDICIONAL "A inteligência da natureza opera pela lei do mínimo esforço, sem ansiedade, com harmonia e amor."
Deepak Chopra
Quando utilizamos a força da harmonia, da alegria e do amor atingimos resultados surpreendentes.
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Que o amor e o adestramento caminham juntos.
¾ Que o comportamento do cão depende da coerência do adestramento.
¾ Que se deve punir a atitude errada e não o cão.
¾ A não deixar o cão associar a punição à pessoa.
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AMOR E ENTENDIMENTO
Se realmente amamos nossos cães, devemos procurar entendê-los. Se nós não tivermos essa
capacidade, como esperar que eles nos entendam se possuem apenas uma fração de nossa inteligência?
Muitos conflitos ocorrem entre humanos e cachorros por simples desentendimento. Quanto mais
estudarmos os cães e seu meio de comunicação, melhor será nosso entendimento e maior o nosso amor
por eles. Quanto melhor for nossa comunicação, maior será a harmonia e menor o estresse dessa relação.
Nós devemos evitar a qualquer custo decepcionar o nosso cão afetivamente. Estudos mostraram
que, quanto mais o seu cão amá-lo, melhor e mais rápido será seu condicionamento. Quanto maior a
confiança e o amor pelo seu dono, menor será a sua ansiedade e maior será a vontade de fazer certo!
COMPORTAMENTO
Quem já teve a oportunidade de observar o comportamento do cão em relação a alguém que
utilizou essas técnicas fica impressionado com a disposição que esses animais apresentam para obedecer.
Quando as coisas fazem sentido para o seu cão, a vontade dele de pensar e de vencer desafios vai
crescendo, e é a partir daí que o adestramento deslancha e o cão passa a realmente a adorar o treinamento.
Os cães se sentem muito confusos quando são reprimidos ao agir de acordo com um tipo de
informação que receberam antes. Se levam broncas sem realmente entender a razão disso, tornam-se cães
ansiosos e sem vontade de enfrentar o desafio que representa acertar.
Devemos ter um cuidado enorme para não ensinarmos ao filhote coisas que não queremos que
faça quando crescer (ficar adulto). Para o cão é muito confuso e estressante ser reprimido por apresentar
um comportamento que lhe foi ensinado, durante meses, pelo
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próprio dono. Ao levantarmos um filhote, colocando-o no sofá e acariciando-o, nós o estamos treinando
para subir no sofá e, quando ele ficar maior, talvez não queiramos mais que ele faça isso. Essa mudança
brusca poderá atrapalhar a relação que temos com nosso cão.
PUNIÇÃO
Você deve estar questionando agora esse tal de amor incondicional, talvez esteja dizendo que é
bonito na teoria, mas na prática é necessário reprimir o cão. É muito complicado para nós imaginar que
seja possível deixar de lado as broncas durante o treinamento do cão ou que elas sejam negativas para seu
adestramento. De fato, não podemos deixar de controlar e reprimir todas as atitudes negativas dos cães. A
diferença é que faremos isto inteligentemente, levando em conta a psicologia canina. Para cada comando
e para cada problema de comportamento indicaremos a melhor forma de correção sem que a relação com
seu cachorro corra risco de se deteriorar, o que poderia acontecer com reprimendas desnecessárias.
Devemos reprimir a atitude e não o cão. Isto significa que, assim que o cachorro desistir da atitude
indesejável,
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mesmo quando provocado, o amor e o carinho devem ser os mesmos de antes, como se o erro nunca
tivesse acontecido. Independentemente do que ele faça, você deverá mostrar que o ama. Como dissemos
anteriormente, quanto mais o cachorro amá-Io, mais fácil será seu treinamento, e não ganhamos pontos
brigando ou repreendendo nosso cão.
Muitas punições necessárias podem ser disfarçadas, para que o cão não as relacione com você. Ele jamais entenderá que tanto o ato de aceitar um pedaço de carne atirado por um estranho como o de atravessar a rua para pegar uma bola podem matá-lo. Por isso, seria incompreensível para o seu cão se você
ficasse bravo com ele por ter feito essas coisas. Algumas vezes é muito difícil não deixar o cão perceber
que você está por trás da punição, mas iremos ensinar as melhores maneiras de punir seu cão, sem que ele
perceba que é você que o está fazendo.
As broncas não são negativas apenas pelo fato de que se perdem pontos na relação com o
cachorro, mas também porque muitas vezes o cachorro está querendo atenção, e mesmo uma atenção
negativa pode ser vantajosa para ele. Quando isto acontece, e acredite, acontece o tempo todo, ao invés de
o estarmos educando, estamos deseducando. Se saímos gritando atrás de um cão quando ele faz xixi pela
casa, teremos dado a ele a atenção desejada. Da próxima vez que esse cão quiser atenção, ele repetirá o
ato e será bem-sucedido novamente.
As melhores correções são aquelas feitas de tal forma que seu cão acredite que foram aplicadas
por "Deus" e nas quais você não teve participação nenhuma.
Atenção: Toda e qualquer punição deve ter o objetivo de inibir o ato e nunca o de ser represália ou
vingança! Assim que se atinge o objetivo, a punição deve cessar como se jamais tivesse existido.
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TREINAMENTO SEM TRAUMAS
Cada comando e cada aprendizado carregam consigo muitos significados que ficarão como
lembranças no subconsciente. Do mesmo jeito que um professor pode nos fazer adorar ou odiar alguma
matéria, o adestrador pode fazer o cão adorar ou odiar o comando. É claro que nosso objetivo é fazer com
que o cão responda r nossos comandos o mais prazerosamente possível, e para isto devemos tomar uma
série de cuidados desde a primeira lição.
Qualquer fator negativo durante o aprendizado contribuirá para uma resposta menos eficiente e
para a má vontade do seu cão em efetuar o comando, já que subconscientemente ele vai relacionar o
comando com os fatores do aprendizado.
Quando Dennis Fetko, na minha opinião um dos melhores e mais eficientes adestradores, veio
para o Brasil no final de 1997, durante sua preleção pediu para a platéia um cachorro totalmente
destreinado e o ensinou em menos de cinco minutos a andar junto com ele. A platéia ficou impressionada,
pois o cão, além de andar junto, parava, corria e andava devagar, acompanhando perfeitamente o
condutor. Dennis durante os cinco minutos que ficou com o cachorro não o corrigiu nenhuma vez, não
gritou "junto" e nem deu tranco na coleira; para dizer a verdade, mal olhou para o cachorro. Dennis
variava o comprimento da guia constantemente e andava como uma barata tonta. Em pouco tempo o
cachorro percebeu que a única maneira de evitar os puxões da coleira (mais parecida com uma fita) era
observar atentamente Dennis e caminhar exatamente na mesma velocidade.
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COLOCANDO EM PRÁTICA A LEI DO AMOR INCONDICIONAL
1. Nunca reprima o cachorro e sim a atitude, isto quer dizer que, assim que ele deixar de
come ter o erro, mesmo quando provocado, deverá receber todas as demonstrações de amor e carinho,
como se ele nunca tivesse errado antes.
2. Planeje as punições para que seu cão não as relacione com você. Por exemplo, coloque
alguma substância amarga no pé do sofá para que o gosto ruim seja a punição, e não uma
chinelada aplicada por você.
3. Evite que seu cão relacione qualquer coisa desagradável com o aprendizado, como, por
exemplo, apertar a traseira ou sufocá-Lo com o enforcador para que ele se sente. Além de desagradáveis,
essas atitudes estão diretamente relacionadas a você.
4. Aprenda a ignorar seu cão como forma de punição. É uma ótima maneira de fazer seu cão
valorizar ainda mais sua presença e uma atitude muito eficiente para controlar o comportamento.
5. Atenção: Amor incondicional não significa mimar seu animal ou garantir-lhe direitos
iguais aos seus. Cães mimados não respeitam o dono, o que também ocorre com os animais que têm os
mesmos direitos que os outros membros da casa, como dormir na sua cama ou na de seus filhos, etc.
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A TROCA
O condicionamento opera por meio de trocas positivas do ponto de vista do condicionado e não do condicionador.
Devemos desenvolver a capacidade de observar o que é realmente para o nosso cão uma troca
positiva e o que não é, em cada situação. Só assim poderemos condicioná-lo eficazmente.
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Que a recompensa é fundamental para o sucesso do treinamento.
¾ A escolher os objetos de troca.
¾ A valorizar as recompensas.
¾ Quais as alternativas quando não tiver nada a oferecer
¾ A não alternar recompensas em retribuições negativas diante de situações semelhantes.
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TIPOS DE TROCA
Devemos ter em mente que, se quisermos modificar ou controlar o comportamento do animal
através do treino, será sempre necessário haver uma troca interessante para o cão. Quando digo
interessante, é algo que valha a pena para o seu cão, justificando a mudança de atitude pelo prêmio ou recompensa.
Você deve estar se perguntando se, criado o hábito de receber algo em troca, o seu cão só
obedecerá quando você tiver algo para lhe dar. É mais ou menos a esse ponto que quero chegar: um condicionamento não é possível se não houver um estímulo significativo - positivo ou negativo -, isto
significa que o cão aprenderá na base de troca e se comportará de acordo com o esperado na expectativa
da troca, mesmo que às vezes ela não se dê.
Muitas pessoas acreditam que seu cachorro as obedecerá simplesmente em troca de um afago, ou
mesmo de uma palavra carinhosa. Há cães para quem esse tipo de recompensa é suficiente, seja por
valorizarem muito seu dono ou por sua própria índole, mas a verdade é que são muito mais freqüentes as
situações de donos que imaginam que um carinho será suficiente, quando isso, naquele caso, não é
verdade.
OBJETOS de TROCA
Podemos utilizar como reforço inúmeros artifícios; geralmente os melhores são os que já são
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considerados distração para o seu cão, como brinquedos, passeios, andar de carro, etc.
Uma boa troca para um cachorro que puxa a coleira para ir passear de carro seria, quando ele obedecesse o comando de deitar e esperar, dar-lhe a recompensa do passeio de carro.
Alguns reforços funcionam bem em certas condições, como, por exemplo, no espaço do seu
quintal, mas não funcionam tão bem quando o seu cão está solto no parque. Nesse caso, temos duas
opções: uma, a troca do reforço por alguma coisa ainda mais interessante para o cão; outra, não soltá-lo
durante as primeiras aulas do treinamento para diminuir tanto a ansiedade do cachorro quanto a
possibilidade de ele se distrair.
Petiscos costumam ser o reforço universal, já que são poucos os cães que não adoram esse tipo de
recompensa.
Muitas pessoas são contra os petiscos como reforço para o treino, assim como qualquer outro tipo
de comida, pois apresentam algumas desvantagens:
¾ Só funcionam bem quando o cão está com fome.
¾ Você será obrigado a carregar petiscos grande parte do tempo.
¾ Deve-se tomar cuidado para não desbalancear a dieta do animal.
Eu prefiro não utilizar petiscos mas, nos casos de cães que não adoram algum objeto em especial
ou não se satisfazem somente com um afago, petiscos são sempre uma boa saída.
Os objetos, como recompensa, possuem várias vantagens sobre a comida, já que não
desbalanceiam a dieta e não nos obrigam a estar sempre carregando um saquinho de petiscos, mas, por
outro lado, assim que damos o objeto para o cão, temos que pegá-lo de volta, e isso às vezes é
complicado, pois o cão pode começar
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brincar de cabo-de-guerra ou, ainda, sair correndo para atrair sua atenção. cabo-de-guerra. Se o objeto for
a recompensa, como poderemos condicionar o cachorro a largá-lo? Primeiramente devemos ter certeza de que o cão ficará próximo o bastante para conseguirmos recuperar o objeto. Caso haja a possibilidade de o
cão fugir (brincar de pega-pega), amarre-o antes de dar-lhe o objeto e puxe a corda em sua direção depois
da entrega, até que o objeto fique ao alcance de sua mão. Agarre então o objeto e rapidamente ordene ao
cão que o solte, enquanto abre a boca dele. Jamais corra atrás do seu cão se ele estiver fugindo com o
objeto, pois é exatamente o que ele quer, e assim o estaremos recompensando pela desobediência! Fica
assim evidente que cada recompensa tem seus defeitos e qualidades, mas o importante é utilizar um
reforço que valha bastante para seu cão, e aí a própria vontade de aprender valorizará cada vez mais sua
atenção e seu carinho.
DESAFIOS E RECOMPENSAS
Conforme o adestramento for evoluindo, o cão começará a encarar como um desafio conseguir a
recompensa e, a partir daí, o prêmio não terá tanto valor em si mesmo, passando a significar para seu cão
que ele agiu corretamente. Quando se atinge esse ponto, qualquer objeto ou mesmo um afago têm um
enorme valor. É interessantíssimo observar um cão se esfalfando para ganhar uma bola e, assim que a
ganha, ele a devolve ao treinador de livre e, espontânea vontade e se prepara com todo o entusiasmo para
efetuar um novo comando. Existem vários truques e dicas para se atingir esse ponto, e falarei mais sobre a
vontade de vencer o desafio na parte que trata de técnicas de adestramento. Conforme o treinamento feito
na base da troca
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for evoluindo, mais tempo o seu cão será capaz de esperar para receber o reforço e executará os comandos
mais rápida e eficientemente.
O VALOR DA TROCA
Não devemos insistir ou obrigar nosso cachorro a obedecer em troca de qualquer coisa. Assim que
nos dermos conta de que num determinado momento aquela troca não vale a pena para o cão, não
devemos insistir e, sim, procurar uma outra estratégia. Se insistirmos, estaremos diminuindo o valor do
objeto no conceito do cão e retardando o treinamento. Por exemplo, um cão que esteja brincando com
outros na maior excitação pára e responde ao seu chamado imediatamente; quando chega junto de você
ganha apenas um biscoitinho de que ele nem gosta muito - o cachorro acaba de aprender uma lição:
cometeu um erro, não deveria ter vindo dessa vez, pois perdeu vinte segundos de uma superbrincadeira
em troca de um biscoitinho sem graça! É esse o ponto que deve sempre ter em mente: eles estão sempre
aprendendo, lembra-se? Portanto, às vezes, o resultado de uma troca não-satisfatória pode ser um
aprendizado negativo.
COMO VALORIZAR UM OBJETO DE TROCA
Existem técnicas para aumentar o valor do objeto/recompensa para o cão. O ideal seria ter uma
recompensa tão valiosa para o animal que qualquer outro estímulo não o motivaria mais do que a
possibilidade de ganhar o objeto. É possível atingir esse ponto, e nem é tão difícil assim! Uma bola, por
exemplo, já costuma ter um determinado valor para seu cão, mas, se tiver a capacidade de tornar a pessoa
ou o cachorro que estiver com ela o centro das atenções, terá ainda mais valor. Para isso, guarde uma bola
(ou um determinado objeto) e, sempre que achar adequado, ofereça-a para o cachorro
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com o maior entusiasmo; se ele a apanhar, faça carinho nele e demonstre atenção, brincando com o cão
até que ele solte a bola; assim que isso acontecer, apanhe-a rapidamente e brinque você com ela. Caso
haja outros cachorros que gostem da bola (objeto), ela se tornará mais atraente para seu cão, caso
contrário, brinque você com ela, dizendo-lhe coisas, como se estivesse conversando com ela, de certa maneira ignorando seu cão até que ele comece a prestar atenção à bola. Após essa brincadeira, guarde o
objeto para que ele não perca a graça, já que ele deve significar sempre alegria e divertimento. Se a técnica for feita corretamente, logo a bola (objeto) terá um grande valor para seu cão, e ele vai obedecê-lo
com o maior prazer para poder recebê-la.
ALTERNATIVAS PARA A TROCA
E o que se pode fazer quando quisermos que o cachorro venha até nós mas não tivermos nenhuma
troca a altura para oferecer? É simples. Durante o começo do aprendizado evite desapontar o seu cachorro
e aja inteligentemente. Atraia a atenção dele sem que ele perceba que você está querendo fazer isso. Uma
das melhores maneiras é sair correndo em uma direção e fingir que não está ligando a mínima para o seu cachorro. Dificilmente ele deixará de segui-lo e de se aproximar de você depois de alguns segundos.
Cuidado, porque esse truque não funciona quando empregado com muita freqüência! Mais cedo ou mais
tarde o cachorro entende o truque e passa a ser um divertimento para ele enganá-lo ou ignorá-lo. Um
outro caso seria a necessidade de pôr o seu cachorro num lugar de que ele não goste ou levá-lo para fazer
alguma coisa que ele detesta, por exemplo: colocá-lo dentro do canil, levá-lo à cozinha para
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tomar remédio, ao jardim para tomar banho, etc. Jamais o chame! Simplesmente vá até onde ele estiver e
pegue-o, não lhe dê chance de escapar, e assim sempre que pressentir que algo de "ruim" está para
acontecer ele vai se conformar e não vai tentar fugir, pois, se tentar, sabe que vai fracassar. O importante
é não trocar uma obediência ao seu comando por uma coisa desagradável.
RECOMPENSA NEGATIVA
É impressionante o número de pessoas que "treinam" seus cachorros para que não atendam
quando são chamados! Elas geralmente me fazem o mesmo tipo de observação quando vou instruí Ias a
esse respeito: "Meu cachorro tem de vir na hora que eu quero, e não quando tiver uma bola ou um
biscoitinho à sua espera! Ele vai ficar interesseiro".
Vamos imaginar a situação, em primeiro lugar, do ponto de vista do cachorro: "Minha dona me
solta no parque que eu adoro, mas se eu for na direção dela quando ela disser 'aqui' ou 'vem', ou deixar
que ela chegue perto enquanto fala, provavelmente levarei uma bronca e até poderei apanhar. O problema
é que eu fico confuso porque, em casa, quando ela fala 'aqui' e vou até ela, está tudo certo".
Agora, do ponto de vista da dona: ela solta o cachorro, chama-o de volta e ele não vem
imediatamente; daí ela começa a berrar e, assim que pega o cachorro, dá-lhe uma bronca ou bate nele. E
ainda acha que ele aprendeu uma lição. É o tipo de pessoa que optou por um treinamento que faz sentido
para ela mas não para seu cão. Eu sinto pena só de imaginar a confusão na cabeça desse pobre cachorro!
Existem também os animais "malandros", são os cães que entendem o seu chamado, mas também
sabem que o que você tem a oferecer é uma corrente para prendê-los, marcando o final da brincadeira, e nada
mais! Mas, acredite que, se seu cão é malandro, as chances de você tê-lo ensinado a ser assim são enormes.
Um
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cão adestrado corretamente, isto é, com o emprego das quatro leis derivadas dos conceitos fundamentais,
jamais se torna malandro, a não ser que você considere malandragem o cachorro fazer exatamente o que
você quer que ele faça!
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APLICAÇÃO DA LEI DA TROCA
1. Sim, todos nós agimos por amor, respeito e interesse (troca)!
2. A troca deve sempre valer a pena para seu cão.
3. Se o seu cão não mostrar interesse pela troca, suspenda imediatamente o adestramento e
modifique as condições para introduzir alguma coisa mais valiosa para ele.
4. Quando não tiver coisa alguma para trocar, simplesmente não ordene nada! Se você
precisar que ele vá a algum lugar ou assuma uma determinada posição, leve-o ao local ou faça o que deve
ser feito, sem lhe dar a opção de deixar de ou de fazer.
5. Algumas trocas obviamente vantajosas para o cão em casa muitas vezes perdem seu
atrativo quando ele estiver solto ou passeando no parque.
6. O amor e a vontade de obedecer devem ser conquistados aos poucos. Isto não pode ser
imposto!
7. É importantíssimo que o cão sempre obedeça aos seus comandos, independentemente de
você achar que o está subornando e que ele o está atendendo movido por interesse!
8. Não devemos esperar que todos os cães se satisfaçam apenas com carinho.
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A ATENÇÃO
Quanto maior a atenção, melhor e mais rápido será o aprendizado.
Quanto mais seu cão estiver atento a você, mais depressa executará os comandos e mais rapidamente aprenderá novos condicionamentos. Neste capítulo você vai aprender:
¾ Que o grau de atenção depende das técnicas de aprendizado.
¾ Como reforçar a atenção para você ou para um objeto.
¾ A ignorar seu cão como forma de adestramento.
¾ A usar a atenção como um estímulo.
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A ATENÇÃO: CONSEQÜÊNCIA E CAUSA
A atenção que seu cão prestará a você será resultado das outras técnicas descritas anteriormente.
Ao mesmo tempo que é uma conseqüência e um indicativo da boa aplicação das demais técnicas, a
atenção também é causa, provocando um aproveitamento melhor das atividades. Como acontece com nós
mesmos, quanto mais prestarmos atenção, maiores nossas chances de obter sucesso na comunicação. Um
bom exemplo disso são os cães que participam de provas: eles prestam tanta atenção em seus condutores
que nos dão a impressão de que aprenderam a ler em seus lábios.
Imagine por um instante que você é um cão cujo dono, um humano justo, além de entendê-lo,
ama-o independentemente do que você faça e, toda vez em que lhe pede alguma coisa, desde que você a
execute, existe sempre a chance de ele lhe dar em troca o que mais estava desejando. Dá para não prestar
atenção em alguém com essas qualidades? E se essa pessoa, além disso tudo, ainda tiver a mania de falar
baixo, será ainda mais importante prestar o máximo de atenção para não perder nada! Os cães
provavelmente pensam dessa forma em relação aos seus donos.
REFORCE A ATENÇÃO
Existem vários truques para aumentar o grau de atenção do seu cão. De vez em quando falar baixo
é uma delas, outra maneira é ter um comportamento imprevisível; por exemplo, ao passear ou andar pela
casa, mude de direção subitamente, procurando enganar o cão - aqueles que gostam de ir à frente logo vão
começar a prestar mais atenção, já que podem ser enganados quanto ao rumo que seu mestre irá seguir.
Também podemos elogiar o nosso cão quando ele estiver prestando atenção em nós, ou ignorá-lo quando
não estiver.
Uma das maneiras para aumentar o grau de atenção do cão é, ao fornecer o reforço (comida, bola ou
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carinho), fazê-lo de maneira entusiástica e rápida. Por exemplo, se a intenção era fazer o cão sentar e ele
fizer isso, deve-se imediatamente jogar a bola para ele, porque, caso o cachorro não esteja prestando
atenção, é provável que leve um susto ou não consiga pegá-la, o que fará com que fique mais atento da
próxima vez.
O CACHORRO COMO FOCO DA ATENÇÃO
Como nós, os cães também querem que prestemos atenção neles. Quase todos os cães adoram chamar a
atenção, principalmente das pessoas de sua matilha, por isso repetem as coisas que provocam seu dono.
Mesmo a atenção negativa (bronca) muitas vezes aumenta a freqüência com que o cão realiza um
determinado ato. Os cães interpretam nossa disciplina (broncas) como interação, e provavelmente irão
repetir o ato para poder interagir novamente. Animais que vivem em grupos dependem um do outro,
portanto a interação é algo indispensável, fundamental.
Ao evitar chamar a atenção ("dar atenção") do seu cachorro quando ele estiver fazendo algo de errado,
você estará aumentando o amor dele por você, além e estar empregando uma ótima técnica que produz
resultados muito mais eficientes. Neste livro daremos várias dicas de como corrigir manias desagradáveis
de nossos cães sem a necessidade de broncas ou de violência.
O AVISO DA ATENÇÃO
Sei que é difícil imaginar que o cachorro valoriza tanto a nossa atenção, mas pode acreditar que
uma das piores coisas para o, seu cão é ser ignorado. Essa é uma
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técnica valiosa, e, quanto mais prática tivermos em utilizá-la para o adestramento, melhor será o
resultado.
Saber ignorar o nosso cão é uma arte, principalmente devido às suas habilidades naturais para
chamar a nossa atenção. Alguns começam a fazer gracinhas, e é quase impossível não cair na gargalhada; outros fazem caras desoladas, que quebram nosso coração. Independentemente da técnica utilizada pelo
seu cão, é importante não cair no truque, pois o condicionamento irá por água abaixo, a não ser que o
objetivo seja treinar o seu cão a fazer gracinhas ou cara de coitado.
A ATENÇÃO: ESTÍMULO E NÃO LIMITAÇÃO
A atenção tem o poder de estimular determinadas partes do cérebro e inibir outras. Quando um
gato passa na frente do seu cachorro, ele fica tão interessado no gato (prestando atenção) que talvez não o
obedeça. Isto não deve deixá-lo desanimado, pelo contrário. Num estágio avançado da atenção a você, ele
irá valorizar muito a troca que lhe oferecer, seja ela qual for, pois o universo do cão estará girando em
torno de você. A atenção é tanta, que as coisas em volta perdem espaço nos sentidos do seu cão e
conseqüentemente perdem valor. Nessa fase o cão gosta tanto de brincar (adivinhar o que o dono quer),
que impressiona quem estiver assistindo o adestramento.
Adestrar um cão dessa forma não significa que ele vai se tornar um robô e que perderá toda a
naturalidade, mas sim que aprenderá a se comunicar de forma muito mais eficiente com você e terá prazer
em aprender. Quando você não exigir sua atenção, ele será um cão normal, tão natural quanto os outros,
com uma exceção: terá um superdono!
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APLICAÇÃO DA LEI DA ATENÇÃO
1. Considere-a uma conseqüência da aplicação correta das demais técnicas.
2. Lembre-se de que ela é um fator importantíssimo para acelerar o aprendizado.
3. Só dê atenção ao seu cão nas situações positivas e ignore-o quando ele agir errado.
4. Estimule-o a prestar mais atenção em você. Seja carinhoso ou recompense-o de alguma
maneira, simplesmente por ele ficar observando você.
5. Varie a velocidade da entrega do reforço; o cão, não sabendo o momento exato em que
receberá a recompensa, irá prestar mais atenção.
6. Engane-o sobre a direção e o sentido em que vai caminhar. Assim que ele ultrapassá-lo, o
sentido em mude de direção, e aos poucos o cão irá aprender que a única maneira de se sair bem nos
passeios ou nos movimentos dentro de casa será observando você. Procure agir imprevisivelmente.
7. Fale baixo e com animação, isso vai obrigá-lo a prestar atenção em você.
SEGUNDA PARTE:
AS FASES DO DESENVOLVIMENTO CEREBRAL
Nesta parte você vai aprender:
¾ O que se deve fazer para auxiliar no desenvolvimento dos sentidos do filhote.
¾ Qual é a melhor idade para socializar seu cão.
¾ Aquilo que pode torná-lo agressivo.
¾ A idade com que o cão pode começar a receber educação e adestramento.
¾ O que pode ser feito para que o cão se torne um animal equilibrado.
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PERÍODO INICIAL - DO NASCIMENTO ATÉ O 50ª DIA
Os filhotes devem ficar com a mãe e os irmãos neste período, pois, a partir do 21° dia até o 50Q dia, eles
aprendem a lidar com outros cães, seja brincando ou brigando, e a aceitar a disciplina imposta pela mãe.
Os animais que são removidos da ninhada antes do fim deste estágio têm mais dificuldade para se
relacionar com outros cães, são mais agressivos, apresentam problemas para cruzar e respondem pouco ao
treinamento.
Nesta fase podemos auxiliar no desenvolvimento dos órgãos sensoriais. Massageá-los, deixar o
rádio ligado em baixo volume ou, ainda, não deixá-los totalmente no escuro, são providências que
estimulam o desenvolvimento do sistema nervoso e intensificam a relação entre as funções cerebrais e as
atividades sensoriais.
Quando não são garantidas as condições necessárias para o desenvolvimento cerebral, pode ocorrer, por exemplo, o problema conhecido como nerve-blind, explicado pelo doutor Joel Dehasse e pela
doutora Colette Buyser, em seu livro Comportamento e Educação do Cão. Eles afirmam que, se os
filhotes forem criados na escuridão até a maturação do nervo óptico, ficarão cegos.
Os sentidos dos cães são extremamente aguçados, por isso devemos tomar alguns cuidados para
que se desenvolvam corretamente.
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PERÍODO DE SOCIALIZAÇÃO - DO 50ª AO 85ª DIA
Ao atingir esta fase, o cérebro do filhote já está neurologicamente completo e ele é capaz de
aprender tanto quanto um cachorro adulto aprende. É muito importante, durante este período, apresentar
tudo o que você puder ao cãozinho. Por exemplo: aspirador de pó, carros, sons da rua, programas de
televisão, pessoas de todas as etnias, outros animais, etc. Mas, nessas ocasiões, não se esqueça das
recomendações do seu veterinário sobre os cuidados que devem ser tomados para que o animalzinho não
corra o risco de contrair doenças; procure não deixá-lo entrar em contato com animais não-vacinados.
Por que devemos mostrar tudo o que for possível ao cãozinho? A resposta é simples: porque é a
melhor fase para ele socializar-se. Passado este período, o cérebro do cão modifica-se, e qualquer
socialização será muito mais difícil e demorada. Para entendermos melhor o porquê disto, devemos
imaginar o cão vivendo numa matilha: até os três meses, os filhotes só entram em contato com outros cães
do grupo e animais que não oferecem perigo para eles, pois os membros da matilha impedem a
aproximação de animais perigosos
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para os cãezinhos; mas, depois dos três meses, é importante que os filhotes já percebam sozinhos a
diferença entre "amigos" e "inimigos", sejam eles seres vivos ou inanimados, e não queiram socializar-se
com qualquer coisa, já que nesta idade começam a querer explorar o território mais longe da mãe e a ter
contato com presas e predadores naturais.
Cães novos mantidos isolados do contato social com o homem e outros animais apresentam uma
síndrome caracterizada por extrema redução tanto da atividade em geral quanto da procura por esses mesmos contatos. Os filhotes permanecem imaturos e insociáveis e desenvolvem comportamentos anormais e
movimentos estereotipados. O cão treme, corre atrás de seu rabo, torna-se agressivo por sentir medo, além
de mostrar deficiência na aprendizagem e apresentar reações vagarosas a novos estímulos.
Estimulações variadas e progressivas na fase da socialização geram animais física e psiquicamente superiores, segundo o doutor Joel Dehasse e a doutora Colette Buyser.
A primeira fase do medo, que atinge seu auge entre a 8ª e a 11ª semana, encaixa-se neste período, por isso
procure não expor seu filhote a experiências assustadoras, porque é uma fase de extrema vulnerabilidade,
e qualquer ocorrência que o atemorize causará um medo permanente da coisa ou da situação envolvida.
Alguns veterinários recomendam dar calman-
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te para filhotes desta idade quando houver tempestades ou em dias de festa ou jogos (devido aos fogos de
artifício), para que ele não fiquem traumatizados com os estampidos. Só as pessoas que têm cães que
sofrem com o terror de trovão e fogos é que sabem do que eles são capazes de fazer nessas ocasiões. Uma
vez fui chamado para auxiliar a resolver o problema de um Mastiff que atravessou uma janela de vidro,
cortando-se todo, só por causa de um trovão!
Se o cãozinho apresentar hérnia ou algum outro problema que exija uma intervenção cirúrgica,
caso não seja possível adiá-la, procure um veterinário que seja extremamente habilidoso tanto no trato
físico quanto no emocional.
PERÍODO DE DOMINÂNCIA - DA 12ª À 16ª SEMANA Nesta fase os filhotes começam a testar os outros membros da matilha para saber quem é o líder. É
importante mostrar ao cãozinho, carinhosamente, que você é o líder. Ele irá testá-lo, na maioria das vezes,
por meio de brincadeiras. Evite brincar de cabo-de-guerra com o filhote ou ficar puxando algo que ele
tenha na boca; e também não permita que seu cachorro o morda, mesmo que seja de brincadeira.
Qualquer tipo de atividade violenta, mesmo que lúdica, é desaconselhável, principalmente nesta fase.
Ensine ao cão comandos simples e exija-os em troca de comida, atenção ou qualquer outra recompensa -
esse é um processo que ajuda incrivelmente a estabelecer uma hierarquia correta.
Segundo Clarence Pfaffenberger, o temperamento de seu cachorro no final desta fase se
estabilizará, e ele provavelmente manterá suas características para o resto da vida.
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PERÍODO DE INDEPENDÊNCIA - DO 4° AO 8° MÊS
É assim chamado porque abrange o período em que o cão começa a querer se mostrar
independente e dono do seu focinho. Mantenha o controle do seu cão durante esta fase para que ele não se
acostume a ignorá-lo. Continue adestrando-o e procure fazer com que ele o obedeça para ser alimentado,
para passear, etc. Nesta fase é aconselhável que você mantenha seu cão numa guia longa quando
estiverem passeando em parques e jardins, para que ele não aprenda a ir para o lado oposto quando você
chamá-lo.
Com início no 6º mês e prolongando-se até o 14º, invadindo portanto o período da adolescência,
ocorre a segunda fase do medo. Não é tão preocupante quanto a primeira fase, mas você deve continuar
aumentando a autoconfiança de seu cão através do adestramento. Ele demonstrará medo de coisas novas
ou mesmo de situações fami- liares. Simplesmente evite traumas, e o medo logo irá desaparecer.
PERÍODO DA ADOLESCÊNCIA ATÉ A MATURIDADE - DE 1 A 4 ANOS
No momento em que seu cão alcança a maturidade sexual, o que ocorre antes nas raças menores e,
mais tarde, nas raças maiores, ele testa novamente o "poder" do líder da matilha.
Mais do que nunca é importante não deixar o cão ganhar nenhuma disputa que envolva
agressividade ou contato físico.
Embora muitos cães sintam-se confortáveis sem ocupar a posição de liderança da matilha, outros
tentam dominar seu dono mostrando sinais de agressividade.
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Não se assuste, este é um comportamento normal, embora deva ser cuidadosamente inibido.
Para que seu cão volte a aceitar sua posição na hierarquia, continue o treino e jamais se mostre
atemorizado. Todo sinal de agressividade deve fracassar; ou seja, não se afaste da vasilha de ração do seu
cachorro se ele rosnar; não desista de lhe dar banho caso ele morda a sua mão, etc. Se sentir que seu
cachorro o está dominando com demonstrações de agressividade e que você não conseguirá reverter a
situação, procure imediatamente um profissional competente e peça-lhe ajuda.
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APLICAÇÃO PRÁTICA
1. No período inicial, manipule os filhotes todos os dias, vire-os de ponta-cabeça, não deixe
de acariciá-los, etc. (para que desenvolvam o sentido de equilíbrio).
2. Introduza estímulos sonoros no dia-a-dia dos cãezinhos, deixando-os ouvir rádio, batendo
palmas, etc., e também visuais, como espelhos e lâmpadas.
3. Coloque um carpete áspero no lugar em que os filhotes estiverem aninhados, para que
desenvolvam mais rapidamente o sistema locomotor.
4. No período da socialização, para que ela seja bem feita, precisamos acostumar o
cachorrinho com novos barulhos, pessoas, animais, cheiros, etc., sempre tomando muito cuidado para que
ele não se assuste ou se machuque, pois grande parte da fase de socialização coincide com a primeira
fase do medo, cujo pico é entre a 8ª e a 11ª semana.
5. Cuide também, ao socializá-lo, para que ele não se exponha ao contato com animais nãovacinados.
6. No período da dominância, reforce carinhosamente sua posição de líder, pois seu cãozinho
irá testá-lo.
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7. Dos 4 aos 8 meses, use uma guia longa quando for passear com seu cão, porque ele dará mostras de independência, dirigindo-se para o lado oposto quando você chamá-lo.
8. No período que compreende a adolescência e chega à maturidade, não permita que seu cão
ganhe qualquer disputa em que haja contato físico com qualquer pessoa.
9. Não se assuste se seu cão adolescente apresentar sinais de agressividade em relação a você,
mas controle a situação com cuidado para que não se torne um hábito.
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TERCEIRA PARTE
EQUIPAMENTOS
Existem inúmeros acessórios que nos auxiliam no adestramento, mas, para que funcionem como o
esperado, é preciso saber como utilizá-los da maneira correta.
Classificando-os por tipo e função básicos, encontraremos no mercado:
¾ brinquedos: objetos que seu cão pode morder e brincar a qualquer momento;
¾ coleiras: ajudam a identificar e a conter o cão;
¾ guias e enforcadores: ferramentas para o adestramento e não símbolos de punição e
autoridade;
¾ caixas de contenção/transporte: a toca do seu cão, lugar onde ele deve se sentir seguro;
¾ petiscos e recompensas: comida ou objetos que o cão adore;
¾ produtos e objetos para "punição": tudo aquilo que é utilizado para produzir sensações
desagradáveis em seu cachorro, sem machucá-lo.
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BRINQUEDOS PARA DISTRAÇÃO DIVERTIMENTO E REDUÇÃO DO ESTRESSE
Além de tratar-se de um divertimento para seu cão, os brinquedos ajudam a evitar que ele eleja o
pé da mesa, o controle remoto da televisão ou outras peças de uso doméstico como objetos próprios para
serem roídos e destruídos.
Os brinquedos também diminuem o estresse e auxiliam incrivelmente no adestramento.
Os cãezinhos, como as crianças, costumam enjoar dos brinquedos, portanto é aconselhável trazer
sempre novidades e guardar parte dos brinquedos mais antigos, por algum tempo, para depois devolvê-los
ao filhote. Pode ser também que seu cão se apaixone por um brinquedo e passe a idolatrá-lo. Ótimo!, você
já terá, então, uma excelente ferramenta para o adestramento, que poderá ser usada como recompensa!
Para demonstrar que os brinquedos são para o seu cãozinho, brinque com os que estiver trazendo
para ele e incentive-o a fazer o mesmo. Dessa forma você estará deixando claro quais são os objetos que
seu cão tem permissão para mastigar e brincar.
Os brinquedos mais recomendados são os de borracha mole ou de náilon duro, grandes o
suficiente para que o cão não os engula.
Dicas: Congelar o brinquedo antes de dar ao seu
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filhote alivia a dor que ele sente na gengiva na troca de dentição, controlando melhor a ansiedade que ele
tem de roer tudo.
Existem ainda alguns brinquedos que, além de aliviar o estresse, proporcionam algum tipo de jogo
que envolve o seu cão e estimula seus reflexos ou seu raciocínio.
Atenção: Há objetos e produtos que não devem ser empregados como brinquedos.
Devemos tomar cuidado com produtos naturais pois, se não esterilizados corretamente, poderão
contaminar seu cachorro com vírus ou bactérias.
Tenha cuidado ao escolher os brinquedos para o seu cão, pois muitos deles podem causar sérios
prejuízos a saúde do animal ou até mesmo matá-lo.
Conforme a médica veterinária Paola Lazaretti, do Hospital Veterinário da Universidade de São
Paulo, muitos cães são socorridos por danos causados por brinquedos inadequados, que causam desde
quebra de dentes até obstruções gastrointestinais.
Outros brinquedos, apesar de não causar nenhum dano imediato ao cão, podem, com o tempo,
gastar excessivamente os dentes do animal. Essa categoria abrange os ossos naturais ou defumados, além
de outros brinquedos duros.
Objetos não-digeríveis, como bolas de gude, apitos, pedaços de borracha, sininhos, linha, etc., que
possam ser engolidos pelo cão, podem causar obstrução do aparelho digestivo. Para evitar problemas, procure brinquedos para cães que não despedacem a fim de que seu
cachorro não corra o risco de engolir parte deles, que não liberem nenhum produto químico nocivo e que
não gastem excessivamente os dentes do seu cão. Brinquedos digeríveis podem ser "comidos" sem
grandes problemas, como os courinhos para cães.
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BRINQUEDOS RECOMENDADOS
Bolas de tênis: São resistentes, podem molhar e não despedaçam. Algumas raças de cães
conseguem furá-las com os dentes, murchando-as.
Brinquedos de borracha macia: Alguns brinquedos de borracha macia são indestrutíveis,
permitem que o cachorro os morda sem gastar ou quebrar os dentes e pulam de maneira desordenada,
aumentando a diversão com o brinquedo.
Brinquedos de materiais digeríveis: Apesar de poderem ser despedaçados e engolidos, não
causam obstrução do aparelho digestivo pois são digeríveis.
Ossos de náilon duro: São brinquedos de excelente qualidade, não desgastam os dentes
excessivamente e alguns deles podem até prevenir acúmulo de tártaro. "Cubo Mágico": Este cubo, dependendo da maneira pela qual é virado, solta quantidades variadas de ração. Brinquedos deste tipo
estimulam o raciocínio do cão e podem entretê-los por horas. São recomendados para cães ansiosos e
ativos.
CUIDADO COM ESTES BRINQUEDOS
Ossos naturais: Devem estar esterilizados para que não haja perigo de contaminações. Podem
gastar excessivamente os dentes do cão e até quebrá-los, além do risco de perfurar o esôfago, estômago e
intestino.
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Bichos de pelúcia: Podem ser despedaçados e engolidos causando problemas à saúde do animal.
Bolas de gude: Podem quebrar os dentes do cão, podem ser ingeridas ou, se quebradas, podem
machucar a boca do cão.
Bolas ou brinquedos de borracha que se despedaçam: Podem ser engolidos pelo cão, causando
obstruções no aparelho digestivo.
COLEIRAS E GUIAS
A coleira deve estar sempre no cachorro, independentemente de você o estar treinando ou não. A
coleira, além permitir que você contenha o cachorro em situações de emergência, segurando-a, também
possibilita, se tiver o nome e o telefone gravados, ,a identificação do seu cão, caso ele fuja ou se perca.
A coleira, assim como qualquer equipamento de contenção, deve ser confiável. Você precisa ter
certeza de que ela não arrebentará quando você estiver contendo seu cachorro para que ele não atravesse
uma avenida, por exemplo.
Além de confiável, ela deverá ser confortável e antialérgica.
A coleira deve estar justa no pescoço do cão para evitar que ele se enrasque em
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algo e possa se machucar ou mesmo se enforcar. Para isso, ajuste a coleira de modo que você consiga
enfiar o dedo entre ela e o pescoço do seu cão sem esforço, mas também sem espaço de sobra.
É comum alguns cães desenvolverem alergia à coleira, portanto, caso isto ocorra, procure uma
coleira e outro material.
Não se esqueça de colocar algum tipo de identificação na coleira para que seu cão possa ser
devolvido caso se perca ou fuja.
PLAQUETAS DE IDENTIFICAÇÃO
Plaquetas de plástico: Não enferrujam. A marcação deve ser em relevo para não se apagar
facilmente.
Plaquetas de metal: Procure metais que não enferrujam, como latão, aço ou alumínio.
A coleira pode ser colocada no cão desde o período em que ele ainda é um filhote, mas lembre-se
de reajustar o tamanho com freqüência, já que os filhotes crescem muito rápido. Caso seu cão fique muito
constrangido ou se machuque tentando tirá-la, coloque-a por períodos curtos nas horas de distração ou ao
alimentá-lo, aumentando aos poucos o tempo em que seu cão fica com ela. COLEIRAS
Coleiras de couro: São resistentes e duram bastante, mas podem começar a apodrecer ou cheirar
mal se ficarem molhadas. Algumas têm borda arredondada para evitar que seu uso contínuo marque o
pêlo.
Coleiras de náilon: Costumam desbotar, mas permanecem muito mais limpas e raramente
cheiram mal.
Fivelas: Dê preferência às coleiras com fivelas, já que outros encaixes podem arrebentar mais
facilmente.
ENFORCADORES
Enforcadores são "coleiras" que, sob pressão, enforcam o cão. São úteis, pois fica mais fácil e
seguro controlar seu cão, diminuindo a força com que ele será capaz de puxá-lo durante o treinamento ou
nos passeios. São acessórios que não devem ser utilizados como símbolo de autoridade, e não devemos
jamais enforcar o cão como punição.
O enforcador deve ser utilizado apenas quando o cão estiver sendo treinado, passeando ou sob
supervisão humana, já que existe a possibilidade do cão se enforcar acidentalmente. Traumatismos na
traquéia e hematomas sublinguais são alguns dos problemas que o uso indevido do enforcador pode
causar.
O enforcador deverá passar pela cabeça do cão o mais justo possível. Quanto mais justo o
enforcador estiver no pescoço do cachorro, menor será a chance dele conseguir tirá-lo ou de enroscá-lo
em algo.
O enforcador tem o intuito de chamar a atenção do cão através de uma sensação desagradável (de
enforcamento) todas as vezes que ele tracionar excessivamente a guia. O enforcador, sozinho, não
soluciona o problema de cães que puxam a guia durante passeios, mas, sem dúvida, auxilia na correção
desse comportamento.
É importante que o enforcador seja discreto para o cão: quanto menos óbvio
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ele for para o animal, melhor será o resultado do adestramento. O cão relaciona tudo o que sente e
percebe ao aprender e, se for sempre treinado com um equipamento muito óbvio, responderá melhor
apenas quando estiver utilizando aquele equipamento. Você não quer que o seu cão o obedeça só quando
estiver usando o enforcador, portanto torne esse acessório o mais discreto e imperceptível possível.
Enforcadores de náilon são melhores que os de metal porque são mais silenciosos e, por isso,
menos perceptíveis para o seu cão.
O enforcador deve afrouxar assim que você aliviar a tensão em que a guia estava sendo mantida;
para isso deverá deslizar facilmente, o que só vai ocorrer se tiver sido colocado da maneira correta.
COLOCANDO O ENFORCADOR:
1. O enforcador possui duas argolas do mesmo tamanho em suas extremidades.
2. Passe o cordão por dentro de uma das argolas.
3. Puxe o cordão por dentro da argola até as extremidades se tocarem.
4. Olhando o cão de frente, forme a letra P com o enforcador e coloque-o no pescoço do cão.
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Atenção: Esta maneira de colocar o enforcador é para conduzir o cão do lado esquerdo. Para as
pessoas que, por algum motivo, gostam de andar com o cão do lado direito, devem "fazer" um P invertido
com o enforcador antes de passá-o pela cabeça do cachorro.
ALTERNATIVAS MAIS EFICIENTES QUE O ENFORCADOR:
Alguns cachorros engasgam, enforcam-se e não param de puxar a guia, mesmo com o enforcador.
Existem equipamentos que substituem o enforcador e facilitam ainda mais o controle da força de tração, além de ensiná-los a não puxar a guia, sem enforcá-os.
Halti: Coleira de cabeça, toda vez que o cão puxa a guia a cabeça dele vira automaticamente, o
que o faz aprender a parar de puxar. Não é uma focinheira e não machuca o cão. Quando tracionado
também fecha a boca do cão.
Loop: Peitoral modificado para causar desconforto quando o animal traciona a guia. Peitorais
normais estimulam o cão a puxar a guia cada vez mais.
"Gentle Lead": Semelhante ao Halti, mas mais simples. Ambos funcionam bem.
Todos estes equipamentos permitem que o cão transpire, beba água e morda, mas, mesmo assim,
devem ser utilizados sob supervisão humana.
A desvantagem destes equipamentos é que seu uso deve ser introduzido aos poucos ao cão, pois,
como é uma novidade, no começo é natural o cão se sentir incomodado com o equipamento e tentar tirá-
lo. Acostume seu cão a utilizá-lo antes de prender a guia e ir passear.
GUIAS
As guias também devem ser confiáveis. Jamais devem abrir ou estourar. Embora confiável, procure com-
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prar a mais leve e simples possível. A guia ideal é a que agüenta um bom tranco e que seu cachorro não
repara que está preso a ela (quando frouxa), de tão leve e silenciosa. Seu cachorro deve respeitar você e
não a guia. Cães treinados com guias leves e silenciosas respondem bem aos comandos
independentemente de estar ou não com a guia.
Algumas guias têm uma argola na ponta que permite que ela se "transforme" em um enforcador,
isto é, em uma única corda você tem a guia e o enforcador. Estas guias são práticas e funcionais.
Existem vários comprimentos de guia. Para passear, uma guia de 1,5 ou 2 m é a ideal. Outros
comprimentos são úteis para auxiliá-lo no treinamento.
Atenção: Se você for deixar seu cachorro preso sem supervisão, procure uma guia, de metal por
exemplo, que não possa ser roída.
Guia de corrente: Não é aconselhável para o adestramento pois, além de pesada, é barulhenta,
tornando-se muito óbvia para o cão. São boas para conter o cão sem supervisão, já que a corrente não
pode ser roída.
Guia de tecido pesado e largo: Também não é aconselhável para o adestramento pois é pesada e,
portanto, óbvia para o cão.
Guia de cordão resistente: Ideal para o adestramento. Não é obvia para o cão, o que contribuirá
para que ele lhe obedeça com ou sem a guia. Cordões finos e leves podem ser bastante resistentes, testeos antes de utilizá-los.
Guias reguláveis: São boas para o adestramento, já que possibilitam regular o comprimento.
Devem travar bem e exigir o mínimo de tração possível para au-
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mentar de comprimento, caso contrário colaborarão para seu cão aprender a puxar você.
CAIXA DE CONTENÇÃO/TRANSPORTE
As caixas de contenção/transporte devem ser consideradas como a toca de seu cão. São também
muito utilizadas para transportar animais. Elas geralmente são feitas de plástico ou fibra.
Este utensílio tem um valor inestimável para proprietários que querem acostumar o cão dentro de
casa ou treiná-lo a urinar e defecar somente em um lugar.
As caixas de contenção lembram uma prisão, por isso muitas pessoas consideram sua utilização
uma crueldade. Cães são animais de "toca", e, se a caixa de contenção for utilizada corretamente, será a
toca de seu cachorro, um lugar seguro em que ele se sentirá protegido, tornando-se até mesmo o seu lugar
preferido.
Conter o cachorro nesse tipo de caixa evita que ele desenvolva problemas de comportamento
novos, como, por exemplo, roer o sofá na sua ausência, ou machucar-se comendo algo perigoso ou
mastigando a fiação elétrica. Só o fato de ficar preso na caixa de contenção não o ensina como se
comportar ou a respeitar os objetos da casa e tampouco comunica liderança, por isso a caixa de contenção
deve ser utilizada apenas para que o cachorro fique à vontade e seguro sempre que você quiser, sendo
empregada como ferramenta para controlar e evitar problemas de comportamento na sua ausência.
Cães são animais carnívoros que dormem grande parte do tempo e não necessitam estar constantemente em atividade; o que não quer dizer que devam ser abandonados dentro da caixa de contenção. Para cães já educados, não há a necessidade de fechar a caixa de contenção, pode deixá-la aberta para que seu
cão entre e saia quando quiser.
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LOCAL IDEAL
Cães que não podem ficar dentro de casa, em vez de uma caixa de contenção, devem ter uma casinha, do lado de fora, à prova de vento e chuva.
A caixa de contenção deve ficar em um lugar arejado e de preferência próximo ao movimento da
casa ou perto das pessoas, pois cães são animais sociais que gostam de estar perto do seu grupo.
Sempre que for visitar um amigo por alguns dias com seu cão ou viajar com ele, procure levar a
caixa de contenção para relaxá-lo no ambiente desconhecido, pois, embora quase tudo seja novo para ele,
o cão terá sua velha casa.
Atenção: Nunca coloque a caixa de contenção no sol, pois seu cão rapidamente ficará desidratado.
TAMANHO
Estudos comportamentais mostraram que os cães preferem caixas de contenção justas, sem muito
espaço livre, pois assim se sentem mais protegidos.
A caixa de contenção deve ser grande o suficiente para que seu cão possa deitar, ficar em pé e
consiga se virar, mas não tão grande que permita ao cachorro urinar em um canto e dormir no outro.
Caixas de contenção auxiliam bastante no condicionamento dos cães para urinar e defecar no local
correto, já que eles não fazem as necessidades dentro da caixa se esta tiver o tamanho adequado, sendo
este mais
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um motivo para se considerar o tamanho antes de comprá-la.
Algumas caixas de contenção possuem divisões para que possam ser ajustadas conforme seu
cachorro cresça. Se você tiver um filhote, compre uma caixa de contenção do tamanho adequado para o
cão adulto e faça ou utilize divisões para que fique do tamanho ideal, acompanhando o crescimento do
seu cão.
TEMPO
Evite deixar seu cachorro (adulto) preso nela por mais de 8 horas sem supervisão e jamais associe
o fato do cão estar na caixa de contenção com qualquer tipo de punição. Como dissemos anteriormente, a
caixa deverá ser o lugar favorito de seu cão.
Como o cão não urina ou defeca na caixa de contenção, é fundamental que se respeite o tempo
máximo de contenção para cada idade. Cães mais jovens necessitam fazer suas necessidades mais vezes
ao dia que os adultos.
Para fazer o cálculo de tempo, há uma regra fácil de ser lembrada: soma-se 1 à idade do cão em
meses, o resultado é o número de horas que o cão pode ficar contido na caixa de contenção, até 8 horas no
máximo. Por exemplo: Se o cão tiver 2 meses, ele poderá ficar na caixa de contenção 2+1=3 horas, no
máximo.
Idade (meses) Tempo máximo na caixa de
contenção (horas)
1 2
2 3
3 4
4 5
5 6 6 7
7 8
8 ou mais 8
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Atenção: Cães doentes ou infestados com verminoses não devem ser contidos em espaço reduzido, já que não conseguem controlar suas necessidades de defecar e urinar.
MODELOS DE CAIXAS DE CONTENÇÃO/TRANSPORTE
Fibra: Costumam ser mais resistentes e mais pesadas que as de plástico. Não podem ser tóxicas e
nem devem ter cheiro forte.
Plástico: São leves e funcionais.
Desmontáveis: São desmontáveis como barracas. São muito práticas para pessoas que viajam
bastante ou que participam de exposições ou campeonatos de obediência. Só servem para cães que estão
acostumados (e não tentam destruir) a caixa de contenção pois não são muito resistentes.
PETISCOS
Os petiscos são alimentos que nos ajudam a recompensar o cão. Os petiscos não devem
desbalancear a dieta do animal. Quanto mais saudáveis ou quanto menos interfiram na dieta, melhor.
Existem petiscos produzidos especialmente para o treinamento. Além dessas características, é muito
importante que seu cão os adore para que sirvam ao propósito do adestramento.
Os petiscos não devem ultrapassar as porções de um tira-gosto para não substituírem a refeição do
cão.
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É aconselhável quebrar ou cortar os petiscos em pedaços bem pequenos antes de utilizá-los como
recompensa. Por exemplo, a salsicha deve ser cortada em 20 pedaços, no formato de moedas.
Brinquedos também podem ser utilizados como recompensa. Escolha o brinquedo que seu cão
mais goste. Mas para essa finalidade evite as bolas, pois elas podem rolar para lugares perigosos, como
uma avenida, por exemplo, e seu cão, ao segui-Ia, pode ser vítima de um acidente.
Os brinquedos ideais para o adestramento são aqueles que podem ser retirados facilmente da boca
do cachorro. Os brinquedos maiores geralmente são mais fáceis de se tirar do cachorro e também não
oferecem o risco de que o cachorro possa engoli-los acidentalmente.
ALGUMAS RECOMPENSAS QUE PODEM SER UTILIZADAS
¾ Rodelas de salsicha,
¾ pedaços de queijo,
¾ pipoca sem sal e sem óleo,
¾ petiscos comerciais,
¾ brinquedos.
UTENSÍLIOS QUE AJUDAM A “PUNIÇÃO”
A punição, como dissemos anteriormente, tem a finalidade de reprimir o comportamento e não a
de machucar o cachorro. Bater no cachorro é considerado pelo animal um ataque ou um convite para
brincar e não uma punição. Apresentaremos aqui alguns equipamentos que ajudam a "punir" seu
cachorro.
Há certos utensílios que podemos jogar para assustar
79
o cachorro quando queremos adverti-lo para não fazer determinada coisa, mas devemos ter sempre muito
cuidado para não acertá-lo. É importante que esses objetos possam ser jogados na direção do cachorro
sem que ele os relacione diretamente com você, para possibilitarem uma despersonalização da punição
(consulte as Técnicas de Adestramento).
VOCÊ PODE USAR
¾ molho de chaves pesadas;
¾ uma lata tampada cheia de parafusos e moedas,
¾ uma garrafa de plástico vazia, tipo "Big Coke",¾ spray com água,
¾ substância amarga,
¾ spray com substância amarga.
Se estes utensílios forem utilizados de forma correta,. além de eficazes, podem funcionar como
repelente para seu cachorro. Por exemplo, ao colocar a lata em cima de uma cadeira, você evitará que ele
suba nela.
Existem produtos especiais para evitar que seu cachorro roa algo. Amargos e inofensivos, eles
impedem que o cachorro roa determinados objetos. São muito úteis e podem ser utilizados em conjunto
com os objetos para "punir" o cão. Além de sentir um gosto horrível ao roer algo, ele também levará um
susto com as chaves, dando mais poder para ambas ferramentas. Se o produto tiver um odor (por mais
fraco que seja), poderá ser aproveitado e colocado na lata e nas chaves, assim o seu cachorro
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relacionará o odor com uma atitude errada, e você terá mais uma ferramenta para impedir comportamentos indesejáveis.
Leia o capítulo das técnicas de adestramento antes de começar a utilizar esses utensílios, pois você
sem querer pode dessensibilizar seu cão e o objeto deixará de funcionar como meio de punição.
COLEIRAS DE TREINAMENTO
São coleiras que punem o cachorro sem machucá-la. São eficientes se utilizadas corretamente. São
manejadas através de um controle remoto ou ativadas por algum mecanismo, permitindo acioná-las sem
que o cão relacione a punição com a sua presença.
Coleira elétrica: produz um estímulo elétrico, causando desconforto ao cão. Estas devem ser
utilizadas apenas por profissionais, pois a intenção é causar somente desconforto e, se mal utilizadas ou
mal reguladas, podem machucar ou traumatizar o animal.
COLEIRAS CONTRA LATIDOS EXCESSIVOS
Esses utensílios reeducam o comportamento de latidos do seu cão, utilizando um método que é
facilmente entendido pelo cachorro. Essas coleiras são equipadas com sensores que detectam as vibrações
quando seu cachorro Iate, ativando um mecanismo que pode espirrar citronela ou algum outro produto
inofensivo em seu cão ou, ainda, ativar uma pequena corrente (estimulo elétrico), causando desconforto
ao animal toda vez que ele latir. Nestas últimas, é fundamental que a intensidade do estímulo elétrico seja
regulável para que cause somente um pequeno desconforto ao cachorro.
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Coleira elétrica contra latido: Deve ser regulada para que cause somente desconforto.
Coleira contra latido que espirra citronela: Com relação a coleiras que espirram algum produto,
verifique com seu veterinário se o produto utilizado não prejudica de alguma forma os orgãos sensoriais
do cão.
A vantagem desta coleira é que não há envolvimento dos proprietários na correção, portanto tornase um condicionamento muito mais consistente e rápido. Geralmente o uso da coleira corretiva durante algumas horas já é suficiente para mudar o comportamento de latidos.
A desvantagem é que o cão provavelmente relacionará o uso da coleira com a restrição de latidos.
E, ao ser retirada a coleira do cachorro, os latidos demasiados podem voltar. Esse problema pode ser
facilmente resolvido com a utilização de uma coleira parecida com a coleira corretiva, "enganando" o cão.
Existem coleiras que inibem totalmente os latidos do cão e outras que inibem latidos em demasia, isto é,
ela só é ativada se o cão latir além de um determinado tempo.
Atenção: Não é saudável para o cão latir excessivamente. Cães que latem muito podem vir a ter
problemas de saúde, como úlceras, por exemplo.
COLEIRAS QUE IMPEDEM QUE SEU CÃO SAIA DE SUA PROPRIEDADE
Coleiras corretivas que são ativadas quando seu cão chega perto do limite estipulado por você
(enterrando um fio no perímetro de sua propriedade ou colocando emissores de ultra-som). Primeiramente
elas apitam, depois aplicam um choque elétrico seguro ou esguicham um jato de citronela. Os c;ães
aprendem facilmente a evitar as "zonas" proibidas, evitando a "punição".
Cercas Invisíveis: Essas coleiras eliminam a necessidade de cercas ou, se estas já existirem, previnem
que o cão escape, 82
pulando ou cavando por baixo delas.
São acessórios eficazes quando usadas corretamente. É necessário seguir exatamente todas as
indicações dos manuais e treinar os cachorros a respeitar a "cerca". É muito útil para chácaras, sítios e
fazendas.
Também podem ser utilizadas para impedir que os cães cheguem muito perto de piscinas e outros
lugares que possam oferecer-lhes riscos.
Atenção: Qualquer método de punição não deve machucar o cachorro ou prejudicar sua parte
sensorial. Informe-se antes de comprar qualquer equipamento.
“CLICKERS”
Clickers são, essencialmente, um jeito abreviado de dizer "muito bem". Estão sendo utilizados
cada vez mais e são de indiscutível utilidade.
O princípio é simples, você treina o seu cachorro a adorar um determinado som (click) e passa a
utilizá-lo sempre que o seu cachorro efetuar o comportamento desejado. Em pouco tempo, o cão estará
obedecendo seus comandos para que possa ouvir o click e receber a recompensa.
Como fazer isto? Leia o capítulo sobre técnicas de adestramento.
O clicker ajuda o seu cão a reconhecer exatamente o comportamento que gerou a recompensa. Ou
seja, sempre que seu cão escutar o click, saberá que executou o comportamento correto e poderá receber a
recompensa. Por ser instantâneo, é uma ótima maneira
83
de deixar claro para o cão que ele recebeu a recompensa por sentar e não por latir, por exemplo, mesmo
que tenha latido logo após ter sentado. Ajuda o cão a identificar exatamente o comportamento desejado
por ser bem mais rápido e preciso do que, por exemplo, se você falar: “muito bem...”
O clicker também funciona bem a distância. É impraticável, por exemplo, jogar um petisco para o
cão no exato momento em que ele salta, mas o click permite que "diga" ao cão que acertou e que pode vir
buscar a recompensa.
O click é considerado uma recompensa secundária que reduz a necessidade de recompensas
primárias, como os petiscos, por exemplo.
Existe uma infinidade de clickers no mercado, embora qualquer objeto que faça um barulho rápido
e preciso funcione como tal, inclusive um estralo com a boca pode ter o mesmo resultado, desde que
consistente e exato.
Apito ultra-som: Somente os cães o escutam, pode ser utilizado para treinar cães a distância sem
incomodar as demais pessoas.
Apito: Útil para treinar cães a distância, mas pode perturbar as demais pessoas no local.
Clicker propriamente dito: Fácil de segurar na mão ou prender no dedo, possibilitando ficar com
a boca livre para dar comandos orais. É o clicker mais utilizado por profissionais.
REMOVEDORES DE ODOR
Os removedores de odor ajudam a impedir que o cão se sinta encorajado a urinar novamente num
local impróprio. Cães são estimulados a urinar sempre nos mesmos locais, por isso qualquer cheiro de
urina ou fezes deve ser neutralizado o mais rápido possível para
84
evitar que se torne um hábito para seu cão urinar em locais inconvenientes.
Álcool: Produtos de limpeza não funcionam tão bem quanto os produtos removedores ou
neutralizadores de odor. O faro dos cães é muito superior ao nosso e podem detectar o cheiro da urina
facilmente, mesmo que seja imperceptível para nós.
Removedor enzimático: Alguns produtos são feitos à base de enzimas e necessitam de um bom
tempo para reagir e remover totalmente o odor. Nestes casos, deixe a substância agir, mantendo o local
úmido durante o tempo determinado pelo fabricante (normalmente, no mínimo 24 horas).
Atenção: Remova o cheiro, não jogue simplesmente álcool em cima do local, pois seu cão pode
relacionar o cheiro de álcool com o da urina e todo lugar que você limpar com álcool pode estimular o
cão a urinar.
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APLICAÇÃO PRÁTICA 1. Utilize brinquedos para divertir e reduzir o estresse, isso é muito importante.
2. Não se esqueça de que os brinquedos não podem ser muito duros, não devem despedaçar
(quebrar) e devem ter um tamanho mínimo para que o cão não os engula se não forem digeríveis.
3. Compre uma coleira resistente, antialérgica e confortável. Seu cão deve usá-la o tempo
todo.
4. Empregue o enforcador como acessório auxiliar para controlar a força de tração do cão. É
um utensílio que só deve ser utilizado sob supervisão humana direta e jamais deve ser utilizado como
símbolo de autoridade.
5. Ajuste o enforcador para entrar justo na cabeça do cão e certifique-se de que ele seja
silencioso e leve.
6. Empregue guias resistentes, leves e silenciosas.
7. Escolha uma caixa de contenção justa para o padrão de seu cachorro, permitindo somente
que o animal deite, fique em pé e consiga se virar.
8. Ofereça como recompensa apenas petiscos ou objetos que seu cão adore. Os petiscos
devem ser dados em pequena quantidade e não devem desbalancear a dieta. Os brinquedos devem
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ser grandes para que possam ser removidos facilmente da boca do cachorro.
9. Lembre-se de que a punição não pode machucar ou prejudicar os sentidos do cão.
10. Use produtos amargos para evitar que o cão roa determinados objetos.
11. Não se esqueça de que clickers são objetos que produzem um som para indicar ao cão o
comportamento exato que gerou a recompensa. São mais rápidos e precisos que comandos falados.
12. Remova os odores de urina e fezes dos lugares indesejáveis. Utilize removedores de odor e
não qualquer produto de limpeza.
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QUARTA PARTE
ADESTRAMENTO INTELIGENTE
"Comportamento é uma grande sopa de respostas internas e externas, aprendidas e desaprendidas."
Karen Pryor
Para o adestramento ser eficiente é necessário mais que apenas a técnica para ensinar alguns
"truques" para o seu cão. Por isso o adestramento inteligente obedece à seguinte divisão:
¾ técnicas: conceitos fundamentais para se adestrar o cão;
¾ linguagem: a maneira de nos comunicarmos com os cães;
¾ técnica do click: uma maneira rápida e eficiente do cão entender que fez a coisa certa;
¾ comandos: para o cão entender prontamente o que se espera que ele faça.
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TÉCNICAS DO ADESTRAMENTO INTELIGENTE
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Paciência é fundamental para o sucesso do adestramento.
¾ Punições tardias não fazem sentido para o cão.
¾ Para se inibir um comportamento, devemos induzi-lo várias vezes.
¾ O que fazer para que seu cão também se comporte na sua ausência.
¾ As técnicas corretas para se recompensar ou punir comportamentos.
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A TÉCNICA DE ADESTRAMENTO E AS LEIS FUNDAMENTAIS
Agora que você já sabe as leis fundamentais do adestramento, podemos entrar nos detalhes das
técnicas. O importante é sempre procurar utilizar as leis fundamentais, pois sua aplicação fará com que
seu cão aprenda cada vez mais rápido e se torne cada vez mais eficiente.
Os conceitos aqui explicados são muito simples e fáceis de serem entendidos, mas é necessário um
esforço especial para colocá-los em prática, já que qualquer mudança na nossa maneira de lidar com as
coisas em geral exige de nós muita atenção e dedicação.
TENHA PACIÊNCIA Ser paciente é fundamental para o sucesso do treinamento.Se você não tiver paciência e ficar frustrado
com seu cão, o treinamento vai progredir muito lentamente.
Não adestre nos dias em que você não se sentir emocionalmente equilibrado, isto é, naqueles dias
em que se sentir tenso, inseguro ou estressado. Previna-se para evitar que ocorram incidentes que possam
aborrecê-lo. Assim, ao levar seu cachorro ao parque, não o solte para ver se ele volta, pois, se ele não
voltar, você ficará aborrecido e atrapalhará o treinamento. É preferível ficar com o cachorro preso à
corrente durante as primeiras aulas.
Lembre-se: qualquer fato negativo que seu cão associar ao treinamento ou ao comando dificultará o
aprendizado, portanto tenha paciência e siga devagar. Se seu cão já estiver sentando, parabéns! Quando
não tiver mais dúvidas sobre o aprendizado, aí sim comece a corrigir a postura do animal e a estimulá-lo a
sentar
92
mais rapidamente. Agir pacientemente não significa que você esteja perdendo tempo, pelo contrário,
quanto mais corretamente utilizar essas técnicas, menos tempo você levará para ter um cão muito bem
adestrado.
INTELIGENTES MAS NÃO ADIVINHOS
Embora os cães sejam muito inteligentes e possam aprender de inúmeras formas, quanto mais
simples e claro formos ao educá-los, mais certeza teremos de que o cachorro fará as associações corretas.
Por isso, para começar, devemos abandonar punições tardias - para o cachorro, 1 minuto depois de
ter feito alguma "arte", já se formou uma distância muito grande para que ele possa associar qualquer
punição ao seu comportamento faltoso; ou seja, se você não conseguiu puni-lo no exato momento do ato
errado, esqueça! Isso mesmo, não dê nem mesmo uma bronquinha.
Nossos cães encontram-se grande parte do tempo em atividade, e só para nós é evidente a
"barbaridade" que ele fez algum tempo atrás, como, por exemplo, ter destruído o sofá da sala. Será quase
impossível que ele associe a punição à atitude que você considerou errada se o ocorrido já se passou há
uns 10 minutos! O cão foi para cozinha, bebeu água, cheirou o banheiro, latiu para o carteiro, etc., e não
vai relacionar a bronca ao problema que você tinha em mente. Ah, o seu cachorro sabe muito bem que fez
algo errado, pois ele fica com cara de envergonhado ou vai se esconder? Errado, ele não sabe. Você acha
que ele está agindo assim por se sentir culpado, mas a chance dele saber o que fez de errado é quase a
mesma que você tem de ganhar na loteria! Ele sabe, sim - se você já o treinou o suficiente -, que quando
você arregala o olho para alguma coisa e depois olha diretamente para ele, uma bronca está por vir ou,
ainda, que algo bagunçado no chão somado à
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sua presença significa problema. Além de não servir para o propósito que se pretende, as punições tardias
diminuem a confiança do cachorro nos donos e aumentam a ansiedade do animal. (Antes de punir seu cão
por bagunça, leia a parte que diz como evitar que isto aconteça.)
É importantíssimo recompensá-lo ou puni-lo no ato, de preferência quando começou a fazer ou
enquanto estiver fazendo alguma coisa. O exato momento da punição ou da recompensa é crucial e,
mesmo agindo no momento exato, é necessário que o ato praticado e a correspondente punição ou a
recompensa merecida se repitam algumas vezes para que seu cão faça as associações corretas.
ASSOCIAÇÕES CORRETAS DEPENDEM DE REPETIÇÃO
Como dissemos, é necessário que a relação ato - punição ou recompensa se repita; portanto,
induza o cachorro a fazer algo para poder puni-lo ou recompensá-lo. Se quiser, por exemplo, que seu cão
aprenda a não pular em você ao lhe dar as boas-vindas (isto é, todas as vezes em que ele o enxergar), será
preciso que o faça pular em você seguidas vezes para que possa puni-10, pois ele compreenderá que pular
em você é que é ruim, e não o fato de vir recebê-lo! Em outras palavras, para poder ensiná-lo, você deve
fazer a maior festa para ele, o que fará que ele pule em você novamente e, assim que ele pular, puna-o (a
melhor punição para este caso está descrita no controle de comportamentos desagradáveis). Na terceira
vez, ele provavelmente não pulará em você, mesmo que prov0cado, e este será o momento de agradá-lo
por se recusar a pular! Parece sem sentido e desleal induzir o cachorro a pular e depois puni-lo? Não, não
é. Seria uma deslealdade se lhe ensinasse uma palavra de comando para pular em você e, assim
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que ele subisse, você o punisse. É importante que seu cão saiba que não importa o grau de animação em
que você esteja, pular em você é errado, e pronto! A mesma coisa deve ser feita para cães que sobem em sofá, roubam comida, roem sapatos, etc.
AS PUNIÇÕES
Quando você pune seu cão verbalmente ou batendo um jornal no chão, por ter feito algo que você
não queira, ele aprende que não deve se comportar assim quando você estiver por perto, pois a punição
fica claramente associada a você e o condicionamento só terá efeito na sua presença. O resultado deste
condicionamento baseado na punição personalizada é um cão obediente e comportado na sua presença,
mas que, na sua ausência, roubará comida, roerá a mesa, etc.
Isto não quer dizer que todas as punições precisam ser despersonalizadas. Muitos comportamentos
necessariamente ocorrem na nossa presença, como pular nas pessoas, agarrar-se à roupa ou à mão, por
isso não faria sentido preocupar-se em despersonalizar as punições correspondentes, pois estes atos
obviamente não ocorrem na nossa ausência. Há outras situações em que queremos que o animal se
comporte de maneira diferenciada na nossa presença ou na nossa ausência, como ficar latindo quando um
estranho estiver na porta da nossa casa, mas que pare quando chegarmos perto.
Faça a si mesmo a seguinte pergunta antes de punir seu cão: "Eu quero que ele nunca faça isto ou
quero que ele não faça isto apenas na minha presença?". Se a resposta for: "Eu quero que ele nunca faça
isto",
95
então é necessário despersonalizar a punição.
COMO DESPERSONALIZAR A PUNIÇÃO
Para despersonalizar a punição é necessário que o cão não perceba que você é o responsável pela
punição ou que ela depende de sua proximidade. Agarrar o cão e sacudi-lo, dar um tranco no enforcador,
bater o jornal no chão e gritar são punições que estão claramente associadas à sua presença.
Despersonalizar punições requer um pouco de planejamento, já que estamos "enganando" o cão.
Pegar um "instrumento de punição", como um chaveiro pesado, e atirá-lo na direção do cachorro que está
fazendo xixi fora do lugar, roendo a mobília, etc., sem que ele perceba que foi você quem atirou, é uma
maneira bem simples de não personalizar a punição. Para isso, é necessário que você pegue o chaveiro
sem fazer barulho, lance-o sem que o cão perceba e continue fazendo o que você estava fazendo antes.
Desta maneira o cão achará que foi punido por "Deus" e evitará repetir o ato, estando você presente ou
não.
Outra maneira de despersonalizar as punições é empregando armadilhas que punam o cão (sem
machucá-lo). Um dos meus clientes conseguiu resolver o problema adotando uma prática arriscada: como
seu cachorro latia e corria em volta da gaiola de periquitos o dia todo, ele colocou ratoeiras armadas de
ponta-cabeça em volta ta da gaiola. Bastaram alguns sustos (da ratoeira desarmando) para o cachorro
perder
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totalmente o interesse pelos passarinhos. (Não aconselho esse procedimento porque existe a possibilidade
de seu cão sair machucado.)
CUIDADO PARA NÃO DESSENSIBILIZAR AS PUNIÇÕES
Devemos ter cuidado para não dessensibilizar as punições, ou seja, de não diminuir o seu efeito.
Quando um cão faz alguma coisa errada, o dono primeiramente diz com todo o carinho "Fido, pára vai, o
papai não gosta..."; depois diz: "Fido, pára com isso"; lá pela vigésima vez estará berrando: "PÁRA, seu
filho da ...!'. Antes que você degole seu cachorro, aprenda este conceito: a punição deve ser eficiente
desde a primeira vez; se for aumentando gradativamente, ela será dessensibilizada, isto é, seu cão deixará
de ficar sensível ao seu condicionamento.
Nenhuma punição deve deixar o cão com medo de você. Se isto estiver acontecendo, mude de
estratégia e puna com mais cautela, pois esta reação indica que seu cão está deixando de confiar em você.
SAIBA ALTERNAR RECOMPENSA E PUNIÇÃO
Vamos falar um pouco sobre as punições, já sabemos como não dessensibilizá-las, como
personalizá-las e despersonalizá-las, e que elas devem ser aplicadas durante o ato errado e nunca minutos
ou horas após. Outro fator importante é que a punição deve cessar imediatamente, assim que o ato pare.
Muitas vezes a punição deve ser alternada rapidamente com recompensas, por isso nunca ensine seu cão
quando você estiver triste, zangado ou estressado, pois estas trocas rápidas ficam muito difíceis quando a
pessoa não está bem equilibrada emocionalmente. Devemos ter cuidado ao alternar a punição com a recompensa para que o cão realmente entenda o
que
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está acontecendo. Por exemplo, para ensinar um cão a não brincar de morder sua mão, provoque-o
brincando com ele e coloque a sua mão numa posição que ele possa morder, mas, assim que ele o fizer ou
estiver quase fazendo, puna-o. Provoque-o novamente, oferecendo a mão, se ele mordê-lo outra vez,
puna-o; caso ele não faça isto, recompense-o (carinho, palavras carinhosas, etc.), e assim por diante, até o
cão se recusar a mordê-lo todas as vezes que você apresentar a mão.
Se o cão não for claramente induzido a fazer a coisa errada antes de ser recompensado por
recusar, poderá pensar que, para ser elogiado, é necessário que seja punido antes, continuando assim a
fazer a coisa errada para, após a punição, receber a recompensa. Por exemplo, você chega em casa e seu
cão pula em você4 imediatamente você o pune ignorando-o ou segurando suas patas e, tão logo o cão
desça, você o elogia. O cão vai entender que, para ser elogiado, deve pular em você, "sofrer" um pouco e
logo será recompensado.
Para que você consiga deixar claro para o seu cão o que você está querendo que ele faça, induza-o
a fazer a coisa errada (caso ele já não a faça naturalmente), se ele se recusar a fazê-la mesmo induzido,
recompense-o, caso contrário, puna-o. Repita tudo novamente, não o recompense simplesmente após ser
punido.
Um outro exemplo: Quando o cãozinho estiver roendo um pé de cadeira, jogue disfarçadamente
algo que o assuste e não o elogie quando ele parar! Caso você o faça, o cãozinho vai aprender a roer para
conseguir sua atenção, mesmo sabendo que terá que levar um pequeno susto antes de receber esta
atenção. Para repetir a experiência a fim de ensiná-lo, uma forma de induzir seu cãozinho a roer o pé da
cadeira é colocar os brinquedos dele ao lado, caso ele opte pelos brinquedos, recompense-o, mas se roer o
pé da cadeira puna-o.
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A punição serve para que o cão se recuse a fazer algo. Quando tiver conseguido isto, elogie-o por
ter recusado, já que o elogio tem efeito muito mais duradouro e eficaz do que a punição.
Cuidado: Se a punição for severa demais, não ocorrerá o número suficiente de repetições para que
o cão entenda qual o comportamento que a desencadeia.
FRACASSO COMO PUNIÇÃO E SUCESSO COMO RECOMPENSA
Uma das melhores punições é o fracasso. O fracasso é basicamente seu cão não conseguir obter ou
fazer algo que pretendia. John Fisher, estudando métodos de punição, descobriu que quando se atira um
chaveiro próximo ao cachorro - o que aparentemente o puniria, causando-lhe medo -, na realidade o que
se está ensinando ao cachorro é que aquele barulho significa que ele não irá receber a recompensa.
É exatamente esse efeito que pretendemos quando utilizamos a palavra "Não" ou "Rei" (eu prefiro
"Rei", pois é mais rápida e forte que "Não"). Devem ser pronunciadas de maneira a não deixar dúvidas de
que se trata de uma punição, e lembre-se de curvar o corpo e fazer cara de mau! Essas palavras, bem
ensinadas, po
99
dem auxiliar no adestramento por avisá-lo de que, agindo assim, ele não será recompensado.
Da mesma maneira que o fracasso é uma das melhores punições, o sucesso é uma das melhores re-compensas. Seu cachorro é punido e recompensado o tempo todo, é assim que ele sobrevive! Come na
hora que está com fome e é recompensado pelo prazer de comer, e assim por diante. Quando um filhote
roe a sua mesa de estimação está sendo recompensado pelo alívio da dor que sente na gengiva. Portanto,
para se mudar um comportamento, precisamos primeiro procurar as recompensas correspondentes a ele e,
se possível, devemos eliminá-las ou substituí-las. Só assim poderemos obter sucesso na educação de
nosso cão.
Se dermos água gelada para nosso filhote ou um brinquedo congelado, isto aliviará muito mais a
sua dor na gengiva do que sua mesa preferida; e se, além disso, você passar algum produto amargo (não
tóxico) na sua mesa, irá puni-lo logo que ele for mastigá-la. Fazendo isso você reverte o comportamento
indesejável para um desejável, que é brincar com os brinquedos e tomar água. Perfeito, não é? Além de
simples, você despersonalizou a punição e a recompensa, evitando que seu cão volte e roer a mesa na sua
ausência.
Tudo que estiver diretamente relacionado com o fracasso para seu cão poderá ser utilizado como
punição. Podemos facilmente criar uma aversão a um objeto ou a algo se os associarmos com o fracasso.
Da mesma maneira que o click funciona como recompensa secundária, este objeto pode funcionar como
punição secundária e, se for sempre associado com fracasso, ganhará cada vez mais poder. Vamos supor
que você escolheu o spray de água como objeto de punição, mas seu cão não dá a mínima importância a
ele. Basta você colocar, por exemplo, um pedaço d,? queijo no chão e, assim que seu cão for Pegá-la,
você espirra água nele, diz "não" e o impede de pegar a recompensa. Repetindo isto algumas vezes, logo
seu cão associará o spray ao "não" e ao fracasso. Daí em diante, quando seu cão fizer algo errado
100
e estiver ao alcance do spray, este poderá ser utilizado como punição.
BRONCA PODE SER RECOMPENSA
Agora vamos ver o problema da atenção. Como dissemos, o sucesso é um ótimo reforço, e o seu
cão é um animal social que necessita de atenção, realmente necessita. Se o seu cão estiver buscando
atenção e conseguir, Bingo - sucesso! Até aí, nada de novo, mas você já reparou que quando damos uma
bronca estamos dando atenção também? Você já imaginou que seu cachorro pode estar virando um
pseudomasoquista para conseguir sua atenção?
É muito difícil identificar o problema quando o seu cachorro está fazendo algo só para chamar a
atenção; alguns casos são óbvios, outros até especialistas encontram dificuldades para detectar. Por isso a
nossa atenção deve ser o menos perceptível possível no momento da punição! O simples fato de olhar
para o cachorro, ou segui-lo, ou ainda limpar ou arrumar alguma bagunça que ele tenha feito já é
considerado por eles como atenção. Cuidado! Como se comportar, então? Por exemplo, nunca arrume a
bagunça que seu cachorro fez na frente dele.
IGNORAR É UMA ÓTIMA PUNIÇÃO
Muitos problemas, a maioria, são resolvidos somente pela capacidade de ignorar - sim, é uma
capacidade, pois seu cão pode aprender a fazer caras e gestos quase impossíveis de ignorar! Se você é
daquelas pessoas que logo após punir seu cachorro sente-se um miserável, vai pedir desculpas e ajoelhase em frente a ele, além de confundir a cabeça do animal, estará fazendo com que ele aprenda que ignorar
você ou fingir-se de chateado será uma ótima maneira de conseguir sua atenção. Ele achará que você
gosta quando ele fica
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assim conservará esta atitude por mais e mais tempo. Se você simplesmente o punir de maneira adequada,
não haverá razão para seu cachorro ficar emburrado, escondido ou ignorá-lo.
APLICAÇÃO PRÁTICA
1. Não atropele os ensinamentos. A paciência aliada ao treinamento gradual assegura um
adestramento mais bem-sucedido.
2. Somente aplique punições no momento em que ele praticou o ato; punições tardias não
fazem sentido para seu cão.
3. Induza seu cão a repetir os comportamentos desagradáveis algumas vezes, para que, através da punição imediata, o comportamento possa ser controlado ou eliminado.
4. Para que ele não faça o que não deve quando você estiver ausente, não deixe que ele ligue
a punição à sua pessoa, isto é, despersonalize a punição (nada de tapas ou jornal enrolado). 5. Não aumente a punição gradativamente, isto fará que ela perca a eficácia. Puna
corretamente desde a primeira vez.
6. Sempre associe a punição com o fracasso, ou seja, impeça que a vontade de seu cão seja
realizada. Por exemplo, seu cão quer comer uma torrada que está em cima da mesa: a bronca, ou o susto,
deverá impedir que ele coma a torrada.
7. A melhor recompensa é o sucesso, e a punição mais efetiva é o fracasso. Repetidas broncas
muitas vezes podem ser consideradas como recompensa pelo seu cão, já que ele pode estar buscando a
interação com você.
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LINGUAGEM PARA SE COMUNICAR COM O CÃO
Cães não falam nossa língua, portanto devemos simplificá-la ao máximo.
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Como se comunicar eficientemente com seu cão.
¾ A escolher as palavras de comando e como pronunciá-las.
¾ A importância da linguagem corporal.
¾ Por que um cão bem treinado só obedece aos donos.
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LINGUAGEM
O objetivo da linguagem é melhorar a comunicação. Quanto melhor a comunicação, melhor será o
entendimento e mais eficiente será o adestramento.
Para comunicar-se eficientemente com o seu cão procure utilizar:
¾ o comando oral, variando a entonação.
¾ A postura corporal e expressão facial correspondentes ao comando.
¾ O gesto característico do comando que você estiver dando.
Ao utilizar esses três itens, simultaneamente, a comunicação será mais completa. Muitas vezes,
apenas um dos itens já será suficiente para que seu cão o entenda; mas, em algumas situações, seu cão
somente conseguirá observar um deles. Se você estiver em um ambiente muito barulhento, sua voz talvez
não seja forte o suficiente para se sobressair. Um outro caso é quando nossas mãos estão ocupadas e nos
resta apenas a voz para comandar o cão. Portanto, procure adestrar seu cachorro utilizando os três itens
sempre que possível, para que ele os relacione.
Devemos escolher cuidadosamente o vocabulário que ensinaremos ao nosso cão. Quanto mais
simples, melhor! O ideal seria empregarmos apenas palavras de uma só sílaba mas, como a maioria tem
pelo menos duas, o que podemos e devemos fazer é destacar uma sílaba de uma palavra, pronunciando-a
com mais força. Por exemplo: ao falar SENTA, daremos ênfase ao SEN; ao falar DEITA, ao DEI, e assim
por diante. Ao ensinar seu cão, jamais utilize duas palavras muito parecidas foneticamente, porque isto irá
confundi-lo.
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Nenhum comando deve ser parecido foneticamente com o nome do seu cachorro, e jamais deve
constar da bronca ou punição uma palavra que lembre o nome dele. Assim, se o cachorro chamar-se
Pegasus, o comando pega pode ser confundido com o nome dele ou, ainda pior, ao chamá-lo, ele pode
sair correndo e atacar alguém! Um nome péssimo para seu cão seria Pão ou Bom, ou mesmo Cão, pois
estes três nomes podem ser confundidos com a palavra não (bronca), transmitindo ansiedade e confusão
para seu cachorro.
Como dissemos anteriormente, evite a todo custo mencionar o nome do seu cachorro quando o
estiver punindo. Nunca diga: "Tamy, não!" "Fred, sai!" Este conceito é bastante simples, mas demanda
muita atenção do proprietário. Treine bastante, assim com o tempo será natural não mencionar o nome do
cachorro ao puni-lo.
Mesmo que você tenha mais de um cachorro, basta direcionar a punição ao cachorro "culpado"
que ele entenderá, sem que seja necessário mencionar o nome dele. Quem tem mais de um animal deve
tomar ainda mais cuidado para não utilizar o nome do cachorro quando for dar uma bronca, pois pode
propiciar disputas e brigas entre eles (ler o capítulo sobre brigas).
Em seguida sugiro algumas palavras que você deve utilizar: SENta, DEIta, VEM, JUNto, SObe, BUSca, LAte, Vivo, LIvre.
As sílabas em letras maiúsculas devem ser enfatizadas.
Desde que as palavras sejam escolhidas cuidadosamente, qualquer idioma serve. Cada palavra
deve
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ser suficiente para o cão entender o que você quer, assim como os gestos.
Gestos que possam ser enxergados de longe pelo
108
seu cachorro são ideais, pois são essas as ocasiões em que a voz costuma não ser o suficientemente forte.
E, por último, as expressões corporais. Elas, diferentemente das palavras, já carregam consigo
algumas mensagens que o cão apreendeu instintivamente ou em contato com outros cães ou humanos
durante seu desenvolvimento. Se você utilizar um sorriso para algo bom, por exemplo, terá maiores
chances de melhorar a comunicação do seu cão com outras pessoas além de você mesmo. Um cachorro
deve naturalmente evitar uma pessoa zangada e procurar uma sorridente e contente.
Portanto, sorria diante de algo que você gosta que seu cão faça, como quando ele lhe obedece, por
exemplo.
Se for possível, utilize também seu corpo. A posição vertical significa neutralidade, agachar
significa chamar para brincar e curvar-se na altura da cintura significa punir.
Existe um consenso popular de que o cachorro só obedece ao treinador e ignora o proprietário,
pois não entende os comandos de seu dono. Isso geralmente é bobagem, a menos que o treinador do cão
tenha um sotaque tão pronunciado que realmente as palavras soem completamente diferentes. O problema
ocorre, geralmente, devido à troca do agente punidor/recompensador (o cão sabe que deve respeitar o
treinador para evitar uma punição ou para ganhar uma recompensa). Para que o cão obedeça ao proprietário é necessário um envolvimento psicológico entre ambos, além da necessidade de que o dono
conheça algumas técnicas.
Muitas pessoas imaginam que um ladrão terá
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domínio completo sobre o cachorro se este for adestrado com palavras comuns. Pensam que o ladrão
ordenará ao cachorro que deite, depois, que fique, e, ainda pior, que poderá mandar o cão atacar o próprio
dono! Errado! Isto não acontece. O cachorro não é um robô e obedecerá de acordo com a hierarquia,
relação de amizade, respeito e amor.
Se você preferir ensinar os comandos em um outro idioma, procure um com que você esteja
familiarizado, pois não seria nada conveniente ter que buscar um dicionário para poder dizer ao seu
cachorro SENTA, em alemão, por exemplo.
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APLICAÇÃO PRÁTICA
1. Sempre que possível, faça uso simultâneo da palavra, do gesto e da postura que traduzem
um comando, para melhorar a comunicação.
2. Evite comandos parecidos com o nome do cão.
3. Reduza os comandos a uma única sílaba e dê uma entonação mais forte a ela.
4. Jamais utilize o nome do cão ao reprimi-lo ou puni-lo. Por exemplo:"Fred, não! Fred, sai
daí!!"
5. Expresse com o tom da sua voz e com expressões faciais quando você estiver aprovando
ou condenando o comportamento do seu cão.
6. Procure utilizar comandos fáceis e práticos, que se tornem automáticos para você. Evite ser
obrigado a consultar um dicionário para poder se comunicar com seu cão.
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TÉCNICA DO CLICK
"É difícil de acreditar que um simples clicker possa controlar animais tão grandes como baleias ou
tão pequenos como peixes tropicais, e praticamente todos os animais intermediários entre eles."
Gary Wilkes
Neste capítulo você vai aprender:
¾ A maneira inteligente de mostrar ao seu cão o que você deseja que ele faça.
¾ Sobre a ferramenta mais utilizada em adestramento animal.
¾ A reduzir a necessidade de petiscos e brincadeiras ao adestrar seu cão.
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O QUE É O "CLICKER"?
O click na essência nada mais é do que um jeito abreviado de dizer "muito bem!". Do que se trata?
É um som característico produzido por um equipamento ou pela boca e que, se bem utilizado, será
adorado pelo seu cão que passará a fazer qualquer coisa para poder ouvi-lo. A técnica do click está sendo
empregada praticamente no adestramento de qualquer animal.
O click é produzido por um clicker (apito ultra-sônico, estalo de metal, um som característico
feito com a boca, etc.).
Parece mágica? Não, não tem nada de mágico, é apenas lógico. O click é um sinal instantâneo que
serve para indicar ao animal o exato comportamento que gerou a recompensa, sendo considerado uma
recompensa secundária.
As recompensas primárias são as que realmente interessam aos animais, como água, comida,
atenção, distração, etc. As recompensas secundárias são sinais que, associados às recompensas primárias,
adquirem qualidades das recompensas primárias. Não entendeu? Lembra-se do experimento de Pavlov em
que ele tocava uma sineta e logo em seguida dava comida a um cachorro? Ao ouvir a sineta, o cachorro
sabia que iria receber a ração e começava a salivar! O click é exatamente isso, quando o cão ouve tal som
ele sabe que receberá (pelo menos imagina que receberá) uma recompensa, que pode ser carinho do dono,
um petisco, uma bola, qualquer coisa que realmente o interesse. O cão começa a adorar o som e irá
procurar fazer qualquer coisa para poder ouvi-lo e ser recompensado.
Um outro exemplo para deixar esse conceito mais claro ainda; uma recompensa primária seria sair
para 114
passear com seu cão, e a secundária seria pegar a coleira dele. Para o cachorro, o ato de pegar a coleira
dele significa: "vamos sair para passear", e então fica superanimado. Os clicks funcionam da mesma
forma.
Por que devo usar um clicker? Existem vários bons motivos para você utilizar um clicker ao
adestrar ou educar seu cão. Vamos enumerar alguns deles:
¾ É mais preciso do que um elogio falado.
¾ É mais rápido.
¾ Funciona bem a distância; é praticamente impossível jogar um petisco na boca do cachorro
no exato momento em que o comportamento adequado ocorrer. O clicker permite que haja este intervalo.
¾ O clicker reduz a necessidade de recompensas primárias, ou seja, você precisará de menos
petiscos para seu cão.
Se você não tiver um clicker ainda, não se preocupe, utilize uma palavra que funcione como click
e, assim que adquirir um clicker, troque a palavra pelo som dele. Não, você não terá que adestrar seu cão
novamente, e ainda se surpreenderá com a rapidez com que ele aprenderá que o som do clicker quer dizer
"muito bem!".
Quando for utilizar uma palavra como clicker, escolha uma que seja forte e exata. Eu gosto de
utilizar um estalo feito com a boca, já que "muito bem!" é mais longo e não permite ser tão exato. A
precisão e a rapi
115
dez são fundamentais para indicar exatamente para o cachorro qual foi o comportamento que lhe
possibilitou ganhar a recompensa. Se não contar com a ajuda de um click, seu cão terá dificuldade de
saber se recebeu a recompensa porque sentou ou porque pulou em você, se as duas coisas ocorrerem
quase ao mesmo tempo.
CONFIRA PODER AO SEU CLICKER
Para que seu clicker comece a funcionar, você tem que fazer seu cão associar o som dele a
recompensas. Quando for alimentá-lo, utilize o clicker; vai levá-lo para passear?, utilize o clicker; e assim
por diante.
Por exemplo:
1. Utilize o clicker.
2. Dê um petisco.
Para que seu cão relacione o barulho do clicker com a recompensa, procure clicar e recompensalo, no início, quase ao mesmo tempo. Você saberá que seu cão relacionou o click com a recompensa
quando, ao clicar, seu cão instantaneamente procurar a recompensa.
Leve o clicker e as recompensas para todas as aulas e utilize-os em seqüência sempre que for
recompensá-lo. Assim, por exemplo:
1° Diga "senta".
2° O seu cão senta.
3° Use o clicker e, então, recompense-o.
APRENDA A CAPTURAR UM COMPORTAMENTO COM SEU CLICKER
Faça um teste para começar a aprender a utilizar o clicker, mas não se esqueça de antes relacioná-
lo com
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recompensas. Segure uma guloseima que seu cachorro adore, após alguns segundos ele ficará impaciente
e fará alguma coisa como latir, levantar a pata, etc. Escolha um dos comportamentos e dique no exato
momento em que ele o estiver fazendo, e em seguida recompense-o. Depois aguarde novamente o
momento exato, dique e recompense-o novamente. Repita o processo várias vezes.
Vamos supor que você esteja clicando toda vez em que ele estiver latindo - assim que ele entender
que precisa latir para ser recompensado, espere um pouco até que ele passe a latir duas vezes para receber
a recompensa, e assim por diante. Um procedimento deste tipo poderá estimular o cão a latir tão
intensamente que, em pouco tempo, nem você nem a vizinhança conseguirão dormirem paz!!! Todos os condicionamentos podem ser feitos dessa mesma maneira, mas, para cada um deles,
existem truques para conseguirmos que o cachorro assuma certas posições ou atitudes sem que
precisemos esperar muito para que isso aconteça naturalmente.
Um outro exemplo é como ensinar o comando JUNTO:
Caminhe com o seu cão num parque ou na rua com uma guia comprida, seu cão passará à sua
frente, irá para trás, para todos os lados e, em alguns momentos, ficará na posição "junto" (ao seu lado).
Clique só quando seu cachorro estiver nesta posição e recompense-o em seguida. Em pouco tempo seu
cachorro descobrirá esta posição maravilhosa que faz soar o clicker, e você terá capturado o
comportamento desejado.
APERFEIÇOE O COMPORTAMENTO COM O CLLCKEIR
Após capturar o comportamento, devemos aos poucos aperfeiçoá-lo. Muitas vezes devemos
capturar um outro comportamento parecido e aperfeiçoá-lo, até chegar ao desejado. O caso do "deita", por
exemplo:
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Seu cão sentou-se obedecendo ao comando "senta", daí você deve capturar cada movimento que
seu cachorro fizer para descer (isto é, para deitar-se), sem cair na tentação de puxá-lo para baixo com a
guia, o que é uma péssima idéia, pois essa manobra atrasará o adestramento e relacionará desconforto ao
comando "deita", Aos poucos, seu cão vai se abaixando cada vez mais e logo estará deitando. Uma vez
que tenha aprendido, só clique e recompense-o quando atingir a posição deitada.
Voltando para o já capturado comando "junto", para aperfeiçoá-lo, basta fazer o cachorro manter
cada vez por mais tempo a posição até ouvir o click e receber a recompensa.
CONFIRA AINDA MAIS PODER AO SEU CLICKER
Toda vez que utilizar o clicker será preciso também dar a recompensa? Não.
Para capturar um comportamento, sim, mas depois que ele o compreendeu, vá reduzindo as vezes
que você o recompensa. Ou seja, no começo, para cada click ele recebe um biscoito; depois, a cada dois
ou três clicks ele terá um biscoito, e siga espaçando cada vez mais.
É importante mencionar que seu cachorro deve acreditar que cada vez que você clicar ele ganhará
a recompensa. Uma boa comparação seria com uma máquina caça-níqueis, em que toda vez que você
enfia uma moeda você espera ganhar, e continua colocando, mesmo sabendo que não ganhará todas as
vezes. É assim que o click deve funcionar, o cão saberá que fez correto e que terá uma chance de ganhar.
Suponhamos que o caça-níqueis estivesse viciado e premiasse sempre na quinta moeda, você esperaria
que outros jogassem até
118
a quarta e só então você colocaria a sua moeda. A mesma coisa pode acontecer com o click, por isso
devemos procurar dar o reforço esporadicamente, variando os intervalos, sem uma periodicidade constante. Assim, por exemplo, recompense-o na primeira vez que você clica, depois só na quinta, na sexta, na
décima, etc.
Treinadores profissionais entram nas provas de adestramento e trabalham com o cachorro durante
toda prova sem dar nenhuma recompensa primária, mas os cães julgam ter a chance de ganhar a recompensa em cada exercício que fazem.
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APLICAÇÃO PRÁTICA
1. Escolha um objeto (clicker) que produza um som rápido e instantâneo para que possa ser utilizado
no adestramento.
2. Dê poder ao seu clicker, clique e recompense seu cão seguidas vezes, até ele relacionar o click
com a recompensa.
3. Antes de tentar capturar o comportamento do cão com o clicker, leia o capítulo sobre coman dos e
estude qual o truque específico que irá usar para cada comando.
4. Vá modelando e aperfeiçoando o comportamento do seu cão aos poucos; passe a recompensá-lo
menos vezes e só nas melhores performances.
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COMANDOS Ensine seu cão com carinho e dedicação que a resposta retomará da mesma forma... O que
semeamos é o que colhemos.
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Que o comando oral só deve ser utilizado depois do cão ter aprendido o comportamento.
¾ Como ensinar o comportamento desejado antes do comando.
¾ A seguir passo a passo as diversas etapas do adestramento.
¾ Em divisões específicas para cada comando, como captar, modelar e fixar os
comportamentos desejados (senta, junto, etc.).
¾ A ensinar truques, jogos e brincadeiras para seu cão.
¾ Como planejar a ensinar qualquer comando.
121
SENTA
Gesto:
Comando oral: SENta (enfatizar a sílaba SEN).
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O COMANDO
SENTA deve ser o primeiro ou um dos primeiros comandos a serem ensinados. Deve-se principiar
pelos comandos mais simples, pois é mais difícil ensinar um cão que ainda não entendeu a lógica do
adestramento. Quanto mais comandos seu cão aprender, mais rápido aprenderá outros.
PARA CAPTURAR O COMPORTAMENTO
Para isso é necessário induzir o cão a sentar, procurando não causar nenhum desconforto que
possa ser relacionado com o aprendizado.
Uma ótima maneira de fazer o animal sentar é segurar alguma recompensa acima da cabeça dele e
esperar que ele se sente. Assim que ele se sentar, use o clicker e dê a recompensa. Não deixe de dar a
recompensa mesmo que ele tenha saído da posição desejada após o click.
Atenção: Nesta fase não diga "senta" ainda. Isto é importante! Não queremos que seu cão associe
incertezas e ansiedade com a palavra "senta". Caso ele permaneça sentado depois do click e da
recompensa, desloque-se um pouco até que o cachorro fique de pé novamente e, assim que ele se sentar
de novo, use o clicker e recompense-o.
122
Repita o exercício até que seu cão passe a sentar-se todas as vezes que você erguer alguma recompensa.
RELACIONE 0 COMPORTAMENTO AO COMANDO ORAL E GESTUAL
Quando seu cão já estiver sentando sistematicamente toda vez que você erguer uma recompensa,
você já pode começar a relacionar o comando oral ao ato de sentar. Procure dizer o comando e fazer o
gesto somente quando você estiver certo de que o cachorro sentará e, também, somente quando ele estiver
interessado na recompensa.
MODELE O COMPORTAMENTO
Após o cão ter relacionado o comando SENTA com o ato de sentar, comece a não erguer a recompensa. Dê o comando somente uma vez e, quando ele sentar, use o clicker e recompense-o. Caso ele não
entenda o que você está querendo, volte a erguera recompensa e espere-o sentar.
Aos poucos não será necessário erguer a recompensa, somente o comando será suficiente. Após
ter atingido este ponto, comece a deixar a recompensa cada vez menos óbvia - por exemplo, dentro do seu
bolso -, peça ao seu cão para sentar, clique assim que ele o fizer, retire a recompensa do bolso e dê a ele.
Lembre-se de que, assim que você clicar, ele tem o direito de sair da posição para buscar ou pegar a
recompensa. Comece a rarear a recompensa, ou seja, use o clicker mais vezes do que aquelas em que o
recompen-
123
sar. Procure recompensá-lo sempre que tiver uma ótima performance, e não o recompense quando
demorar para responder ou sentar muito lentamente.
DIFICULTE E VARIE AS SITUAÇÕES
Comece a variar os locais em que seu cão terá que se sentar para receber a recompensa, e espere
cada vez um pouco mais para clicar e dar a recompensa. O cachorro, além de sentar prontamente, terá que
se manter nesta posição até ouvir o click.
PROBLEMAS E SOLUÇÕES
O que fazer se seu cão pular, reatar e não sentar?
Cuidado, não force a traseira dele contra o chão e tampouco o enforque, pois essas sensações
desagradáveis serão relacionadas com o comando. É necessário ter paciência, procure manter a
recompensa com você e, sempre que seu cão assumir a posição sentada, ofereça imediatamente a
recompensa. Ele relacionará mais cedo ou mais tarde a posição sentada com a recompensa, aí se tornará
cada vez mais fácil fazê-lo sentar. Outra maneira de induzi-lo a sentar é fazê-lo chegar perto da parede e
oferecer a recompensa acima da cabeça dele; não podendo recuar, ele provavelmente sentará.
124
O cão não está interessado na recompensa, o que fazer?
Procure uma outra coisa para oferecer ao seu cachorro, ou aumente a atração dele pela recompensa
brincando você mesmo com ela e ignorando-o. Assim que ele mostrar interesse, tente novamente.
Se mesmo assim seu cão não estiver interessado na recompensa, amarre-o num poste ou numa
árvore e distancie-se dele, somente quando ele se sentar você vai se aproximar dele fazendo a maior festa.
Logo o cão notará que você só vem até ele quando ele se senta. Às vezes, pelo simples fato de estar
amarrado, seu cão passará a prestar mais atenção em você ou na recompensa.
O que se deve fazer quando o cão só se interessa pela recompensa em algumas situações?
Não se preocupe, peça para seu cão se sentar somente nas situações em que ele estiver interessado
na recompensa e, aos poucos, o seu cão se interessará cada vez mais pela recompensa e o obedecerá em
qualquer situação.
VEM
Gesto:
Comando oral: VEM.
125
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O COMANDO
Geralmente, este é o comando mais útil, por isso, preste atenção:
Sempre que você utilizar este comando, tenha certeza de ter algo do interesse do seu cachorro à mão, caso
contrário ele poderá começar a avaliar se vale ou não a pena ir até você toda vez que você o chamar. Se
você castigá-lo após chamá-lo, ele associará que ir até você é uma conduta errada.
Como dissemos nos outros capítulos, é importante que o cão não associe nada negativo aos
comandos, principalmente o VEM. Por isso, se você já está acostumado a chamar o seu cachorro com o
VEM, por favor, passe a utilizar outro comando para chamá-lo para vir até você, e assegure-se de que, a
partir de agora, você terá todo cuidado para não relacionar nada de desagradável com a nova palavra de
comando.
Quais as relações negativas que geralmente são associadas ao VEM? Muitas, como chamar seu cachorro para tomar remédio, tomar banho, recolher-se ao canil, levar
bronca, e até mesmo para finalizar um passeio no parque.
O difícil deste comando não é ensiná-lo ao cachorro, o difícil é não desensiná-lo. Várias vezes
você precisa ou quer que o cachorro venha até você, mas só utilize o comando quando tiver uma
recompensa boa ou, no mínimo, quando puder fazer bastante festa para ele.
Sempre que precisar fazer algo desagradável com seu cão, use truques para conseguir Pegá-lo,
mas nunca comandos, caso contrário o comando perderá completamente a eficiência.
Dica: Para poder usar a palavra vem sem preocupação nas situações corriqueiras, adote uma outra
palavra não tão comum para servir de comando para chamar o cachorro até você instantaneamente. Esta
diferenciação é importante para que você possa ter uma resposta certa e imediata do seu cão quando você
realmente precisar. Quantas vezes já vimos animais correndo em direção a um potencial perigo enquanto
os donos
126
se esgoelam chamando-os inutilmente.
CAPTURE O COM?ORTAMENTO
O adestramento do vem, em si, é muito fácil: basta dizer a palavra e mostrar a recompensa. No momento
em que ele chegar até você, dê a ele a recompensa.
Diga VEM, alegremente. Este comando deve se utilizado juntamente com o nome do cachorro. Por exemplo: "Fred, VEM".
RELACIONE O COMPORTAMENTO AO COMANDO
Ao capturar o comportamento, o comando já pode estar associado, uma vez que, desde o princípio
seu cão correrá para você assim que enxergar a recompensa. Logo que seu cão relacionar a palavra com a
recompensa, comece a associar o comando oral com o gesto.
MODELE O COMPORTAMENTO
Assim que ele aprender que toda vez que você disser o comando ele deverá ir até você para
receber a recompensa, comece a combinar o comando SENTA, em frente de você, antes de dar-lhe a
recompensa. Ou seja, em primeiro lugar você vai chamá-lo e depois vai pedir para que se sente antes de
dar a recompensa. Como para os demais comandos, depois que seu cão entender perfeitamente este
comando, não deixe a recompensa tão óbvia, para que ele o obedeça independentemente de avistar ou não
o prêmio.
127
DIFICULTE E VARIE AS SITUAÇÕES
Comece a empregar o comando em situações e em lugares diversos, para isto utilize uma corda
comprida mas leve e sutil, para que seu cão perceba o menos possível que está amarrado a ela. Deixe que
ele se distancie um pouco, prepare a recompensa, diga o comando, atraia o cão até você fazendo festa e
puxando levemente a corda, em seguida lhe dê a recompensa.
Se a corda for a ideal — seu cachorro não percebe que está amarrado a ela —, toda vez que você
chamá-lo, ele achará que tem de ir na sua direção e pronto. Treine o vem na presença de gatos, pessoas ou
qualquer outra coisa pela qual seu cão se sinta atraído, para poder ter certeza de que ele atenderá ao seu
comando em qualquer situação.
PROBLEMAS E SOLUÇÕES
O que fazer se o cão ignorar o chamado quando não estiver amarrado a uma corda?
Procure utilizar uma outra recompensa mais Atrativa ou uma corda menos óbvia para ele.
DEITA
Gesto: Comando oral: DEita (pronuncie o DEI mais forte).
128
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O COMANDO
Como no caso do senta e de alguns outros comandos, procure fazê-lo adquirir tal posição sem desconforto. Uma das coisas que devem ser evitadas é puxar o enforcador para baixo para fazer o cão deitar.
CAPTURE O COMPORTAMENTO
Geralmente é mais fácil fazer o cachorro deitar depois de sentar, portanto ensine primeiro o
SENTA, e só depois de bem ensinado introduza o DEITA.
Coloque o cão na posição sentada (clique e recompense-o).
Toque o focinho do cachorro com a recompensa e abaixe-a devagar numa posição em que
praticamente toque o chão entre as patas dianteiras de seu cachorro, ele deve seguir a sua mão apenas com
o focinho, ficando um pouco "corcunda", aí clique e recompense-o. Caso ele saia com o corpo da posição
sentada para seguir sua mão, pare e recomece da posição sentada (sem recompensá-lo). Repita algumas
vezes.
O próximo estágio parte também da posição sentada, só que agora mova sua mão direta e
rapidamente para o chão. O cachorro receberá o clique e a recompensa assim que tocar sua mão com o
focinho. Vá distanciando a sua mão aos poucos, obrigando o cachorro a deitar. A cada progresso que ele
obtiver, clique e recompense-o.
Aos poucos seu cachorro irá deitar cada vez mais rapidamente e com mais confiança; espere então
cada vez mais um pouco para clicar e recompensá-lo para que ele fique por mais tempo na posição
deitada.
129
RELACIONE O COMPORTAMENTO AO COMANDO
Agora que seu cão realmente aprendeu a deitar, introduza a palavra DEITA um pouco antes ou no
exato momento em que ele começar a deitar e, assim que ele acabar de deitar, clique e recompense-o.
Toda vez que falhar, volte e refaça o exercício anterior. Procure ir trans-formando aos poucos o
movimento da sua mão com a recompensa no gesto de deitar, até que o cão deite somente com o gesto e o
comando.
MODELE 0 COMPORTAMENTO
Assim que seu cachorro estiver fazendo bem o exercício, alterne-o com alguns outros comandos,
somente fazendo soar o click e entregando-lhe a recompensa se ele efetuar o comando correto.
Recompense-o ainda mais por performances perfeitas.
DIFICULTE E VARIE AS SITUAÇÕES
Após o cão ter deitado, vá aumentando o tempo até clicar e recompensá-la. Peça para ele deitar
nas mais diversas situações, até na frente de outros cães ou diante de algo de muito interesse para ele.
Antes de soltá-lo no parque, ou antes de deixá-lo passar por uma porta, peça-lhe para deitar-se.
PROBLEMAS E SOLUÇÕES
E se o cão que estava sentado resolver levantar a parte traseira para alcançar a recompensa em vez
de deitar?
Progrida lentamente, volte para a posição senta e não o recompense a não ser que faça o
movimento correto, contente-se com um pequeno passo de cada vez.
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FICA Gesto:
Comando oral: Fica (pronuncie o FI mais fortemente).
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O COMANDO
FICA é também um comando muito útil. Imagine se você, ao ir passear com seu cão, resolve
entrar numa loja para dar uma olhada. Se o seu cachorro souber esperá-lo do lado de fora, ótimo! O dono
da loja ficará contente, e você mais ainda.
Antes que você comece a ensinar o FICA, lembre-se de que, acabado o tempo necessário, deve
liberá-lo toda vez que pedir para que ele fique. Não que ele vá ficar congelado nesta posição para sempre,
mas, se você não liberá-lo, nunca conseguirá manter seu cachorro por mais de alguns instantes nesta
posição. E, se isso acontecer, o cachorro tomará para si a decisão de sair da posição quando achar que é
conveniente, o que não é exatamente o que você pretende; além do mais, o fato de ser obrigado a tomar
esta decisão causa uma ansiedade negativa no cachorro, acabando por influenciá-lo a sair da posição o
mais rapidamente possível.
As pessoas encontram dificuldades em ensinar o fica por dois motivos principais. Em primeiro
lugar, o cachorro pode achar que está sendo abandonado pelo dono e sair correndo em sua direção. antes
que ele escape. O outro motivo é o excesso de distrações em volta do animal, que torna a posição FICA a
coisa mais chata do mundo.
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São problemas simples mas, pelo fato de o cachorro se sentir recompensado, nos dois casos,
quando sai da posição, devemos agir com muita cautela, caso contrário nós o estaremos ensinando a não
cumprir o comando. Por que em ambos os casos ele se sente recompensado? Por que o sucesso é uma das
melhores recompensas que existem, e nos casos descritos ele é bem sucedido naquilo que pretendia, já
que quando saiu da posição pretendia ir para perto do dono ou, então, xeretar outras coisas.
Independentemente do que acontecer depois, ele foi recompensado no exato momento em que saiu da
posição, e isto é péssimo.
Quais as dicas para superarmos estes problemas?
Primeiro, escolha um ambiente calmo, de preferência sua casa, pois, além de não haver muitas
novidades em volta, ele não se sentirá abandonado se você se distanciar um pouco dele. Viu que fácil?
Outra maneira é amarrá-lo, sem que ele perceba, para que a tentativa fracasse, caso ele tente segui-lo.
CAPTURE O COMPORTAMENTO
Peça para seu cachorro sentar ou deitar e, assim que ele efetuar o comando, recompense-o. Aos
poucos, vá aumentando o tempo de permanência até o momento de clicar e recompensá-lo. Caso ele
esteja saindo da posição antes de você liberá-lo, o período está grande demais. Evite fazer seu cão errar e,
sempre que ele errar (sair da posição), não o recompense.
RELACIONE O COMPORTAMENTO AO COMANDO
Assim que o cão entender que precisa esperar para receber a recompensa, estará na hora de
introduzir o comando oral e gestual do FICA. Assim que seu cão sentar, diga "fica", faça o gesto, espere
alguns segundos e recompense-o.
132
MODELE O COMPORTAMENTO
Comece a recompensá-lo somente quando ele se mantiver na posição corretamente, sem alterar a
posição dos membros. AUMENTE O ESTRESSE E VARIE AS SITUAÇÕES
Nesta etapa, comece a se distanciar um pouco do cão antes de voltar e dar-lhe a recompensa. Dê
um passo para trás, volte e recompense-o. No início, não tire o olho do cachorro para ele saber que o
exercício não acabou e, aos poucos, vá mostrando que você não precisa estar prestando atenção nele para
que, depois de alguns segundos, ele seja recompensado.
Comece a olhar para os lados, vá se distanciando cada vez mais, ande em volta do cachorro e
sempre o recompense quando voltar até ele.
Se você desconfiar que ele vai errar por algum motivo, no caso de um gato passar por perto, .por
exemplo, faça-o fracassar! Prenda-o novamente, sem que ele perceba, e caso ele saia da posição para
perseguir o gato terá um surpresa: um tranco no pescoço! Mas preste atenção, não grite nem dê bronca,
você não quer que o cão relacione o tranco no pescoço com você.
Outra forma de variar a situação é você sair correndo ou pular por cima dele ou ir conversar com
amigos, etc. Até o momento em que seu cachorro não saia da posição de maneira nenhuma sem que você
o libere!
PROBLEMAS E SOLUÇÕES
E se ele ficar um tempinho e depois sair da posição?
Vá mais devagar qualquer erro prejudica muito o aprendizado. Mas, quando ele errar, procure
fazer que a intenção dele falhe. Por exemplo, se ele saiu para correr até você, não lhe dê
133
atenção nem recompensa, ignore-o por um tempo e depois peça-lhe que volte para a posição inicial e
recomece novamente.
Atenção: Acostume-se a não ficar repetindo os comandos. Os cães podem entender que
determinado comando só deve ser efetuado se falado algumas vezes, ou que você realmente só quer que
ele o efetue quando repetir várias vezes.
JUNTO
Gesto:
Comando oral: JUNto (pronuncie o JUN mais fortemente).
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O COMANDO
Como nos demais comandos, procure ensiná-lo num lugar calmo onde você já seja o atrativo
principal, até que você também o seja nos outros locais.
Passear sem puxar a guia não é JUNTO. JUNTO é um comando, e passear sem puxar a guia
deverá ser sempre algo natural para o seu cachorro, por isso, se for este seu interesse, estude o capítulo de
como ensinar o seu cachorro a não puxar a guia.
Este exercício pode ser feito com a guia, desde que seja sutil, fique frouxa e não seja usada como
símbolo de autoridade, para que o cão não associe o JUNTO a punição e o obedeça com ou sem a guia.
134
CAPTURE O COMPORTAMENTO
Primeiramente, vamos capturar o comportamento do JUNTO, isto é, cada vez que ele assumir a
posição junto, vamos clicar e recompensá-lo. Podemos guiá-lo para a posição mostrando a recompensa.
O ideal é ensinar este comando quando estiver passeando com ele com o auxílio de uma guia
comprida, pois ele irá para todo lado, para frente, para trás e, por acaso, ficará algumas vezes na posição
JUNTO.
Dê uma batidinha com a mão na perna quando ele tiver adquirido tal posição, clique e recom-pense-o imediatamente. Ao fazer isso, procure deslocar-se vagarosamente para que o cão entenda que o
junto é uma posição relacionada a você.
RELACIONE O COMPORTAMENTO AO COMANDO
Logo o seu cão perceberá que, toda vez que estiver ao seu lado e quando você bater a mão na
perna, poderá ganhar a recompensa. Diga "junto" antes de clicar e recompensá-lo.
MODELE O COMPORTAMENTO
Siga andando e recompense-o toda vez que estiver na posição correta. Comece a mudar de direção
e a modificar o ritmo das passadas, continue clicando e re-compensando-o se ele mantiver essa posição.
Comece a espaçar mais as recompensas e nunca deixe óbvio para o cão quando irá clicar e dar a
recompensa. Por exemplo, clique e dê a recompensa no primeiro passo, depois no quinto, no sexto, depois
só no décimo e assim por diante. O objetivo é deixar o seu cachorro na expectativa de receber a
recompensa a qualquer momento, assim ele vai se manter ao seu lado, na posição correta, pronto para ser
recompensado.
Procure utilizar o comando como parte da recompensa, isto é, diga JUNTO com alegria e
entusiasmo. Quanto mais satisfação for relacionada com o comando, me
135
Ihor. Procure utilizar a palavra quando o cão estiver mantendo a posição correta e não quando ele se
distanciar e você chamá-lo para corrigir, para não criar uma relação negativa (punitiva) com o comando.
DIFICULTANDO E VARIANDO AS SITUAÇÕES
Comece a andar em ziguezague, mude de direção e de velocidade, e só o recompense se mantiver
a posição do JUNTO.
PROLEMAS E SOLUÇÕES
Não consigo ensinar meu cão a não puxar a guia durante os passeios, posso ensinar o junto?
Sim, não há nada que o impeça, só que isso provavelmente não resolverá o problema do puxar a
guia durante os passeios.
BUSCA
Gesto:
Comando oral: BUSca (pronuncie o BUS mais fortemente).
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O COMANDO
A maioria dos cães adora buscar objetos naturalmente, mas poucos os devolvem ao seu dono.
Seguindo as instruções descritas aqui, você não terá este problema.
136
CAPTURE O COMPORTAMENTO
A captura deste comando será facilitada se você de vez em quando pegar um brinquedo do seu
cachorro e jogá-lo longe; assim que seu cachorro for até lá e pegá-lo, faça festa, mas não corra atrás dele.
Elogie-o a distância. Caso ele se aproxime com o objeto na boca, faça mais festa ainda.
Você não deve correr atrás do cachorro, pois ele interpretará o ocorrido como uma ótima maneira
de chamar sua atenção, e começará a fazer isto mais e mais vezes.
Aos poucos, ignore-o caso ele não volte com o brinquedo até você, logo ele perceberá que a
brincadeira só atrai a sua atenção se ele voltar até você.
Assim que ele estiver voltando sistematicamente, introduza a palavra "busca". Ele não estará devolvendo ainda o brinquedo para você, e nem você estará tentando tirá-lo dele.
Este é mais um dos motivos pelos quais é melhor não ensinar o cachorro a brincar de disputar a
posse de um objeto (o famoso cabo-de-guerra), já que muitas vezes a recompensa é o próprio objeto; é
preciso que seu cão saiba que tirar algo da boca dele não é brincadeira, é sério, e ele deve largá-lo assim
que você pedir. Parece triste, não poder brincar de cabo-de-guerra com seu cão, mas, acredite, ele
inventará inúmeras outras brincadeiras com você.
Agora que ele sempre fica a seu alcance logo após você ter jogado um brinquedo, é hora de
começar a tirá-lo dele. Uma das maneiras de fazer isso é dar um petisco como recompensa; para poder
pegá-lo, ele será obrigado a abrir a boca e soltar o brinquedo.
Preste atenção: elogie-o por ele ter voltado até você, aí pare de elogiar, praticamente ignorando-o,
até tirar o brinquedo da boca dele; mas, assim que o objeto estiver com você, elogie-o e recom-
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pense-o, ignorando totalmente o objeto. Isto é feito para que o cão não relacione o elogio com a tentativa
de tirar o objeto, pois, se essa associação ocorrer, seu cão vai disputar cabo-de-guerra toda vez que
trouxer algo para você.
Outro cuidado é com a recompensa - às vezes, o cachorro está tão interessado na recompensa que
não vai buscar nada, por isso é mais fácil ensiná-lo através da brincadeira até que ele entenda que, para
receber a recompensa, é necessário buscar o objeto.
RELACIONE O COMPORTAMENTO AO COMANDO
Assim que seu cão já estiver trazendo regularmente o objeto para você, comece a relacionar o comando e o gesto todas as vezes que arremessar o brinquedo.
MODELE O COMPORTAMENTO
Ensine-o a ir buscar o objeto somente quando você falar, para isto prenda uma cordinha fina na
coleira de seu cão, segure-a firmemente com a mão ou pise em cima, prendendo-a com o pé, atire o objeto
mas não peça para ele ir buscar. O cão provavelmente sairá correndo e será surpreendido com um tranco
no pescoço. Peça para ele deitar e aí estimule-o a ir buscar, sem prender a cordinha, mostrando ao cão que
ele não levará tranco no pescoço quando você der o comando BUSCA.
Comece a estimulá-lo a buscar cada vez mais rapidamente, e a trazer o objeto para você em linha
reta; para isso diga busca com entusiasmo e, assim que seu cão apanhar o objeto, corra para o lado oposto,
fazendo-o correr para alcançá-lo.
138
DIFICULTE E VARIE AS SITUAÇÕES
Comece a substituir os objetos para que ele entenda o busca com qualquer objeto. Os primeiros
devem ser brinquedos de que ele goste bastante, mas, depois que ele já tiver entendido a brincadeira,
qualquer objeto servirá, pois ele estará interessado na recompensa (que pode ser sua atenção, a simples
brincadeira ou alguma outra coisa).
PROBLEMAS E SOLUÇÕES
Como ensinar o busca a um cão que corre atrás do objeto mas não apanha?
Ensine-o primeiramente a morder um objeto sob comando; para isso, pegue algo que ele morda,
como um osso, dê para ele, clique e recompense-o. Aos poucos, vá substituindo os objetos e aguarde mais
para clicar até seu cão "acostumar-se" a segurar o objeto com a boca.
E se o cachorro pegar o objeto mas não voltar?
É o problema mais comum e é facilmente resolvido. Corra para o lado oposto, estimulando-o a vir
atrás de você. Recompense-o sempre que ele vier até você carregando o objeto, mesmo que no começo só
carregue por alguns metros; estimule-o verbalmente (falando "muito bem!"), enquanto ele estiver com o
objeto na boca, e pare imediatamente assim que ele largá-lo.
PULA
Gesto: aponte para o obstáculo. Comando oral: UPA.
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INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O COMANDO
Ensinar os cães a saltar sobre obstáculos além de divertido pode se tornar útil em algumas caminhadas
mais rústicas, mas não estimule seu cão a pular obstáculos altos antes de se tornar adulto, pois o impacto
contra o chão pode prejudicar irreversível mente a estrutura óssea e muscular do cão.
CAPTURE O COMPORTAMENTO
Para capturar o comportamento, primeiramente devemos estimular o cão a simplesmente passar
por cima de um cabo de vassoura ou uma corda no chão. Cada vez que ele passar por cima, clique e
recompense-o. Aos poucos, vá aumentando a altura do obstáculo, estimule-o a passar por cima, clicando
no exato momento em que o cão pular ou passar por cima do obstáculo. O cão relacionará rapidamente
que o que gera a recompensa é pular por cima do obstáculo, e não passar por baixo ou contornar.
Uma das maneiras de se conseguir que o cão passe pelo obstáculo é mostrar a recompensa no lado
oposto a ele, estimulando-o a ir buscá-la.
140
RELACIONE COM O COMANDO
Assim que seu cão começar a saltar sistematicamente o obstáculo, introduza o comando upa um
pouco antes dele saltar, clique no exato momento do salto e recompense-o em seguida.
MODELE O COMPORTAMENTO
Alguns pulam tocando o obstáculo. Quando seu cão saltar mas tocar o obstáculo, não o
recompense. Recompense-o somente pelos melhores saltos. Lembre-se de ir modelando o comportamento
aos poucos, não exija um salto perfeito logo no começo.
DIFICULTE E VARIE AS SITUAÇÕES
Aumente a altura e varie os obstáculos. Comece a apontar os obstáculos que seu cão deverá pular.
Aponte para cadeiras, troncos deitados, etc.
PROBLEMAS E SOLUÇÕES
E se o cão se limita a dar a volta no obstáculo e se recusa a pular?
Recomece o treinamento. Não o force a pular, pois seu cão pode adquirir medo dos obstáculos.
PLANEJAMENTO DE COMANDOS AVANÇADOS
Se já ensinou os comandos básicos para o seu cachorro, está na hora de você planejar outros
ensinamentos. Todos seguem a mesma rotina, mas quanto melhor você entender o seu cão, mais fácil
serão os novos aprendizados.
Apesar de mais avançados, o seu cão provavelmente os aprenderá
141
com muito mais facilidade, pois já existe uma comunicação mais eficiente entre vocês, e seu cão já sabe
que você está tentando lhe ensinar algo.
Primeiro, comece a combinar comandos. Por exemplo, diga "fique" para seu cachorro, vá esconder
algo, e então diga a ele para ir buscar; na volta, peça para ele se sentar à sua frente e retire o brinquedo.
Tudo isto pode ser considerado um único exercício, e seu cão saberá que deverá fazer tudo corretamente
para receber a recompensa. Mas vá devagar, evite a todo custo que ele erre.
Pense o que você quer ensinar a ele, depois divida em etapas fáceis e lógicas. Vamos seguir um
exemplo: você quer que o seu cão busque objetos identificados pelo nome.
Uma maneira não muito inteligente seria esperar que ele acertasse naturalmente, e só então você o
recompensaria. Além de ser um processo demorado, você pode acabar treinando o cachorro a não buscar
objetos, já que a maioria das vezes que o fizer ele não receberá nenhuma recompensa, já que. trará objetos
diferentes daqueles que você pediu pelo nome.
142
Devemos dividir o treinamento em duas partes:
1. O comando busca, que seu cachorro já deve conhecer bem, 2. e a identificação de objetos.
Como seu cachorro já sabe o BUSCA, vamos ensiná-lo a identificar os objetos. Uma das maneiras
é assim:
A. Segure o objeto (chaves do carro, jornal, etc.) na frente do seu cachorro.
B. Clique e recompense-o quando ele o investigar (cheirar).
C. Repita o processo várias vezes.
D. Quando seu cão começar a tocar nos objetos para conseguir a recompensa, comece a falar
os nomes um pouco antes de ele tocá-los.
E. Ensine, pelo menos, o nome de dois objetos.
F. Coloque três objetos no chão e diga o nome de um deles. Só dique e recompense seu
cachorro quando ele identificar o objeto corretamente.
Agora, seu cachorro já sabe buscar e também identificar objetos, e você já pode pedir para que ele
busque um objeto determinado, mas só o recompense se ele buscar o correto. Pronto, não é tão difícil
assim.
Podemos ensinar uma infinidade de coisas aos nossos cães, o truque é planejar o aprendizado em
etapas fáceis e óbvias.
143
NÃO COMER COMIDA ENVENENADA
Infelizmente é muito comum a morte de cães por envenenamento proposital. Este ensinamento
previne muitos acidentes e pode salvar a vida do seu cão. Como qualquer condicionamento, não basta
ensinar uma vez e esquecer-se do assunto. Lembre-se de verificar se o seu cão continua recusando
alimentos atirados no seu quintal.
Será mais fácil condicionar seu cão se ele estiver acostumado a receber comida somente dos donos
ou apenas em sua vasilha de ração (de preferência sempre no mesmo local).
‘A punição para o comportamento errado obviamente deve ser despersonalizada, pois queremos
que o cão não ingira alimento atirado, independentemente da nossa presença, e para isso devemos montar
armadilhas punitivas. Planeje cuidadosamente a situação para que se assemelhe o mais possível a um
acontecimento real. Isto envolve uma pessoa estranha, para o seu cão, jogando o alimento. Lembre-se de
não tocar no alimento para não deixar o seu cheiro, pois o cão poderá relacionar o seu cheiro no alimento
à punição e poderá ingerir o alimento quando ele não tiver o seu cheiro!
A maneira mais eficiente e segura que encontrei para condicionar os .cães a não comer alimentos
envenenados é usando um choque elétrico fraquíssimo que não fornece nenhuma pista de que é uma
armadilha para seu cão, o que não acontece com qualquer substância amarga que poderíamos utilizar para
essa finalidade e
144
que poderia ser descoberta pelo cheiro, além de que, ao ser ingerida, poderia causar alguma alergia ou um
problema digestivo para o cão.
Atenção: Não ligue a carne diretamente na corrente elétrica (110 V), pois isto pode matar o
seu cão!
O choque elétrico deve ser muito fraco, para causar somente um pequeno desconforto, obrigando
o cão a largar o alimento. Mesmo que ao testar com a sua mão o choque pareça ser fraco demais e você
tenha dificuldades para percebê-lo, não se preocupe, seu cão provavelmente sentirá, pois ele tentará pegar
o alimento com a boca, que é úmida, conseqüentemente permitindo a passagem de corrente mais forte.
Utilize a armadilha em diversos locais e com diversos alimentos, sempre tentando imitar o que
realmente poderia acontecer.
Em seguida, apresentamos uma sugestão de como montar uma armadilha segura para punir seu
cão. Advertência: esta montagem só deve ser feita por pessoas capacitadas a trabalhar com
eletricidade.
Lembre-se de que você pode testar com a mão e sentirá um choque fraquíssimo.
1. Compre um fio elétrico fino do comprimento de seja do, instalando uma resistência de 1 meghom
para que o choque fique extremamente fraco.
2. Amarre uma das pontas do fio no alimento (por exemplo, carne crua) e a outra ligue na tomada no
pólo que dá choque. Encoste um dedo no alimento outro no chão, para verificar se há corrente. 3. Peça para alguém jogar o alimento no quintal e observe disfarçadamente seu cão tentar pegar o
alimento.
Se ainda assim seu cão ingerir o alimento, verifique
145
se o sistema elétrico está funcionando. Se estiver, será o caso de aumentar o choque ligando mais resistências de 1 meghom em paralelo (até um limite de 4, no máximo), até que seu cão "sinta" o choque e
desista de pegar a carne. Teste você antes para ter certeza de que o sistema está funcionando para não
prejudicar o aprendizado de seu cão.
TRUQUES, JOGOS E, BRINCADEIRAS
CUMPRIMENTA
Para ensinar este comando, parta do SENTA e clique e recompense cada movimento que seu cão
fizer para ficar na posição desejada. Para estimulá-lo a adquirir a posição, segure a recompensa acima do
cão sentado, bem próximo à cabeça dele, estimulando-o a se esticar para conseguir pegá-la. Ou seja, se
ele levantar uma pata, dique e recompense-o e, aos poucos, exija que se levante cada vez mais. Caso ele
pule, não o recompense e comece novamente.
FRISBEE - FREE STYLE
Jogar frisbee (disco de plástico leve, próprio para arremesso) com cães é um esporte já bem
difundido nos EUA, e assistir cães bem treinados é um espetáculo. Os cães ativos costumam adorar esse
esporte, que tem a característica de ser pouco desgastante para o proprietário, já que é o cão que corre,
pula e traz o frisbee de volta.
146
O esporte nada mais é do que lançar o frisbee e seu cão trazê-lo de volta, mas você pode
incrementá-lo aos poucos. Ensine seu cão a saltar e pegar o frisbee no ar, o que, com a prática, seu cão
naturalmente começará a fazer, depois comece a associar os comandos, como, por exemplo, pedir para
seu cão pular por cima de você, ao mesmo tempo que você arremessa o frisbee.
Procure recompensar seu cão utilizando o método do click até que a brincadeira passe a ser a
própria recompensa. Por exemplo, peça para seu cão pular sobre você e só jogue o frisbee para ele buscar
após ele ter pulado e, quando ele trouxer o frisbee, clique e ofereça algum petisco, o que o fará largar o
disco. Aos poucos seu cão curtirá tanto a brincadeira que não será mais necessário o petisco.
ACOMPANHAR A BICICLETA
Uma ótima maneira de reduzir a ansiedade do seu cão é levá-lo para o acompanhar num passeio de
bicicleta. Existem alguns medidas preventivas para evitar acidentes, mas, mesmo assim, tome o máximo
de cuidado até seu cão se acostumar com os passeios.
O acidente mais comum que acontece ao en-sinar-se um cão a acompanhar uma bicicleta é o
atropelamento do cão pelo próprio ciclista, por isso, amarre a guia de uma maneira que seu cão não possa
cruzar à sua frente.
Atenção: A ponta da guia não deve passar o eixo da roda da frente da bicicleta.
Existem equipamentos que são feitos especialmente para tornar mais' seguro o passeio com seu cachorro. Além de manterem seu cão a uma distância segura da bicicleta, alguns possuem travas de
segurança que se abrem automaticamente quando há uma pressão excessiva, o que acaba sendo muito útil
quando "pas-
147
sar", por exemplo, um poste entre você e seu cão.
PUXAR PATINS, ETC.
Cães podem ser treinados para puxar skates, patins, etc. A sugestão é colocar um peitoral para que
ele possa fazer força sem ser enforcado, e também para que não se acostume a puxar a guia quando
estiver sem o peitoral.
É importante que seu cão acostume-se primeiramente com os patins ou com o skate antes de
começar a treiná-lo a puxar. Para isso, simplesmente leve-o para passear quando você estiver patinando ou andando de skate. Este comando é mais facilmente ensinado com a ajuda de uma segunda pessoa, que
poderá chamar o cachorro, induzindo-o a puxar você.
GUARDAR OS BRINQUEDOS
Treinar seu cão a guardar os brinquedos dele dentro de uma grande cesta é algo muito útil, não só
para organizar a casa mas também para ocupar os cães mais ativos que querem ficar brincando o tempo
todo.
A palavra de comando pode ser visita, e sempre que seu cão ouvi-la irá correndo guardar os
brinquedos.
Qual a dica para treinar este comando? Primeiramente ensine o busca, depois, com a cesta de
brinquedos na sua frente, peça para o cão largar o brinquedo, que naturalmente cairá dentro da cesta -
neste exato momento clique e recompense-o. Aos poucos, vá se afastando da cesta e só clique quando seu
cão deixar o brinquedo dentro dela. Introduza o comando assim que seu
148
cão entender que ele deve pegar o brinquedo e colocá-lo na cesta.
Introduza mais um brinquedo na atividade e, assim que seu cão soltar o primeiro, clique,
recompense-o, e peça-lhe para buscar o segundo. Vá introduzindo cada vez mais brinquedos e
recompense-o cada vez menos, até que ele entenda que é necessário guardar todos os brinquedos para
receber o petisco.
PROCURAR AS CHAVES
Este comando é bastante útil para pessoas distraídas que sempre perdem as chaves. Seu cachorro
adorará ajudar você a achá-las, além de ser um belo truque para impressionar seus amigos.
Para ensinar seu cão a procurar suas chaves pela casa, é necessário ensiná-lo primeiramente a
buscar objetos.
Compre um chaveiro interessante, e de preferência indestrutível, para seu cão ficar mais
interessado nas chaves, e então comece a brincar com o comando busca, mas inclua a palavra chave, ou
seja, diga busca chave. Peça para seu cão ficar ou prenda-o em algum lugar, esconda as chaves e peça
para ele achá-las. Aos poucos, ele relacionará o comando com achar as chaves.
Minha cadela percebeu que, após eu bater com a mão em cima do meu bolso para procurar as
chaves, eu pedia para ela ir buscá-las, agora basta bater a mão no bolso para ela sair como uma bala para
pegá-las.
Dica: Passe um pouco de perfume no chaveiro ou compre um que já tenha um cheiro
característico para facilitar a busca das chaves e permitir que o cão as ache, mesmo nos lugares mais
escondidos.
149
ATAQUE E DEFESA
Muitas pessoas maltratam e confinam o animal para que ele possa se tornar um bom cão-deguarda. Este é um conceito totalmente errado que felizmente, aos poucos, está deixando de ser posto em
prática.
Um cão que fica preso, ou que não foi devidamente socializado, pode desenvolver agressividade
provocada pelo medo, que é o tipo de agressividade mais perigoso e difícil de controlar. Um bom cão-deguarda não é aquele que você é obrigado a manter confinado no quartinho dos fundos ou preso a uma
corrente, pois atacaria até mesmo seus filhos ou qualquer amigo deles. O bom cão-de-guarda é aquele
animal que pode estar sempre com você, que é capaz de intimidar pessoas com más intenções ou até
mesmo atacar se for preciso; para que isso possa ser feito com segurança, é necessário um cão corajoso,
extremamente socializado e com um temperamento impecável. Por isso, independentemente da função
futura de seu filhote, trate-o da melhor forma possível e socialize-o com todos os tipos de pessoas e
animais, para que se torne corajoso e destemido.
Antes de começar a estimular a agressividade de seu animal, lembre-se de que todo adestramento
é um condicionamento, e tem que ser constantemente controlado para que não se modifique. Quem assiste
provas de ataque e defesa sabe que é bastante comum cães agarrarem o braço do figurante e, mesmo sob o
comando do treinador, não soltarem imediatamente. Imagine agora que seu cão confundiu o comando ou
a atitude de algum amigo seu e resolve triturar o braço dele por mais alguns segundos antes de largar...
Estimular a agressividade de um carnívoro potente é perigoso e algo que não deve ser tratado como brincadeira. Certifique-se de que seu cão possui um ótimo temperamento e que os comandos de
ataque não serão usados com leviandade pelas pessoas que convivem com o animal.
150
Um cão que mora com uma família possui uma realidade diferente da de cães que são utilizados
na caça de criminosos, por isso o ataque e a defesa desses cães devem ser diferenciados. Você
provavelmente não gostaria que seus amigos se sentissem intimidados ao dar tapinhas nas suas costas ou
se sentissem obrigados a se comportar de determinada maneira, só porque você possui um cão-de-guarda;
ou mesmo que os coleguinhas de seu filho estivessem em perigo sempre que uma brincadeira física
estivesse acontecendo.
Com base na realidade de famílias que têm um cão e nos perigos reais que elas enfrentam, estão
mencionados aqui alguns comandos e dicas que podem proteger sua casa e, ao mesmo tempo, não criar
um monstro ou um cão que exija que você fique alerta o tempo todo para evitar acidentes.
DEFENDER A CASA ATÉ VOCÊ CHEGAR PERTO
Grande parte dos cães já defendem a. casa naturalmente, mas é importante que eles parem de latir
ou de se mostrar agressivos assim que você se aproximar, esperando para adotar qualquer atitude de
acordo com o sentimento que você demonstrar. Assim, você terá um cão que defende a sua casa mas
permite que suas visitas e amigos entrem sem problemas.
DICA PARA CÃES QUE NÃO MOSTRAM AGRESSIVIDADE PARA PROTEGER A CASA
Peça para um amigo seu que não conheça seu cão para provocá-lo por trás do muro ou grade,
instruindo-o para sair correndo, fingindo que está morrendo de medo, a qualquer sinal de agressividade
por parte do cão. A intenção deste condicionamento é fazer o cachorro se sentir recompensado ao
conseguir impedir um estranho de se aproximar de seu território. Aos poucos, a autoconfiança dele
aumentará e o "estranho" poderá provocá-lo ainda mais. É importante que você não este-
151
ja próximo ao se fazer este exercício. Se o seu cão estiver desenvolvendo medo do "estranho", a
provocação estará indo longe demais para a autoconfiança do cão.
COMO FAZER O CÃO PARAR DE LATIR QUANDO VOCÊ SE APROXIMAR
Se você for o líder da matilha, provavelmente isto ocorrerá naturalmente, assim que você mostrar
calma diante da situação. Caso isto não esteja ocorrendo, continue aplicando as dicas para se tornar o líder
da matilha e procure utilizar uma punição personalizada, como é o caso do spray com água para impedir
seu cão de latir. Ou seja, sempre que latir, espirre nele e diga "não"! É importante personalizar esta
punição, já que você quer que o cão continue latindo até você se aproximar.
Atenção: Quando necessário, é o proprietário que deve punir e não o estranho! Um estranho
nunca deve punir um cão-de-guarda.
Mantenha o controle do condicionamento: Com o tempo seu cão pode se tornar mais ou menos
agressivo, por isso, lembre-se de manter o condicionamento.
152
COMANDO AMIGO
Não devemos nos esquecer de ter o cuidado de não punir a agressividade antes que ela realmente
ocorra, ou seja, não é porque um gato está passando na frente do seu cão que você irá puni-lo, dar um
tranco na guia ou ameaçá-lo. Caso você faça isso, pode ocorrer o oposto, o cão pode associar o gato a
algo ruim, já que acontecimentos desagradáveis ocorrem sempre que um gato é avistado. Por isso é muito
útil ensinar um comando para cortar a agressividade de seu cão. Sempre que você o utilizar, seu cão
saberá que não será tolerada qualquer agressividade. Este comando pode ser utilizado tanto para pessoas
quanto para outros animais.
Diga a palavra AMIGO antes de seu cão mostrar agressividade e recompense-o por não mostrá-la.
Brinque com ele ou dê um petisco ao passar por gatos, outras pessoas ou objetos diante dos quais seu cão
poderia se mostrar agressivo. Lembre-se, recompense-o antes dele se mostrar agressivo, caso contrário
você estará recompensando a agressividade dele.
ATACAR SOB COMANDO Um cão que vive numa família deve estar relaxado e se divertindo com as visitas e amigos do
proprietário e não preocupado em avaliar as situações de perigo, já que há a possibilidade de uma
interpretação errada por parte do animal, colocando em risco a integridade física ou psicológica dos
demais.
Um cão pode agredir naturalmente um amigo que se aproxime rapidamente ou que faça algum
movimento considerado perigoso pelo cão. Apesar de ser natural, não devemos tolerar este tipo de
comportamento, que, com o tempo, pode ir se intensificando e se tornando desagradável e até mesmo
perigoso. Por isso devemos ensiná-lo a atacar apenas atendendo a um comando.
Uma das maneiras mais fáceis de ensinar seu cão a atacar é pedir para um "estranho" provocar seu
153
cão e sair correndo, da mesma maneira que se treina para latir para estranhos. Assim que o "ladrão" sair
correndo, recompense o cão.
Antes de relacionarmos uma determinada palavra com o ato de ataque, devemos ser realistas e
imaginar o que aconteceria se um ladrão ouvisse você dizendo "pega" para seu cão! É mais interessante
você fingir que está tentando controlar um cão agressivo do que deixar perceber que está mandando um
cão superadestrado atacar o ladrão. Por isso, escolha cautelosamente uma palavra de comando para o
ataque. Também não é necessário gritá-la, é muito mais útil se você puder sussurrá-la.
Assim que você condicionar seu cão a mostrar um comportamento agressivo contra alguém sob
comando, procure recompensá-lo com petiscos ou brincadeiras, e não mais com o figurante correndo para
que toda "agressividade" seja para ganhar um petisco. Se o trabalho for bem feito, você ficará impressionado com o cão, pois assim que você clicar ele ignorará totalmente o "figurante" para quem segundos
antes estava rosnando, latindo e mostrando os dentes, e prestará o máximo de atenção em você para
ganhar a recompensa.
Para modelar o comportamento, você pode ir reforçando o "ataque", exigindo que seu cão ataque,
morda e segure o figurante para poder receber a recompensa. Algumas maneiras de se treinar o cão a
atacar é recompensá-lo pelo prazer que ele terá em ganhar a luta e controlar o oponente (não recomendo
este tipo de condicionamento para cães que conviverão com a sua Família).
Um condicionamento bem mais seguro é permitir que o cão ameace, pule em cima, mas não
morda. A nossa intenção é quase sempre espantar e não segurar o ladrão.
Lembre-se de que nas situações de assalto as pessoas estão em pânico, e assustar um ladrão
armado nem sempre é a melhor solução.
154
FINGIR AGRESSIVIDADE EM UM PASSEIO QUANDO UM MARGINAL SE APROXIMA
Passear na rua com um cão de porte médio ou grande que se mostre agressivo com certeza protege
muito mais do que estar acompanhado de um cão que se mostre completamente dócil, mesmo que ele
tenha sido treinado para atacar se alguém agredir o proprietário. O fato é que raramente um ladrão pensa
em agredir uma pessoa que está passeando com um cão, mas poderá ameaçar você e pedir-lhe
delicadamente que passe seus objetos de valor, enquanto seu cão supertreinado assiste calmamente, já que
o ladrão não lhe aplicou uns bons tapas e você não é louco de berrar pega.
A melhor maneira de prevenir um assalto é fazer com que seu cão pareça agressivo e que qualquer
aproximação será perigosa, mesmo que na realidade não seja. Um ladrão antes de assaltar uma pessoa
procura observá-la um pouco e espera o momento ideal para agir; se seu cão latir e rosnar para alguém,
mesmo que não seja para o ladrão, ele provavelmente se intimidará. Por isso, utilize o comando para
ataque de vez em quando durante os passeios, clique e recompense seu cachorro se ele se mostrar
agressivo. Seu cão, sempre que você pedir, procurará alguém à sua volta para latir a fim de ganhar a
recompensa. Utilize o comando sussurrando-o sempre que achar que alguém com más intenções está se
aproximando, isso vai dar para o ladrão a falsa impressão de que seu cão é agressivo e está fora de
controle.
155
APLICAÇÃO PRÁTICA
1. Só comece a usar a palavra correspondente ao comando depois que o cão já estiver
condicionado ao comportamento desejado. Por exemplo, só depois que seu cachorro tiver aprendido a
andar a seu lado, você passará a usar a palavra junto.
2. Não se esqueça de que o cão deverá ter assimilado bem um comportamento antes de passar
de uma etapa para a seguinte. Assim, primeiro capture o comportamento, depois relacione o
comportamento ao comando, em seguida modele o comportamento, varie as situações, etc. 156
QUINTA PARTE
PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO COMO RESOLVER
Neste livro procuramos explicar o quanto os cães são inteligentes e de que maneira eles pensam.
Não devemos declarar guerra a nossos cães, e sim aprender a pensar como eles. Eles não são robôs nem
seres condicionados que simplesmente reagem a estímulos, são animais que merecem nosso respeito e
consideração. Para nós é obviamente errado quando eles latem para o carteiro, ou cavam, abrindo buracos
no jardim, etc., mas para nossos cães esse comportamento é perfeitamente normal e natural, até o
momento em que ensinarmos o oposto a eles. Eles não fazem isto para nos irritar, acredite! Tenha
paciência, procure entender o verdadeiro motivo que leva seu cão a se comportar mal, corrija-o da melhor
maneira e de forma inteligente.
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AS NECESSIDADES FISIOLÓGICAS DO CÃO
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Que o cão pode urinar ou defecar em lugares variados, por diversos motivos, cada um
deles exigindo um tratamento diferenciado.
¾ Que as broncas podem piorar o problema.
¾ A melhor maneira de acostumá-lo a fazer as necessidades num único local.
¾ Os equipamentos que auxiliam no condicionamento.
¾ O cronograma que permite ensinar o filhote a urinar somente num local em apenas alguns
dias.
¾ Que não se deve limpar os excrementos feitos em local errado quando seu cão estiver
presente.
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FAZER AS NECESSIDADES EM UM LUGAR DETERMINADO
Fazer as necessidades em um lugar determinado é um comportamento que pode ser ensinado tanto
para cachorros adultos quanto para filhotes, sendo relativamente simples treiná-los. Alguns filhotes
aprendem em menos de três dias.
Os cachorros urinam e defecam levados por diversas causas além da natural necessidade
biológica, tornando-se necessário identificar cada uma delas, pois o método de controle varia de acordo
com o motivo.
Um cachorro que urina por submissão, se receber uma bronca ao urinar (por submissão), com certeza terá
o seu problema agravado. Se o seu cachorro urinar pela casa para mostrar a você que ele é o chefe, cabe a
você trabalhar para tornar-se o chefe da matilha (leia o capítulo A Matilha) e não simplesmente mostrarlhe o local adequado para urinar.
O CONDICIONAMENTO COMEÇA CEDO
Se for possível, prefira ensinar seu cachorro a fazer as necessidades no jardim ou no quintal, e não
sobre jornais dentro de casa. Caso você tenha essa possibilidade, eduque-o desde cedo a fazer as
necessidades no local definitivo, isto é, não o treine a fazer sobre o jornal se você quiser que ele o faça
futuramente do lado de fora da casa.
Assim que você levar o filhote para casa, pode começar o treinamento. Aos dois meses, um filhote
já pode estar perfeitamente treinado para defecar e urinar do lado de fora da casa.
160
Grande parte dos filhotes aprende a urinar para chamar a atenção dos donos, e eles geralmente são
bem-sucedidos. Os donos não percebem, mas muitas vezes ao dar uma boa bronca em seus cachorros
estão lhes dando exatamente o que eles pretendiam: atenção! Por isso, preste atenção nas dicas descritas
aqui e siga-as rigorosamente para evitar problemas futuros.
Antes de começar o treinamento, adquira os seguintes produtos que o auxiliarão neste
treinamento:
1. uma caixa de transporte;
2. um produto neutralizador de odores. NÃO DÊ ATENÇÃO A COMPORTAMENTOS INDESEJÁVEIS
A melhor maneira para se treinar um filhote a utilizar somente um lugar é impedi-lo de defecar em
outros locais e estimulá-lo a defecar no local adequado. Nunca dê bronca ou chame a atenção do filhote
depois de ele ter feito a sujeira – isto é importante! Levar o filhote para o local do crime e repreendê-lo
ou, ainda, esfregar seu focinho no local são atitudes que só agravam o problema. Por que isso acontece?
Simples, o cachorro percebe que você dá atenção a urina e fezes e, além disso, que você é capaz de parar
o que está fazendo para lhe dar atenção caso ele defeque ou urine. Você já deve ter visto cães começarem
a estragar móveis e objetos e a urinar pela casa inteira quando o dono recebe visitas; um dos motivos que
levam o cão a agir assim é o desejo de chamar a atenção do dono que, naturalmente, está voltada para as
visitas.
Como já foi dito, evite ao máximo dar atenção
161
quando o filhote urina ou defeca fora do lugar apropriado. Se o "acidente" por caso acontecer quando
você não estiver prestando atenção, finja que você nem viu as fezes e a urina; espere que ele vá para outro
recinto, limpe a sujeira e neutralize o odor (use o neutralizante em lugar de um simples produto de
limpeza). É importante neutralizar, pois os cachorros naturalmente fazem as necessidades nos lugares em
que sentem cheiro de fezes e urina.
Devemos ter um cuidado especial para evitar que o cachorro faça suas necessidades fora do local
correto, pois, além de deixar seu cheiro e provocar outros desastres, cada vez que seu cachorro defeca ou
urina, não importa onde, ele imediatamente se sente recompensado pelo prazer de se sentir confortável (o
desconforto da bexiga ou do intestino cheio passa).
ROTINA COMO SOLUÇÃO
Agora que sabemos que é necessár1o evitar ao máximo que o cão faça suas necessidades no lugar
errado, que não devemos dar broncas no cachorro quando ele fizer isso, e muito menos limpar os
excrementos na frente dele, é importante aprender as dicas para se chegar à situação ideal.
Você deve tomar alguns cuidados especiais para que não seja um mistério o momento em que seu
cachorro irá fazer suas necessidades, assim você poderá levá-lo ao local adequado - isso mesmo: levá-la
ao local -, para que possa recompensá-lo enquanto estiver fazendo suas necessidades. Dessa forma, para o
cachorro, fica óbvio qual é o local certo para fazer as necessidades, e ele também descobre que consegue
sua atenção se urinar ou defecar ali. É interessante observar cães que vão para o local correto para fazer
suas necessidades quando há visitas em casa, pois sabem que conseguirão a atenção do dono se fizerem
no local correto. Perfeito, não?
A maneira ideal para se conseguir prever quando
162
seu cachorro irá urinar ou defecar é estabelecer uma rotina. A alimentação deve obedecer os mesmos
horários todos os dias, e ele deve ser levado para o "banheiro" antes e depois das refeições e estimulado a
fazer suas necessidades. Quando ele começar a fazê-las, agrade-o e mantenha-se fazendo isto até ele
acabar, mas, assim que ele terminar, leve-o de volta para casa.
Apresentaremos alguns esquemas de rotina que funcionam bem para filhotes de dois meses de
idade.
6:00 levá-lo ao "banheiro", alimentá-lo, dar-lhe água e levá-lo ao "banheiro" novamente.
9:00 levá-lo ao "banheiro".
12:00 levá-lo ao "banheiro", alimentá-lo, dar-lhe água e levá-lo ao "banheiro" novamente.
15:00 levá-lo ao "banheiro".
18:00 levá-lo ao "banheiro", alimentá-lo, dar-lhe água e levá-lo ao "banheiro" novamente.
21:00 levá-lo ao "banheiro", alimentá-lo, dar-lhe água, e levá-lo ao "banheiro" novamente.
E, antes de ir dormir, leve-o mais uma vez ao "banheiro". Normalmente, tanto a água quanto a comida não devem ficar à disposição do cachorro que está
sendo treinado a utilizar o "banheiro"; mas, em dias muito quentes ou por recomendação de seu
veterinário, não restrinja a água.
Nunca devemos fazer um cão reter fezes ou urina por mais tempo que o natural para um animal de
sua idade. Para fazer o cálculo de tempo, soma-se 1 à idade do cão em meses, o resultado é o número de
horas que o cão pode ficar sem fazer suas necessidades, até 8
163
horas, no máximo, para cães adultos. Por exemplo: se o cão tiver 2 meses, ele poderá ficar sem urinar ou
evacuar por 2+1=3 horas, no máximo.
Após acordar e depois de comer são as ocasiões mais propícias para seu cão ir ao "banheiro";
portanto, além de levá-lo nessas ocasiões, fique 100% ligado para que seu cachorro não faça em lugar
errado no resto do período. Sempre que você não possa prestar 100% de atenção, coloque-o na caixa de
transporte (melhor) ou confine-o no local em que possa urinar. Nunca deixe seu animal na caixa de
transporte por mais tempo do que ele pode segurar suas necessidades. Se utilizar a caixa de transporte
corretamente, você e seu cão serão enormemente beneficiados.
VOCÊ SE DISTRAI
Caso você perceba que ele está se abaixando ou começando a fazer suas necessidades, pegue-o
rapidamente e leve-o para o local correto ou, ainda melhor, tente distraí-lo jogando alguma coisa ou
provocando algum barulho que o atrapalhe (batendo palmas) e leve-o imediatamente para o lugar
adequado. É muito importante que você evite dar qualquer atenção enquanto ele estiver fazendo as
necessidades no local errado: se você perceber que não vai ter tempo de agir, não faça nada e também não
dê bronca, espere que ele saia do local do crime e, só então, limpe a sujeira secretamente.
Sei que não é fácil deixar de dar bronca no seu cãozinho depois de ele ter urinado no seu tapete
persa, mas, acredite, quanto mais correto for o adestramento, mais cedo seu cão deixará de utilizar seu
tapete persa como "banheiro".
164
ADULTOS TAMBÉM PODEM SER ENSINADOS
O mesmo procedimento pode ser utilizado com um cão adulto, o que será até mais fácil, pois estes
só precisam ir ao "banheiro" três vezes ao dia e podem ser alimentados só duas vezes ao dia. Existe uma
pequena diferença cujo conhecimento pode ajudar: um filhote defeca e urina geralmente 6 minutos depois
de ser alimentado, enquanto o tempo para um adulto é de aproximadamente 15 minutos após a
alimentação.
Esse procedimento geralmente resolve o problema da educação do seu cão para que ele utilize o
local correto para fazer suas necessidades, mas certifique-se de que seu cachorro não esteja urinando ou
defecando por outros motivos, como submissão, dominância, medo, etc., e não se esqueça de verificar
com seu veterinário um sistema de controle de parasitas internos, pois uma infestação impossibilita o cão
de controlar suas necessidades.
URINAR POR SUBMISSÃO OU EXCITAÇÃO
Se seu cachorro urina quando você fala com ele ou quando você chega em casa, provavelmente ele
deve estar experimentando um destes dois problemas: urinar por submissão ou por excitação.
Por mais desagradável que seja o que seu cachorro produzir quando vem ao seu encontro para
recebê-lo, jamais fique bravo com ele, pois essa atitude agravaria qualquer uma das duas causas possíveis
do comportamento dele.
Quando um cachorro urina por submissão, ele está se sentindo ameaçado pela sua presença e faz
de tudo para dizer-lhe que você é o mais forte, e urinar é uma das maneiras que seu cão encontra para
expressar isso. Nesse caso a postura é de submissão e, geralmente, o cão se deita antes de chegar até o
dono.
Este problema geralmente ocorre com animais muito sensíveis ou que foram maltratados (foram
surrados,
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gritaram com eles, etc.). É um sinal de que os donos estão sendo muito agressivos para o tipo de cachorro
que possuem.
Por outro lado, urinar por excitação significa apenas que o cachorro fica muito excitado com a sua
presença, principalmente depois de uma separação. Devemos tomar cuidado com este problema, pois, se

não for resolvido, o cachorro pode continuar a urinar por excitação, mesmo depois de adulto.
Ambos os problemas são resolvidos da mesma maneira, devemos evitar excitar o cachorro nas
despedidas e nas chegadas. A melhor maneira é ignorá-lo durante 10 minutos (finja que você não tem um
cachorro), antes de sair e depois de chegar, até que o grau de excitação tenha diminuído. Em ambos os
casos, as broncas só aumentam o conflito dos sentimentos de seu cachorro e, conseqüentemente,
aumentam a ansiedade e a excitação.
Existem mais alguns truques para ajudar na solução do problema de urinar por submissão, como,
por exemplo, não olhar diretamente para os olhos do seu cachorro; não caminhar na direção dele olhando
para ele; procurar abaixar-se para fazer carinho nele; e evitar passar a mão na parte de cima da cabeça do
animal, procurando sempre fazer carinho no peito ou na parte debaixo da cabeça, que é uma atitude
menos ameaçadora para os cães.
166
RESUMO
¾ Não dê bronca.
¾ Não faça nenhum movimento que possa assustar seu cão.
¾ Ignore-o, até que ele fique mais calmo ou confiante.
¾ Nunca grite com o seu cachorro ou o ameace.
URINAR POR DOMINÂNCIA
Quando o cachorro é mimado, consegue tudo o que pede na hora, e não obedece ao dono, existe
uma grande chance desse cão começar a "marcar o território" (sua casa), que o animal sente como se
pertencesse a ele. É importante mostrar a esses cachorros quem é o líder da matilha através de todas as
técnicas descritas no capítulo A Matilha.
Sempre que seu cão voltar a apresentar o problema de fazer as necessidades fora do local
determinado para isso, procure ensiná-lo novamente da maneira já explicada, identificando e eliminando a
causa dessa regressão no aprendizado.
Outro cachorro, um gato ou uma pessoa recém-chegada (às vezes um bebê) na casa também
podem causar a regressão no aprendizado, e o cão veterano pode querer mostrar ao "intruso" quem domina o pedaço, demarcando o território com urina. Se o recém-chegado for um cachorro, eduque-o
enquanto reeduca o primeiro, para que urinem no local adequado até que o intruso deixe de ser uma
novidade na casa.
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Atenção: Não saia correndo e dando bronca em seu cão quando ele urinar em local errado. Puna-o
sem lhe dar atenção e despersonalize as punições.
RESUMO
¾ Seja o líder da matilha.
¾ Evite dar atenção quando seu cão urinar ou defecar em lugar impróprio.
¾ Reeduque-o sempre que necessário.
OUTRAS CAUSAS QUE PROVOCAM A REGRESSÃO NO APRENDIZADO
Existem outros inúmeros motivos para que seu cão esteja defecando e urinando em lugares
indevidos. Se você não conseguir identificar exatamente a causa ou causas que estão provocando esse
comportamento, Procure em primeiro lugar seu veterinário para ver se o problema não está ligado à saúde
de seu cão e, depois, passe novamente por todo o processo de educação para utilizar o "banheiro".
Qualquer alteração na casa, como a chegada ou a partida de pessoas, um animal novo, mudanças
nas rotinas dos moradores da casa, etc. podem provocar o problema em seu cão por ele se sentir inseguro.
Quanto mais confiante for o seu cachorro, menor será a chance de voltarem os problemas de
comportamento por mudanças. Adestrar e socializar seu cão são maneiras de aumentar a confiança do
animal.
Outro motivo que leva os cães a urinarem e defecarem é a intenção de encobrir outros cheiros;
portanto procure neutralizar o odor e não simplesmente utilizar
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um produto de limpeza para limpar a urina e as fezes de outros animais.
Trocar a ração de seu cão também pode causar transtornos no controle das necessidades, caso você não faça uma mudança gradual durante, pelo menos, uma semana. Fazendo isto você também evitará
outros problemas gástricos que possam ocorrer.
Uma boa dica para evitar que seu cão urine ou defeque em um lugar específico: coloque o prato de
ração no local do crime, e ele fará de tudo para não fazer as necessidades próximo ao local em que come.
RESUMO
¾ Aumente a confiança do seu cão através de um convívio saudável, bom adestramento e
socialização.
¾ Consulte seu veterinário para ter certeza de que o problema não é fisiológico.
¾ Evite mudanças repentinas no cotidiano da casa.
¾ Sempre que precisar trocar de ração.
¾ faça uma mudança gradativa.
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AGRESSIVIDADE
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Que a agressividade deve ser cuidadosamente controlada.
¾ Que cães equilibrados são melhores, tanto para um convívio harmonioso quanto para uma
situação de defesa.
¾ Que não se deve deixar um cão preso numa corrente, mesmo que você queira criar um
"guarda".
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AGRESSIVIDADE
Este é um tópico muito importante para que você possa entender e controlar a agressividade de seu
cachorro. Devido ao grande potencial que alguns cães têm de machucar um ser humano, nunca hesite em
consultar um especialista competente em comportamento animal para auxiliá-lo nesse assunto.
O número de acidentes provocados por este problema é assustador. Várias raças têm a
possibilidade de matar um ser humano com tanta facilidade, que é preciso lidar com esse aspecto do
animal com o máximo cuidado. Mesmo cães pequenos podem machucar seriamente uma criança.
Crianças atacadas por cães podem ficar traumatizadas, ainda que não tenham sido machucadas, e
ninguém merece ser traumatizado por seu cão.
UM CÃO-DE-GUARDA NÃO TEM DE ATACAR NECESSARIAMENTE
Para que um cachorro se torne um ótimo cão-de-guarda não é necessário ensiná-lo a atacar. Os
melhores cães-de-guarda são aqueles que intimidam o ladrão e avisam o proprietário de que há alguém
nas proximidades com más intenções.
Um cão-de-guarda excelente é aquele que, além de ameaçar e intimidar intrusos, recusa a comida
oferecida por estranhos. Um cão de tal forma agressivo que o dono seja obrigado a prendê-lo para receber
as visitas é um péssimo cão-de-guarda. Imagine você sendo obrigado a prender seu cão sempre que for
receber visitas ou quando estiver na companhia
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de alguém; além de ser um grande inconveniente, a possibilidade de qualquer ataque ou tentativa de
roubo será maior nessas circunstâncias, pois seu cão não poderá fazer absolutamente nada. E, além dessa
desvantagem, existe a possibilidade de seu cão escapar e atacar as pessoas de quem você mais gosta.
ALÉM DE SELECIONAR A RAÇA E A FAMÍLIA DO FILHOTE, GARANTA-LHE UM
TRATAMENTO ADEQUADO
Existem raças mais ou menos agressivas, e dentro de cada raça existem indivíduos que são mais
agressivos que outros. Como parte da agressividade é transmitida geneticamente, procure adquirir filhotes
de pais que possuam o temperamento que você deseja. Se você tem crianças em casa, dê preferência a
filhotes de pais calmos e tolerantes. Mesmo filhotes pertencentes a raças agressivas, se tratados com
cuidado durante o crescimento, podem ficar excelentes cães quê jamais põem em risco qualquer membro
da família.
Explicaremos a seguir como controlar a agressividade de seu cão. Independentemente de sua
intenção de treiná-lo para o ataque ou não, estas precauções são sempre válidas para evitar um acidente com você ou com qualquer outra pessoa de sua família. Embora seja discutível o treino para ataque, se
esta for sua opção, saiba que cães confiantes e equilibrados são os que permitem o melhor controle sobre
o ataque (quando e como atacar), por isso siga as sugestões aqui descritas, mesmo que você queira
futuramente treinar seu cão para atacar.
IDENTIFIQUE CORRETAMENTE O TIPO DE AGRESSIVIDADE
Existem vários tipos de agressividade, e é importante saber identificá-los para podermos controlá-
los de forma mais eficiente. Algumas raças sorriem para as
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pessoas, o que muitas vezes pode ser confundido com algum tipo de agressão; outras brincam de tal jeito
que parecem estar nos ameaçando - quando não tiver certeza, contrate um especialista para ajudá-lo a
identificar se o comportamento duvidoso é ou não uma agressão e, se a resposta for positiva, qual é o tipo
de agressão.
Comportamento agressivo é todo aquele que tem como objetivo intimidar ou machucar uma pessoa ou um
outro animal.
NÃO ACORRENTE SEU CÃO
Prender um cachorro numa corrente deixa-o mais agressivo e psicologicamente mais
desequilibrado. Seu cachorro só tem duas formas de defesa, uma é proteger-se ou fugir, a outra é atacar.
Um cachorro preso por uma corrente fica desprotegido, só lhe restando a opção do ataque, já que a fuga é
impossível. Qualquer coisa é uma ameaça para ele, e muitas vezes esses cachorros ficam
psicologicamente desequilibrados e começam a atacar tudo. Dê preferência a qualquer outra solução para
conter um cachorro, mas, caso a corrente seja a única saída, deixe-o próximo de algo que represente
proteção e onde ele possa entrar, como uma casinha ou uma caixa de transporte, para que ele se sinta
seguro.
ESTUDE O PROBLEMA ANTES DE TENTAR CURÁ-LO
Descreveremos aqui as principais formas de agressividade: por dominância, por medo e por
transferência. Se você estiver enfrentando problemas de agressividade, leia sobre todas elas antes de
decidir qual ou quais estão afetando o comportamento de seu cão.
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RESUMO
¾ A agressividade não se manifesta só com inimigos e ladrões.
¾ Não se deve deixar um cão acorrentado.
¾ A agressividade é influenciada pelo meio ambiente, raça e genética dos pais.
¾ São várias as formas de agressividade, e é necessário identificá-las para poder tratá-las.
AGRESSIVIDADE POR DOMINÂNCIA
Se o seu cão rosna ou ameaça mordê-lo quando você pede para ele sair de seu sofá preferido,
quando você tenta tirar algum objeto de sua boca ou, ainda, quando está prestes a fazer algo de que ele
não goste (dar-lhe banho, por exemplo), ele provavelmente está mostrando agressividade por dominância.
A agressividade por dominância geralmente surge quando há conflitos na hierarquia adotada,
segundo o ponto de vista de seu cachorro. Se ele se achar superior no rank hierárquico, não gostará de
seguir ordens de pessoas que estão abaixo dele.
Por que meu cachorro ficou assim? Porque você não mostrou liderança. Cachorros não querem
igualdade, eles precisam estar acima ou abaixo de nós hierarquicamente - como não queremos que o ritmo
de nossa vida seja condicionado à vontade de nossos cães, devemos nos colocar acima deles, lembrando
que não é preciso maltratar o cachorro e muito menos bater nele para
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conseguir ser o chefe da matilha (leia o capítulo A Matilha). Um outro fator que contribui para este tipo
de agressividade são as brincadeiras, de mão ou de cabo-de-guerra, que recompensam o cachorro por
utilizar sua mordedura e por rosnar.
Você nunca deve machucar seu cachorro, mas assegure-se de que, em qualquer disputa física entre
você e seu cachorro (ou pessoas que convivem com seu cachorro), ele deve fracassar (perder a disputa).
Por exemplo, se ao tirar seu cachorro de cima de você ele mordê-lo de leve e você soltá-lo, ele se sentirá recompensado por tê-lo mordido, já que continuará sobre você. Ignore qualquer sinal de agressividade e
continue fazendo o que tinha a intenção, seja tirá-lo de cima de você ou alguma outra providência (se
você se sentir em perigo agindo assim, contrate um especialista para auxiliá-lo).
Ou, ainda, se ele rosnar quando você chegar perto do prato de ração e você for embora, ele achará
que a sua intenção era comer a ração dele, e que ele conseguiu tirá-lo de lá, salvando a própria comida! É
importantíssimo que seu cachorro não seja recompensado por ser agressivo. Preste atenção, não saia de lá
mas também não bata nele quando isto acontecer, pois caso contrário você estará dando ainda mais
motivos para que ele o morda.
Se você fizer qualquer demonstração de agressividade fracassar logo no início, dificilmente seu
cachorro tentará dominá-lo através da agressividade.
Atenção: Não se arrisque demais! Você pode reassumir sua posição de liderança aos poucos, evitando
possíveis acidentes. Não queira do dia para noite poder tirar impunemente qualquer coisa da boca do seu
cachorro ou ainda mexer no prato de ração enquanto ele estiver comendo. Mas se certifique durante o
processo de que ele não esteja sendo recompensado por mostrar agressividade. É importante aqui explicar
que o cão deve
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fracassar do ponto de vista dele e não do nosso. Por exemplo, se o cão rosnar quando você for acrescentar
algo que ele adora no prato de ração e, ao rosnar, você simplesmente for embora sem colocar, não pense
que ele sentiu isso como um fracasso, pois para ele o simples fato de você ter se distanciado foi um
sucesso. Também não adianta prendê-lo ou privá-lo de algo por ter rosnado para você. O fracasso deve
ser instantâneo. Assim, se ele mordê-lo de leve quando você o estiver tirando do sofá, o simples fato de
você tirá-lo ignorando as mordidinhas será considerado um fracasso para ele, que não conseguiu
continuar no sofá. Se você não se sentir seguro para agir firmemente, é preferível não agir. Você não
deve fracassar na tentativa de tirá-lo do sofá.
A agressividade territorial e a possessiva manifestam-se de forma muito parecida e muitas vezes
são consideradas agressividade por dominância. O controle é exercido da mesma forma, mas preste
atenção a esta dica: não dê motivos extras para seu cão se tornar possessivo; toda vez que se aproximar de
seu cão quando ele estiver comendo, leve um pouco de ração na mão e despeje-a na vasilha; e quando
tirar um objeto da boca do seu cachorro, procure sempre que possível devolvê-lo depois de examiná-lo,
assim seu cachorro terá mais confiança em você e não terá nenhum motivo para ameaçá-lo. Mostre poder
mas não abuse dele.
E se o seu cão respeita você mas não respeita as outras pessoas da família e, portanto, as ameaça,
ensine-as a liderarem seu cachorro sem violência.
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RESUMO
¾ Ganhe todas as disputas físicas.
¾ Não recompense a agressividade, isto é, cada vez que seu cão a utilizar contra você ou
alguém de sua família, faça a tentativa dele fracassar.
¾ Não brinque de ficar puxando brinquedos da boca dele e evite brincadeiras agressivas.
¾ Aplique as leis para se tornar o líder da matilha.
¾ Mostre dominância mas não abuse dela. Acrescente mais ração no prato de seu cão; se for
possível, devolva os brinquedos após tirá-los dele, etc.
AGRESSIVIDADE POR MEDO
Quando você reprime um cachorro usando a força, ou seja, machucando-o ou ameaçando-o
fisicamente, existe uma grande chance dele começar a atacá-lo para se defender.
Filhotes que foram pegos por alguém e levaram uns bons tapas podem ficar traumatizados e, toda
vez que sentirem que alguém está para pegá-los ou mesmo acariciá-los, podem morder ou rosnar para se
defender.
Cachorros que não foram bem socializados ou que sofreram alguma trauma, principalmente
durante a fase mais sensível (leia o -capítulo Desenvolvimento Cerebral), podem se tornar agressivos por
medo. Monitore as relações dos outros membros da casa com o cachorro para evitar qualquer agressão
física ou algo que cause dor ao animal.
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Atenção: Esta forma de agressividade gera acidentes sérios. Nenhuma punição deve envolver ameaça física ou causar dor ao cachorro, seja durante o
adestramento ou fora dele. A maioria dos acidentes sérios que envolvem um cachorro atacando o próprio
dono é causada por esta forma de agressividade. O cachorro temendo a surra que pode levar procurará
defender-se, e o medo pode ser tanto que ele só vai parar de atacar quando seu adversário não representar
mais perigo...
Portanto, um cachorro que ataca por medo deve ser adestrado cuidadosamente para que ganhe
confiança e perceba que não corre perigo o tempo todo e não se comporte de forma a pôr em risco a
integridade física das pessoas. Quanto mais socializá-lo, melhor. Procure levá-lo para passear, conhecer
outras pessoas e outros animais, sempre tomando o máximo cuidado para que nada o ameace nem lhe
cause muito medo.
Os cães podem sentir e perceber quando estamos ansiosos ou com medo, e este medo pode passar
para eles, aumentando as possibilidades de ataque; portanto, nessas situações, aja com a maior
naturalidade possível, mas observe atentamente seu cachorro para que não coloque ninguém em perigo.
Deixar a guia tensa ou agachar e segurar o cachorro podem piorar o problema, já que seu cão pode
interpretar essas atitudes como sinais de perigo.
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Muitos animais sociáveis passam a atacar pessoas ou cachorros pelo simples fato de que o medo
sentido pelos donos acaba sendo transmitido para eles. Aja com naturalidade diante de coisas que seu
cachorro considera perigosas.
RESUMO
¾ Uma das mais perigosas formas de agressividade é aquela provocada pelo medo.
¾ Não bata em seu cão e não o ameace físicamente em nenhuma circunstância.
¾ Socialize cuidadosamente o cão.
¾ Aja com naturalidade diante das coisas que seu cão considera perigosas.
AGRESSIVIDADE TRANSFERIDA
Quem nunca viu dois cachorros amigos trocarem mordidas quando um terceiro cão passa do lado
de fora da cerca? Isto é um exemplo de agressividade transferida. Seria o equivalente a um homem que
volta do trabalho e bate na mulher porque brigou com o chefe. Como ele não poderia bater no chefe,
redireciona a agressividade contra sua mulher, que é mais fraca e submissa.
Reforçamos o conceito de agressividade por transferência para que as pessoas que se consideram
invencíveis pensem um pouco antes de agir violentamente. Ao bater em seu cachorro, talvez você seja
dominante e forte o bastante para evitar um ataque contra a sua pessoa, mas este ataque talvez seja
transferido para sua mulher ou seus filhos, que pagarão caro pelo seu ato. Sem contar que você estará
dando um mau exemplo ao
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seu cachorro e aos seus filhos! Já observei crianças machucando ou batendo em seus cachorros, simplesmente para imitar o que o papai faz! Você já imaginou o perigo de uma criança batendo num Rottweiler,
por exemplo?
RESUMO
¾ Proprietários violentos possuem cães violentos.
¾ Ensinar seu cão a não morder empregando violência é um comportamento contraditório.
¾ A agressividade pode ser transferida, ou seja, você bate em seu cachorro e ele
conseqüentemente morde seu filho ou sua esposa.Não bata em seu cão, mesmo que você se considere
invencível, pois as conseqüências poderão atingir outras pessoas.
OUTRAS CAUSAS PARA A AGRESSIVIDADE
Existem ainda outras causas para a agressividade. Mudanças repentinas no teor da agressividade
de seu cão podem significar problemas físicos ou neurológicos. Uma dor intensa pode tornar seu cão bem
mais agressivo.
A agressividade natural não surge de uma hora para outra, ela vai aumentando gradativamente. Se
o seu cachorro tornar-se agressivo do dia para noite, ou morder alguém sem nunca ter demonstrado
agressividade, você deve consultar um veterinário imediatamente, pois seu cão pode estar tendo
problemas físicos ou neurológicos (hipoglicemia, por exemplo) e deve ser tratado imediatamente. Casos de problemas
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neurológicos são raros, mas, devido à gravidade que apresentam, devemos ficar sempre atentos.
RESUMO
Não é normal a ocorrência de mudanças bruscas na agressividade dos cães. Caso isto ocorra,
consulte imediatamente um veterinário.
ENTRE CACHORROS DESCONHECIDOS
Brigas entre cachorros podem resultar em desastres. Você pode se machucar seriamente ao tentar
separar uma briga. Portanto, lembre-se de que é melhor prevenir para que a situação não se concretize.
Vamos descrever aqui as técnicas utilizadas para evitar brigas entre cachorros e, quando isso não for
possível, às dicas de como separá-los, sem se esquecer de que, neste caso, você sempre correrá riscos.
A prevenção é sempre a melhor atitude, portanto, se você tem um filhote, socialize-o
cuidadosamente com cães amistosos e com pessoas e barulhos em geral. Existem idades críticas que são
ideais para socializar o cão e há outras em que devemos tomar o máximo cuidado com traumas. Se o
filhote apanhar de outro cão na fase propícia a trauma"s, poderá ficar permanentemente agressivo com
outros cachorros (leia o capítulo sobre Desenvolvimento Cerebral).
Cães anti-sociais, que ameaçam permanentemente
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outros cachorros, podem tornar superdesagradável uma viagem ou um passeio. Daí a importância da
socialização bem orientada e das associações estabelecidas corretamente.
Cães bem socializados não brigam com cachorros amistosos durante um passeio. Se o seu cachorro
costuma ameaçar qualquer outro cão que encontre pela frente, você deve socializá-lo e corrigir seu
comportamento. A fase mais crítica para cães naturalmente dominantes é a puberdade, quando alguns
animais ficam superagressivos com os demais.
A primeira coisa a que você deve prestar atenção ao passear com seu cão é sua própria atitude
quando percebe outro cachorro. A maneira como você reage influencia muito o comportamento de seu
cão; se você sentir medo - seja um sentimento de pavor ou um leve receio - ou tomar alguma precaução
excessiva, isso pode ser interpretado como sinal de perigo, e seu cão ficará cada vez mais agressivo na
presença de outros cães. Não demonstre jamais que você está se preparando para agarrar ou puxar a guia,
e também não deixe a guia tensa ao passar por outro cachorro. A guia tensa pode ser, e geralmente é,
interpretada por seu cachorro como sinal de perigo. Disfarce sua ansiedade ao máximo e tente realmente
ficar calmo, pois os cães captam com muita facilidade nosso estado de espírito e às vezes fica difícil
enganá-los.
Procure fazer seu cachorro ter associações positivas na presença de outros cachorros. Assim que
ele avistar um cão, ou você fizer isso, para distraí-lo mostre-lhe seu brinquedo preferido e convide-o para
brincar, agindo de tal maneira que o outro animal passe praticamente despercebido; logo ele associará a
presença de outro cachorro com brincadeiras e olhará para você esperando receber um petisco ou um
brinquedo.
Devemos ter o cuidado de não recompensá-lo quando ele mostrar agressividade. É extremamente
importante atrair sua atenção no exato momento em que avistar o outro e antes que mostre qualquer sinal
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de agressividade. Caso não dê tempo, não o recompense, simplesmente ignore-o e continue andando. o
recompense,É discutível puni-lo quando se mostra agressivo com outro, já que pode associar a presença
do outro cachorro com as suas broncas, piorando ainda mais a situação.
Quanto mais socializado for seu cão, mais fácil será o treinamento, portanto deixe-o ficar junto de
outros cães que ele já conheça e com quem não brigue. Treinamento em grupo também é uma forma de
fazer seu cão aprender a tolerar outros cachorros. Encontrar apenas um cachorro pode deixar seu animal
agressivo, pois toda sua ansiedade se direcionará para um alvo só; enquanto a companhia de vários
cachorros ao mesmo tempo pode ser uma ótima maneira de socializar seu cão. Faça o teste.
Nunca é tarde para socializar seu cão. Se você puder contar com a colaboração do dono de outro
cachorro, existe um exercício que feito corretamente vai ajudá-lo a resolver o problema. O exercício
consiste em mostrar ao seu cão que aproximar-se de outro não quer dizer disputa. O exercício deve ser
feito de maneira a imitar dois cachorros amigáveis se encontrando.
Primeiramente é preciso diminuir a tensão entre eles, procurando fazer os cães andarem lado a lado (ambos na guia), prestando atenção para que nenhum ande na frente do outro. Devem ficar cada vez
mais próximos conforme a tensão for diminuindo, mas certifique-se de que mantenham uma distância
suficiente para que não se mordam.
Para o segundo passo separe petiscos e uma garrafa de água. Segure a guia de um dos cães e façao sentar enquanto a outra pessoa traz o outro cachorro, até chegar no limite imediatamente anterior à
distância em que eles costumam rosnar - caso rosnem, o segundo cachorro chegou perto demais -, e logo
depois faça com que se distanciem novamente. Recompensem-nos todas as vezes que não rosnarem, e se
o que estiver sentado rosnar, em primeiro lugar faça-o parar jogando
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água nele, e somente quando ele parar de rosnar é que o outro deve virar-se e se distanciar. Aos poucos vá
aproximando os dois, até chegar à distância de 1 m sem que rosnem. Troque as posições dos cachorros.
O terceiro passo consiste em segurar um deles e deixar o outro cheirar o traseiro do que está sendo
seguro, e depois inverter a situação. Esse processo demanda paciência e habilidade; caso você não tenha
experiência suficiente, contrate um especialista, pois você pode piorar o problema se corrigir os cães na
hora errada.
RESUMO
¾ Separar brigas é perigoso; é melhor saber como preveni-las.
¾ Seu cão não deve se mostrar agressivo com outros cães amistosos durante os passeios.
¾ Socialize seu filhote com cães amistosos, pessoas e ruídos.
¾ Com relação a brigas, a fase da puberdade de seu cão é a mais crítica.
¾ Não se mostre amedrontado nem tensione a guia ao passar por outros cachorros para que
seu cão não os relacione com perigo. Ignore-os e continue andando.
¾ Procure fazer seu cão associar a presença de outros cães com recompensas e divertimentos.
¾ Seja muito cauteloso ao apresentar dois cães agressivos. Faça-os andar lado a lado primeira
mente, para depois começar a aproximá-los.
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BRIGAS ENTRE CACHORROS DA MESMA CASA
Se você já tem um cão e pretende adquirir outro, escolha com cuidado, pois ter dois cães que
brigam e se ameaçam na mesma casa não é nada agradável, além de ser perigoso tentar separá-los durante
a briga. Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, essas brigas podem ser fatais, principalmente
quando ocorrem entre duas fêmeas.
Se você tiver quê trazer um cachorro novo para sua casa, faça o veterano e o recém-chegado se
conhecerem em território neutro, bem longe de sua casa ou do local que seu cachorro costuma andar, e só
os leve juntos para sua casa depois que já estiverem se tratando amigavelmente (sem sinais de
agressividade). Se você tiver a chance de colocar o cheiro do calouro na cama do veterano ou perto da
vasilha de ração, a chance deles se aceitarem serão bem maiores.
Devemos lembrar de alguns cuidados e dicas ao escolher um companheiro para nosso cão. Mas,
antes, precisamos entender porque eles brigam.
Os cães são animais sociais que dependem uns dos outros para sobreviver. Cães morando na
mesma casa pertencem à mesma matilha, portanto não é um
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comportamento natural eles tentarem se matar. A maior parte das brigas são causadas inconscientemente
pelos próprios proprietários, e a prova disto está no fato de que as brigas, quase sem exceção, ocorrem na
presença do dono.
Vivendo em matilha, a igualdade causa desentendimentos, já que, como dissemos anteriormente,
os cães precisam de uma hierarquia para sobreviver. Entre os caninos a igualdade não funciona. A maior
parte dos proprietários tenta dar o mesmo tratamento a ambos os cachorros ou, ainda, favorecem o mais
"fraco" e submisso. O que acontece, então? A hierarquia acaba sendo neutralizada ou invertida, e o
dominante terá que conquistar novamente seu lugar, e para isso muitas vezes uma disputa (briga) será
necessária.
Animais de ambos os sexos brigam, só que por motivos diferentes. Os machos brigam com mais
freqüência, mas somente com o intuito de estabelecer a hierarquia, ou seja, assim que o outro cachorro
mostra sinais de submissão, o ataque cessa. As fêmeas brigam menos, com a diferença de que o objetivo
delas pode ser a eliminação do rival. Uma fêmea pode brigar com um macho com o intuito de matá-lo! Atenção: Devemos ter cuidado especial com algumas raças que foram selecionadas para matar
seu oponente. É o caso do Pitt Bull Terrier e do Sharpei, mas, mesmo animais dessas raças, quando bem
adestrados, podem conviver pacificamente com outros cães.
Para que não haja conflito entre os cães é necessário que haja uma hierarquia definida entre eles,
que preferivelmente gostem um do outro e acreditem que necessitam um do outro para sobreviver.
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Como fazer isto? A hierarquia será mais facilmente estabelecida se os cães tiverem força ou
comportamento totalmente diferentes. Por exemplo, o caso de convivência entre um Dog Alemão e um
Bichon, dois animais que dificilmente iriam se enfrentar para estabelecer quem é o dominante. Este é um
exemplo extremo, mas diferenças significantes na força ou no tamanho dos cachorros ajudam a facilitar a
estabilidade.
Quanto mais aspectos diferentes houver entre os cães, menores serão as chances deles brigarem.
Os itens importantes para serem levados em conta são: idade, sexo e temperamento. Cães de sexo, idade
ou temperamento diferentes têm menos chance de brigar. Se você tem um macho adulto dominante,
escolha um filhote que seja uma fêmea submissa.
Independentemente de sua escolha, você pode se surpreender, pois não é impossível que seu
Boxer domine seu São Bernardo. O importante é respeitar a hierarquia natural entre eles.
O que eu devo fazer para respeitar a hierarquia de meus cães? Este é um ponto que precisa da
colaboração de todas as pessoas da casa, já que é preciso privilegiar o dominante. Essa é uma tarefa muito
difícil, já que cada pessoa tem seu preferido ou, o que é ainda mais complicado, o preferido costuma ser o
cão mais meigo e submisso. Quanto mais definida for a hierarquia, menores serão as chances de brigarem.
Explique aos outros membros de sua casa que respeitar a hierarquia é a forma mais segura de proteger e
respeitar a natureza do seu cão mais submisso.
A primeira técnica a ser empregada é dar mais carinho ao cão dominante, sua ração deve ser
servida antes, é preciso deixá-lo passar antes do outro quando abrirmos uma porta, etc. Sempre olhe em
primeiro lugar para o dominante e afague-o, só depois dirija-se ao dominado. Parece cruel, mas esse é o
sistema que vigora entre eles e que se baseia na diferença e não na
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igualdade. Ao tratá-los assim, você não deixará seu cão submisso mais triste; para ele, isso significa
simplesmente que ele é o último na hierarquia canina (é o que tem menos responsabilidade pela defesa e
pela estruturação da matilha), e não quer dizer que ele não seja querido ou que foi abandonado. Qualquer
outra atitude que você tomar aumentará a ansiedade do submisso, colocando-o numa posição artificial, já
que ele não tem estrutura psicológica para liderar o outro cão.
A segunda técnica, que deve ser aplicada em conjunto com a primeira, é o aumento de carinho e
associações positivas entre os dois. Essa técnica não é tão complicada para nós como a primeira, mas
lembre-se de aplicar ambas se você estiver tendo problemas de agressividade.
Um dos sentidos mais utilizados pelos nossos cães é o faro, portanto vamos nos aproveitar disto
para induzi-los a gostar um do outro através do cheiro. Pegue duas toalhas e esfregue-as em um dos
cachorros, em seguida coloque-as dentro da casinha (ou no lugar preferido) e perto do prato de comida do
outro cão, e vice-versa. Dessa maneira, os cães associarão o cheiro do companheiro com sobrevivência
(comida), diversão e relaxamento. Fácil, não é?
Quanto mais positivas forem as associações entre os dois, melhor. Geralmente os próprios donos
pioram muito a relação entre os cães fazendo-os associar a presença um do outro com coisas negativas.
Por exemplo, o Rex pode estar recebendo carinho até o momento em que o outro cão chega, aí o dono
passa a ignorá-lo e acaricia o recém-chegado. Rex se aborrece e pede carinho, o dono grita com ele ou lhe
dá um empurrão, pois acha que é a vez do outro; ou, então, se aborrece e abandona os dois. Já dá para
perceber quais as associações que Rex faz em relação ao outro cachorro. Primeiramente, o dono pára de
lhe dar atenção; depois, dá atenção ao outro; e, por último, abandona os dois. Se o Rex, de
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pois de ter feito todas essas associações negativas, ainda gostar do outro, deve ser um animal com sérios
problemas psicológicos!
No caso do Rex, a solução é aumentar a intensidade do carinho feito nele quando o outro se
aproxima e, se possível, recompensá-lo com algum petisco. Logo Rex considerará a aproximação do
outro cachorro um acontecimento positivo. Não é necessário ignorar o outro cachorro conforme ele for se
aproximando; diga o nome do outro, calma e alegremente, mas não diminua a atenção dada ao Rex que,
além de passar a gostar da aproximação do outro, associará positivamente o nome dele, já que ao escutá-lo estava recebendo carinho e atenção do seu dono. Assim que os dois se aproximarem sem que haja
nenhum conflito, procure fazer carinho em ambos; caso um deles vá embora, diminua a intensidade de
carinho no que ficar ou pare completamente. Você reforçará dessa maneira a idéia de que a presença do
outro é uma ótima forma de ganhar carinho e atenção.
Levar os cães para correr juntos é uma outra maneira de diminuir a ansiedade e tensão entre eles.
Ambos ficarão cansados e relaxarão ao mesmo tempo, o que é ótimo.
Além dessas técnicas, evite a todo custo deixar brinquedos espalhados, ossos, ou qualquer coisa
que possa iniciar uma disputa ou aumentar a tensão entre os cães. Depois de alimentá-los, retire o prato de
ração, mesmo se houver sobras, e impeça que um cachorro se acostume a roubar a comida do outro. Deve
haver uma distância suficiente entre as vasilhas de ração dos cães para evitar qualquer sinal de
agressividade.
Atenção: Lembre-se de que você e sua família estão permantemente dando exemplo. Os
moradores da casa devem evitar algumas práticas que geram associações negativas entre os dois cães.
Nunca dê bronca no
190
dominante na frente do submisso e jamais associe qualquer punição ou bronca com o nome de um de seus
cachorros. Por exemplo: - Rex, não, pare!! - Cães aprendem por imitação e podem querer imitá-lo
punindo o outro cão, principalmente se associarem o nome do outro à punição. Não incluir jamais o nome
do cachorro nas punições ajudará não somente a impedir brigas como facilitará muito o adestramento.
Faça um esforço e diga somente: - Não, pare!! - (olhando para o cachorro culpado).
Se você encontrar grande dificuldade em aplicar essas técnicas devido à agressividade entre seus
cães, considere a possibilidade de mantê-los separados ou peça ao seu veterinário informações sobre
medicamentos que diminuem a agressividade, auxiliando no treinamento. Não dependa somente da droga,
aproveite a situação menos tensa e ponha em prática as técnicas descritas.
RESUMO
¾ Escolha cães de temperamento, sexo e idade diferentes para conviverem juntos.
¾ Apresente os novos membros da matilha ao seu cão em território neutro, isto é, longe da
sua casa e dos lugares em que seu cão costuma caminhar.
¾ Respeite a hierarquia natural entre seus cães. Alimente, afague e leve para passear na
ordem de dominância, sem se sentir culpado, pois essa é uma condição natural para eles e essa conduta
evita brigas e confusões.
¾ Relacione a presença do outro cachorro com coisas boas. Coloque um pano impregnado
com
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o cheiro de um na casa do outro e embaixo da vasilha de comida; dê um petisco ao cão que já está
próximo de você quando o outro se aproximar e não pare de fazer carinho no primeiro logo que o segundo
chegar; leve-os para correr juntos.
¾ Não deixe brinquedos e ossos espalhados no quintal; não deixe sobras de ração nas
vasilhas; alimente-os em locais diferentes e de preferência distantes o suficiente para que não surjam
atritos.
¾ Não brigue com um de seus cães na presença do outro, você pode ser imitado; é por isso
também que não deve mencionar o nome dos cães ao puni-los.
¾ Os medicamentos podem auxiliarem casos extremos e perigosos de agressividade, mas não
dependa somente deles.
SEPARAR BRIGAS
Você encontrará aqui algumas dicas de como separar brigas, mas não se esqueça de que qualquer
intervenção pessoal pode resultar em ferimentos sérios.
As técnicas descritas aqui são simples, mas é necessário muito treino para conseguir aplicá-las.
Treine os movimentos e as atitudes que deve tomar com cachorros
192
brincando ou, ainda, com almofadas ou animais de pelúcia que lembrem cachorros. Na hora da briga, é
bom que você não cometa nenhum erro!
A primeira coisa que se deve evitar é gritar, principalmente se um dos cães for seu, pois ele achará
que você está em perigo ou estimulando-o a brigar ainda mais. Este conselho é útil, mas poucas pessoas conseguem pô-lo em prática, pois o pânico é tanto que quase todo mundo berra. Bater nos cães também
pode piorar a briga, seria como jogar mais lenha na fogueira.
O que se deve fazer é jogar algo entre eles ou na direção deles, que não os machuque, mas que
seja grande e barulhento, para tirar-lhes a concentração da briga. Cheiros fortes também podem ser
utilizados (consulte seu veterinário); sempre que possível, deixe uma bisnaga com o produto pronto para
ser utilizado.
Se nada disso for suficiente para interromper o confronto entre eles, existe outra técnica, um tanto
quanto perigosa, que consiste em agarrar o rabo dos briguentos (é preferível que haja duas pessoas
tentando separar os cães) ou, pelo menos, do cão agressor e levantar as patas de trás do chão e sair
andando em círculos com ele, ou para trás, evitando assim que ele consiga mordê-lo. Ao levantar as patas
de trás de um cachorro você lhe tira a tração para o ataque e dificulta-lhe a respiração, portanto o cão,
além de ser obrigado a se concentrar para não cair com o focinho no chão, terá que soltar o adversário
para conseguir respirar.
Quanto mais longe você se mantiver da boca dos cães, melhor. Justamente por isso é que fica mais
difícil separar cães sem rabo, que só podem ser agarrados pelas pernas, numa manobra que exige todo o
cuidado.
Boa sorte, mas espero que você e seus cães não participem desse tipo de situação.
193
RESUMO
¾ Nenhuma técnica é realmente segura.
¾ Gritar para tentar separá-los é uma péssima técnica, principalmente se você for o dono do
agressor.
¾ Jogue coisas grandes e barulhentas entre eles ou espirre algum produto com cheiro forte.
Deixe um spray sempre à mão.
¾ Como última alternativa, agarre o cão pelo rabo, levante as patas traseiras dele e faça-o
andar para trás. Procure utilizar essa técnica com a ajuda de uma segunda pessoa, para que ela
proceda da mesma forma com o outro cão.
LATIR EM DEMASIA
Além de prejudicar a paz dos vizinhos e a nossa, cães que latem em excesso se prejudicam.
Latidos crônicos causam tanto estresse ao animal que podem prejudicá-lo fisicamente. O cachorro pode
passar a sofrer desde úlceras até problemas em seu sistema imunológico.
Latir em demasia é um problema que, para ser resolvido, geralmente necessita da ajuda do dono,
pois torna-se um ciclo vicioso - quanto mais o cachorro Iate, mais ansioso ele fica e passa a latir cada vez
mais furiosamente. Isso pode irritar os vizinhos de tal maneira que, não encontrando outros meios para se
livrar do problema, poderão tentar envenenar o animal.
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LATIDOS PODEM SER ÚTEIS
Devemos lembrar que o problema só existe quando o cão Iate em excesso. Se ele latir quando um
ladrão estiver invadindo sua casa, se o gás estiver vazando ou, ainda, se sua casa estiver pegando fogo,
isto certamente poderá significar a sua vida!
Portanto devemos apenas controlar os latidos de nosso cão, não eliminá-los.
ELIMINE AS CAUSAS DO COMPORTAMENTO
A metodologia correta para se modificar um comportamento é primeiramente entender por que ele
acontece, para podermos eliminar as causas e, aí sim, controlar o problema, caso ele não desapareça
sozinho. Se a causa do problema não for resolvida, ocorrerá a transferência, ou seja, ao controlarmos um
problema surge um novo problema. Imagine que seu cão Iate por estar ansioso, então você o reprime e ele
pára de latir, mas começa a cavar o jardim, e assim por diante.
Motivos que possam estar levando seu cão a latir em excesso:
¾ proteção (da propriedade, de sua ninhada, etc.);
¾ provocação por parte de pessoas que estejam
195
fora de sua propriedade; ¾ isolamento;
¾ alívio de estresse (o que acaba por piorá-lo);
¾ medo;
¾ brincadeira;
¾ fome, sede ou algum outro desconforto;
¾ desejo de chamar a atenção.
Identificada a causa ou as causas, tente eliminá-las. Muitas vezes a causa que leva seu cão a latir é
a recompensa que se segue ao latido. Antes de tentar avaliar qual é o problema que perturba seu cão,
certifique-se de que ele está saudável (leve-o ao veterinário), bem alimentado e fazendo exercícios pelo
menos três vezes por semana para se desestressar.
Todo cão para ser saudável necessita, além de uma boa ração, acesso a algum tipo de convívio.
Cães são animais sociais que necessitam de companhia: caso fiquem trancados ou afastados da família
por muito tempo certamente terão problemas.
NÃO ENSINE O QUE VOCÊ NÃO QUER
Muitos donos, sem perceber, ensinam o cão a latir demasiadamente ao recompensá-lo por ter
latido. Vamos imaginar que, toda vez que seu cão latir, para acalmá-lo, você faça ul11 carinho nele ou lhe
dê um biscoito. Este cão vai latir sempre que quiser atenção e, conseqüentemente, quando você não
estiver em casa, ele vai ficar latindo!
Neste caso, a melhor coisa a se fazer é ignorar o
196
cão toda vez que ele latir para pedir alguma coisa e, caso for lhe dar algo, se seu cão latir, ignore-o e vá
fazer outra coisa. Como dissemos anteriormente, o fracasso é uma das melhores punições.
Muitas vezes, nossos próprios vizinhos acabam estimulando nosso cão a latir em excesso,
provocando-o ou, com a melhor das intenções, acalmando-o (dando-lhe atenção). Pessoas que moram
perto de colégios também devem tomar o cuidado de afastar o cachorro de perto do portão na hora em que
as crianças saem, pois há sempre a possibilidade de as crianças ficarem provocando o cão e,
conseqüentemente, incentivando-o a latir.
Famílias que berram muito também costumam ter cachorros que latem muito, pois uma das
maneiras pelas quais os cachorros aprendem é por imitação. Este também é um dos motivos pelos quais
não se recomenda berrar a ordem para que o cão pare de latir, pois ele pode achar que você está latindo e
ficará ainda mais estimulado a latir.
PUNIÇÃO DESPERSONALIZADA PARA EVITAR LATIDOS NA SUA AUSÊNCIA
Uma vez removida ou afastada a causa do problema, caso ele não pare naturalmente de latir,
devemos puni-lo cada vez que ele o fizer. As punições
197
devem ser despersonalizadas (leia em Técnicas de Adestramento), isto é, deve corrigi-lo sem que ele
associe que é você que o está fazendo, caso contrário a punição não funcionará quando você não estiver
em casa, pois ele saberá que, para ser corrigido, sua presença é necessária.
Jogar água ou algum objeto que assuste o cachorro (desde que ele não o veja) é uma das maneiras
de controlá-lo, enquanto dar-lhe broncas ou bater nele são procedimentos que não funcionam, pois
obviamente são punições personalizadas.
BOA VIZINHANÇA
É sempre bom informar nossos vizinhos de que estamos nos esforçando para solucionar o
problema. Muitas vezes eles podem nos ajudar a resolver a situação ou até nos informar das causas dos
latidos. Caso eles não nos possam ajudar de maneira nenhuma, só de saber que estamos nos preocupando,
com certeza ficarão um pouco menos furiosos conosco e com nosso cachorro.
COLEIRAS ANTILATIDOS
Caso você não possa puni-lo da maneira adequada - sem machucá-lo e de maneira
despersonalizada -, sobra ainda uma opção, que é muito eficiente se utilizada corretamente. São as
coleiras antilatidos.
No início, as primeiras coleiras fabricadas pareciam destinadas apenas aos sádicos. Eram coleiras que puniam o cachorro toda vez que ele latia, com a característica de que elas eram ativadas por som.
Assim, os cães eram punidos toda vez que passava um avião, quando outros cachorros latiam, ou ao som
de qualquer ruído alto. Esse tipo de coleira, felizmente, parou de ser comercializado. As coleiras
antilatidos atuais são seguras e somente são ativadas se o cachorro que a estiver usando latir.
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Como elas punem o seu cachorro apenas quando ele Iate e no exato momento em que ele Iate,
dificilmente existirá um método mais fácil e mais eficiente de controlar os latidos de seu cão. Essas
coleiras, quando utilizadas de maneira adequada, ao controlarem os latidos, evitam a formação de úlceras
e a queda das defesas imunológicas que podem ocorrer no seu cão, causadas pelo estresse de latir
excessivamente.
Como essas coleiras punem seu cão? De maneira não dolorosa mas desconfortável. Pode ser
através de estímulos elétricos, vibrações ou mesmo um esguicho de água ou citronela.
UTILIZE A FORÇA DAS RECOMPENSAS
Lembre-se de que seu cão pode e deve ser recompensado quando ficar em silêncio, ou seja, faça
carinho, dê um biscoito ou atenção quando ele não estiver latindo. Por exemplo, se o seu cão Iate quando
tocam a campainha, peça para um amigo tocar várias vezes e recompense o cão sempre que ele não latir
após a campainha ter tocado - aos poucos, seu cão aprenderá a não latir quando a campainha tocar. Muitas
vezes o cão associa um determinado comportamento a algum acontecimento, mesmo que isso nos pareça
sem sentido, como é o caso de cães que latem freneticamente para carteiros. Para nós, é óbvio que o
carteiro sempre entrega a correspondência e vai embora, mas o cão pode achar que o carteiro sempre
desiste de invadir o território porque ele o defende eficientemente.
Independentemente do método que você escolher, não se esqueça de combater as causas do
problema e nunca hesite em contratar um especialista em comportamento animal para auxiliá-lo no
tratamento.
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RESUMO
¾ Latidos em excesso também são nocivos para seu cão.
¾ Os latidos devem ser controlados e não eliminados.
¾ Se inibirmos simplesmente sem eliminarmos as causas, haverá uma transferência e o
problema poderá se manifestar de outra forma.
¾ Investigue a causa ou a recompensa que estimula seu cão a latir e tente eliminá-la.
¾ Aplique punições despersonalizadas para latidos excessivos, isto é, não deixe óbvio para
seu cão que foi você quem as aplicou.
¾ Acostume seu cão com sons, animais e objetos que o façam latir, e recompense-o quando
ele não o fizer.
¾ Ofereça-lhe carinho, atenção e petiscos quando estiver calmo e silencioso.
¾ Não caia na tentação de dar algo que seu cão quer com a intenção de fazê-lo parar de latir.
Ignore-o neste caso, pois do contrário o problema só irá aumentar.
200
PROBLEMAS DO CÃO EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Por que o cão apresenta problemas durante sua ausência.
¾ Por que ele chora à noite.
¾ A impedir que o cão pule em você e em seus convidados.
¾ Como impedi-lo de morder as pessoas como forma de brincar.
¾ O que fazer quando ele tentar copular com pessoas ou outros cães.
¾ Como agir quando o cão estiver enciumado.
201
PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO QUANDO VOCÊ NÃO ESTÁ EM CASA
Um conceito relativamente novo, que tem ajudado muitos proprietários a entender o que pode
estar acontecendo com seu cão nas longas horas em que eles não estão em casa, pode resolver esses
problemas. O que deve ser feito é muito simples: ao chegar em casa e quando for sair, não faça festa para seu
cão nem se mostre muito ansioso. Além disso, jamais dê bronca ao chegar e encontrar sua casa bagunçada
ou algum objeto danificado. Passados alguns minutos e seu cão tendo se acalmado, agrade-o e lhe dê
atenção.
Existem muitos motivos para o cão destruir a casa na sua ausência, mas, independentemente da
causa, evitar muita excitação na chegada ou na saída manterá seu cão mais equilibrado e mais calmo. E
ficar bravo com ele por ter encontrado alguma coisa destruída é totalmente inútil, pois o cão não
relacionará a bronca com o que fez, mas ligará a bronca com a confusão reinante à sua chegada ou à sua
expressão de susto ou de raiva, o que contribuirá para aumentar a ansiedade dele e tornar o problema cada
vez mais grave.
OS CÃES TÊM IMAGINAÇÃO E CRIAM DELÍRIOS
Mas... por que eles se comportam assim? Qual é o sentido de tudo isso?
Os cachorros são capazes de imaginar sons, imagens e cheiros de uma forma muito semelhante à
nossa. Um cientista russo, chamado Rusinov, descobriu isso em 1973, ao estudar a eletrofisiologia
cerebral dos cães. Ele percebeu que os cães imaginam coisas praticamente da mesma maneira que nós.
Quando você sai de casa e seu cão o espera ansiosamente, começa a imaginar você chegando, pois
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é tudo o que ele quer. Se você não chega, estabelece-se um conflito de imaginação e ele começa a ficar
ansioso. O que ele imagina vai se tornando cada vez mais real: ele passa a imaginar você brincando com
ele e com os travesseiros, correndo pela casa, ou mesmo visualiza sua imagem lendo uma revista, etc.
Como você não está lá, seu cão começa a interagir com as coisas que o simbolizam. O problema é que
essa interação costuma ser um tanto quanto destrutiva e, ao chegar em casa, o problema aumenta quando
você o saúda com uma boa bronca. A tensão com que seu cachorro o aguardará da próxima vez será
maior, pois, à ansiedade de esperá-lo, irá se somar a preocupação por não saber se vai apanhar ou receber
a maior festa!
CÃES MIMADOS SOFREM MAIS
Agora que você já tem a explicação detalhada do que pode estar ocorrendo, aprenda qual é a
melhor maneira de evitar esse problema e contribuir para o bem-estar do seu cão quando estiver fora.
Cães que ficam extremamente chateados quando seu dono sai de casa geralmente são animais
"mimados" que sempre conseguem o que querem do dono sem muito esforço. Eles se enxergam como
líderes da matilha. Esse tipo de cão geralmente Iate quando quer sair de casa, e o dono imediatamente
abre a porta; reclama quando quer comer, e o dono lhe dá comida; quando quer carinho, esfrega o focinho
na mão do dono que, na mesma hora, o acaricia; quando o dono vai de um recinto ao outro da casa, o cão
corre na frente e o segue muito próximo. Ou seja, tudo o que ele quer é feito. Mas, quando o dono sai de
casa contra a vontade do cachorro, este fica realmente chateado, e os problemas provocados pela
ansiedade começam a acontecer: Iate em demasia, destrói a casa, ele se automutila, urina em volta da
casa, etc.
O problema do "chefe da matilha" pode ser resolvido apresentando uma realidade nova para ele:
203
sempre que ele quiser algo, ou você quiser dar a ele, peça que obedeça algum comando (como senta, ou
deita), e aí você lhe dá o que ele pediu. Se o cachorro se recusar a obedecê-lo, simplesmente ignore-o e vá
fazer alguma outra coisa. Depois de alguns dias seu cachorro compreenderá que ele não é o chefe e que
ele precisa obedecer para conseguir as coisas, e não mandar no seu proprietário (leia o capítulo A Matilha,
para entender melhor). Quando seu cachorro correr à sua frente pela casa, engane-o: finja que vai para um
lado e vá para outro, até que ele pare de correr na frente. O ideal é que ele pare de segui-lo.
A maioria dos cães que apresentam problemas comportamentais na ausência do seu dono são
animais que, além de se considerarem chefes de matilha, ficam extremamente excitados quando o dono
chega e sai de casa. Você deve diminuir essa excitação da seguinte maneira: antes de sair, fique
calmamente sentado durante cinco minutos, sem falar nada e sem olhar para seu cão, ignorando-o
completamente. Saia sem dizer nada. Ao chegar em casa, faça a mesma coisa, até que seu cão se acalme
completamente. Agrade-o, então, longe da porta de entrada. Lembre-se de que estamos lidando com a
memória do seu cachorro, com a imaginação dele, portanto não espere muitos resultados logo na primeira
vez. Aos poucos, a nova rotina substituirá a ansiedade da separação e os problemas irão diminuindo, até
cessarem completamente. 204
OUTRAS MANEIRAS DE DIMINUIR A ANSIEDADE
Despersonalize a punição do cão quando ele destruir as coisas ou quando se comportar de forma
indesejável, exercite o cão periodicamente e deixe um rádio ligado próximo a ele na sua ausência. Essas
providências auxiliam muito a controlar e extinguir esses problemas de ansiedade e de comportamento.
RESUMO:
¾ Para diminuir a ansiedade de seu cão, ignore-o durante alguns minutos antes de sair de casa
e alguns minutos após chegar em casa.
¾ Não permita que seu cão seja o líder da matilha.
¾ Nunca dê bronca em seu cão nem demonstre estar zangado com ele ao chegar em casa e
encontrar algo destruído.
¾ Deixe seu cão esperá-lo em um local que lembre sua presença, isto é, onde ele sinta o seu
cheiro e, de preferência, deixe o rádio ligado. Caso não seja possível, deixe uma camiseta sua, velha e
usada, na casinha dele ou na caixa de transporte.
CHORAR À NOITE
É um problema que geralmente ocorre com filhotes, mas, em alguns casos, também aparece em
cães adultos traumatizados, ansiosos ou "mimados".
Os cães choram por diversos motivos. Por meio do choro eles demonstram que algo não está de
205
acordo com a vontade deles, que estão sentindo fome, sede, sofrendo por se sentirem isolados, ou por dor.
Embora existam inúmeros motivos para que seu cão chore durante a noite, o mais provável é que ele
esteja se sentindo solitário. Cães são animais sociais que dependem do grupo para poder sobreviver, por
isso, até que se acostumem, ficam ansiosos e assustados quando se sentem abandonados.
É óbvio que não podemos ficar com o cão o tempo todo, por isso, devemos acostumá-lo a não se
sentir abandonado desde filhote.
CONFORTE O ANIMAL
A primeira medida que se deve tomar é confortar o animal no ambiente em que ele ficará sozinho.
Qualquer coisa que lembre o grupo dele ou que permita que ele se distraia auxilia a reduzir a ansiedade de
seu cão.
Se você está trazendo um filhote para sua casa, procure trazer do local em que o filhote vivia
panos com cheiro da ninhada, brinquedos e outras coisas que lembrem seu grupo e coloque-as onde seu
cão irá passar a noite. Deixar um rádio ligado próximo ao filhote também colabora para que ele não se
sinta sozinho.
Procure brincar com ele no lugar em que ficará confinado, para que o local lembre a sua presença
e para que não seja completamente novo para seu filhote.
Os cães ficam muito ansiosos ao se sentirem abandonados, pois, além de quererem interação, não
sabem se foram realmente esquecidos ou, ainda, por quanto tempo ficarão ali. Como você não tem meios
para informar ao seu cão por quanto tempo ele ficará lá, pelo menos lhe mostre que você não se esquecerá
dele e que irá buscá-lo depois de algum tempo. Como fazer isto? Confine o animal no local em que ele
passará a noite
somente por alguns minutos, volte e fique um tempo com ele. Faça isto algumas vezes, aumentando o
tempo gradativamente, assim ele saberá que você sempre volta, embora não saiba quando, o que o deixará
muito mais tranqüilo.
A ANSIEDADE É O PROBLEMA
Alguns cuidados deverão ser tomados ao condicionar seu cão a ficar socialmente privado. Sempre
que você chegar, não o saúde com entusiasmo, procure ignorá-lo por algum tempo, até que ele se acalme,
e aí, então, dê-lhe atenção e divertimento. Antes de sair e deixá-lo no local, procure ignorá-lo por alguns
minutos para depois sair. Você deve seguir esse procedimento para evitar que a ansiedade de separação
aumente ainda mais.
Exercitar fisicamente seu cão antes de levá-lo para passar a noite sozinho também ajuda a reduzir
a ansiedade dele. Atenção: Não volte quando seu cão estiver chorando ou latindo, pois ele logo perceberá que latir e
chorar traz você de volta. Procure ignorar completamente o choro de seu cão nessas ocasiões e não
retome enquanto ele não parar de chorar ou latir.
NÃO RECOMPENSE COMPORTAMENTOS INDESEJÁVEIS
Infelizmente, muitas pessoas ignoram seus cães quando eles estão se comportando exatamente
como elas querem e, ao contrário, lhes dão toda a atenção quando não se comportam. É claro que essas
pessoas dificilmente terão um cão educado com possibilidades de ter um convívio saudável. Para que isso
não ocorra com você, procure recompensar seu cão quando ele o aguardar silenciosamente e deixe para
puni-lo (não lhe dando nenhuma atenção) quando ele estiver chorando e latindo.
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Cuidado: Ir até onde o cachorro está preso para dar-lhe uma bronca quando ele estiver latindo por
se sentir solitário pode piorar o problema, pois, além dele ter conseguido atrair você com seus latidos ou
choro, sua bronca contribuirá ainda mais para aumentar a verdadeira causa do problema, que é a
ansiedade do animal.
PUNIÇÕES DESPERSONALIZADAS PODEM AJUDAR
Em alguns casos, punições despersonalizadas contribuem para modificar esse tipo de
comportamento quando ele já se tornou um vício. Lançar algum objeto barulhento ou provocar alguma
outra sensação desagradável no animal quando ele estiver chorando ou latindo durante a noite, sem que
ele associe o desconforto com a sua presença, pode acelerar o aprendizado. Por exemplo, você pode jogar
latas cheias de moedas e parafusos nas proximidades do cão sempre que ele latir ou chorar, sem que ele o
veja - tome muito cuidado para não atingi-lo, senão ele vai chorar e latir motivado por uma causa bem
concreta.
Seja paciente, não exija de seu cão que ele mude de comportamento imediatamente; aos poucos
ele irá se tornando mais confiante e o problema desaparecerá.
RESUMO:
¾ Prepare o lugar em que seu cão passará a noite colocando objetos, cheiros e sons dos
membros do grupo dele. Acostume-o com o local,
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procurando brincar e interagir com ele nesse espaço.
¾ Deixe-o e encontre-o sem manifestações de euforia, ignorando-o por alguns minutos antes
de deixá-lo sozinho e ao chegar.
¾ Acostume seu cão a ficar sozinho aumentando o tempo de isolamento gradativamente
Procure não voltar, nem para confortá-lo nem para lhe dar uma bronca, quando ele estiver chorando ou
latindo.
¾ Para os cães cujo choro da noite já se tornou um vício, as punições despersonalizadas são
de grande ajuda na eliminação do problema.
PULAR NAS PESSOAS
Este é um problema muito fácil de ser resolvido, a dificuldade só existe quando as pessoas tentam
corrigir esse problema de maneira errada. Elas acham que estão punindo o cachorro ao brigar com ele,
quando na verdade o estão recompensando ou confundindo.
Ensinar o cão a não pular nas pessoas é um procedimento que exige a cooperação de todos. Se
alguém de sua casa realmente gosta que o cachorro pule nela, deve utilizar um comando como UPA e
bater a mão no peito, assim o cachorro saberá que só poderá pular sob essa condição e na pessoa que fizer
isto. Para treinadores, essa diferenciação é feita com muita facilidade, mas, caso você não tenha muita
prática, opte por punir todas as vezes que seu cão pular em você.
VOCÊS É QUE SÃO OS CULPADOS
Os cachorros aprendem que pular nas pessoas é uma das melhores táticas para conseguir atenção.
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Quando eles são filhotes e pulam nas pessoas, elas geralmente começam a brincar com o cachorrinho ou
pegam-no e o acariciam. Não é necessário dizer que vocês mesmos ensinaram esse comportamento ao seu
cachorro. O correto seria nunca ter ensinado seu cão a pular nas pessoas, o simples ato de ignorar o filhote
quando ele pula em você é suficiente para eliminar o comportamento, pois a intenção dele de conseguir
sua atenção fracassa, e, como você já sabe, o fracasso é uma das melhores punições. Mas quem resiste ao
assédio de um animalzinho fofinho e brincalhão?
A maioria das pessoas passa anos dando broncas no cachorro para que ele pare de pular e não
entende por que eles não param! A explicação é simples, o cão aprendeu que pular é uma ótima maneira
de conseguir atenção, e continua sendo! As pessoas ao darem bronca em seus cachorros estão Ihes dando
atenção também.
RECOMPENSE-O COM ATENÇÃO SOMENTE QUANDO NÃO PULAR
O grande truque é punir o seu cachorro sem lhe dar atenção, e você ficará espantado com que
rapidez seu cão aprenderá. Você terá que repetir o exercício algumas vezes, mas uma semana costuma ser
mais do que suficiente para que seu cão pare completamente de pular em você e nas outras pessoas.
Qual é a melhor maneira de punir seu cachorro sem lhe dar atenção? Você pode simplesmente
ignorá-lo e continuar andando e só lhe dar atenção quando ele estiver com as quatro pa,tas no chão. Entre
em casa várias vezes e ignore o cachorro completamente até que ele permaneça no chão, só então agachese e lhe faça carinhos.
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Uma outra maneira ainda mais eficiente do que a primeira é segurar as patas da frente do cachorro
assim que ele pular em você. Espere um pouco até que ele se sinta incomodado (segure firme mas não o
machuque) e aí comece a andar na direção do cachorro, obrigando-o a andar para trás. Solte-o e diga
chão, seriamente. O truque consiste em não falar nada e nem olhar para o cachorro até o momento de
soltá-lo.
Assim que ele estiver com as quatro patas no chão, estimule-o a pular em cima de você (faça festa,
bata no peito, etc.) e repita novamente todo o exercício olhando para o vazio e sem falar com ele.
Na terceira vez, provavelmente seu cachorro se recusará a pular em você; é o momento em que
você deve agachar-se, fazer-lhe muito carinho e dar-lhe atenção.
CUIDADO PARA NÃO CONFUNDI-LO
Repita o exercício sempre que puder e recompense-o sempre que se recusar a pular em você.
Preste atenção, porque você deve elogiá-lo quando se recusar a pular em você e não simplesmente quando
você soltá-lo. Se você, ao soltá-lo, fizer carinho e elogiá-lo, ele poderá entender que pular em você causa
um desconforto momentâneo para ele, mas que, em seguida, ele consegue bastante atenção. Não é isto
que você quer ensinar. A lição é: pular em você não funciona para atrair a atenção e também não é
confortável, pois cães odeiam andar para trás com duas patas.
O comando chão não é necessário para ensinar seu cão a não pular em você, mas auxilia a evitar
que seu cão pule nas outras pessoas. Se as visitas não puderem fazer exatamente o que foi descrito, diga
chão ao perceber que ele está para pula"r e então permita que as visitas o acariciem. O comando chão será
também usado quando você for ensinar seu cão a não subir em mesas e sofás.
211
RESUMO:
¾ Seja coerente ao ensinar seu cão. Não o deixe pular nunca em você sem que você peça, ou,
se preferir, deixe-o pular sempre, independentemente da roupa que esteja usando.
¾ Peça a colaboração de todos para facilitar o aprendizado para o cão. Procure não abrir
exceções, pois quanto mais gerais as regras, mais fácil será para seu cão entendê-las.
¾ Não dê atenção nenhuma ao seu cão quando ele pular em você, e, quando não pular,
agache-se e acaricie-o.
¾ Procure recompensar a recusa dele em pular em você, e não o recompense quando
conseguir apenas tirá-lo de cima de você.
MORDER AS PESSOAS COMO FORMA DE BRINCAR
Controlar esse comportamento torna o convívio com o cão mais agradável, além de diminuir a
probabilidade de que ele use a boca contra você futuramente ao se defender ou ao tentar mostrar
dominância.
Se você observar filhotes brincando, irá perceber que eles passam a maior parte do tempo trocando mordidas e se agarrando. Isso é completamente normal e saudável, mas aos poucos o cãozinho terá que
aprender a não brincar de morder você e as demais pessoas.
Se ele aprender que não deve morder as pessoas para brincar, os acidentes serão menos sérios e
mais raros. Talvez o animal não deixe de morder quando se sentir acuado ou se for ferido, mas a
intensidade da
212
mordida provavelmente será menor.
EDUQUE-O DESDE O COMEÇO
Procure desde logo ensinar ao seu cãozinho que morder as pessoas não é permitido. Assim que ele
começar a morder sua mão, diga Não!, severamente, e substitua-a por um brinquedo. Agrade-o e brinque
com o filhote, se ele passar a morder o brinquedo. Se ele continuar preferindo a sua mão, pare de interagir
com ele e o abandone. Em pouco tempo, o cãozinho perceberá que você só vai brincar com ele se ele
deixar de morder sua mão.
Alguns filhotes, ao serem impedidos de nos morder, ficam instantaneamente mais agressivos e
passam a morder mais fortemente. Nesses casos, sempre que ele mordê-lo, diga Não! e abandone-o
imediatamente. Volte algum tempo depois e lhe dê uma nova chance.
Esse problema persistirá mesmo depois de o cão ficar adulto caso ele perceba que essa é uma
ótima forma de chamar sua atenção, por isso, não brinque ou interaja com o cão quando ele se comportar
dessa maneira.
RESUMO
¾ Controlar esse comportamento torna a convivência com o cão mais agradável e diminui as
chances de acidentes.
¾ Diga Não! seriamente toda vez que seu cão mordê-lo, impedindo-o que ele o faça. Procure
substituir sua mão por um brinquedo e elogie-o se ele passar a morder o brinquedo. Brinque com ele
sempre que se aproximar sem morder.
213
¾ Pare de interagir e saia do local caso ele não pare de morder sua mão ou se ele ficar irritado
ao ser punido e passar a morder mais agressivamente. Não lhe dê atenção quando ele apresentar esse
comportamento. Diga Não!, seriamente, e ignore-o.
TENTATIVAS DE COPULAR COM PESSOAS E OUTROS CÃES
Cães do mesmo sexo montarem uns nos outros é um comportamento natural entre os animais,
principalmente jovens, pois os preparam para uma futura cópula. Somente os cães dominantes de uma
matilha têm o direito de copular com as fêmeas no cio. Isso justifica o fato de que esse é um
comportamento mais característico de machos jovens dominantes.
As fêmeas no cio também apresentam esse comportamento, já que ele é determinado por certas
concentrações de hormônios em circulação. É um comportamento natural, e não há necessidade de
controlá-lo ou impedi-lo.
Já os cães que montam em pessoas, não só causam constrangimentos como podem se tornar
agressivos se tentarmos separá-los de seu "par". Esse comportamento é mais característico em cães que
foram retirados muito cedo da ninhada e que não foram devidamente socializados com outros cães.
Adestrar e mostrar a esses cães que eles não são o líder da matilha costuma resolver o problema.
Procure também impedir seu cão de pular em qualquer pessoa empregando alguma providência que
provoque nele uma sensação desagradável, como espirrar água diretamente na cara dele utilizando um
spray, até que ele se recuse a montar. Procure inibi-lo tão logo ele comece a
214
demonstrar a intenção de agir assim, pois, caso contrário, a própria sensação produzida pelo
comportamento o recompensará.
RESUMO:
¾ Impeça que seu cão tente copular com pessoas assim que ele demostrar essa intenção.
¾ É normal e não há necessidade de se preocupar quando cães do mesmo sexo montam uns
nos outros.
¾ Não retire cedo demais o filhote do convívio com a mãe e os demais irmãos da ninhada. Desde cedo, socialize-o com outros cachorros.
¾ Impeça seu cão de tentar copular com pessoas por meio de punições imediatas. Espirrar
água na cara do cachorro com um spray, toda vez que ele montar, costuma resolver o problema.
CIÚMES EM RELAÇÃO A PESSOAS OU OUTROS CÃES
Freqüentemente nos deparamos com situações desagradáveis e muitas vezes perigosas devido ao
que podemos chamar de "ciúmes".
215
Os cães, como vários outros animais, protegem objetos e seres vivos da aproximação de outros
animais ou pessoas. Esta é uma atitude normal e saudável, mas muitas vezes se torna exagerada,
prejudicando o convívio do grupo. Ter um cão que proteja seu território contra estranhos ou que ameace
uma pessoa que o está claramente ameaçando pode ser até desejável, mas, por exemplo, se seu cão mostra
os dentes para sua mulher sempre que ela o abraça, ou rosna para o namorado de sua filha todas as vezes
em que ele toca a campainha, esse é um comportamento intolerável.
Os ciúmes aparecem quando o cão sente que seus interesses serão prejudicados pela outra pessoa
ou animal. Por exemplo, uma cliente minha não dava mais atenção para o cachorro quando o namorado
dela chegava, e o animal, aos poucos, foi ficando agressivo com o rapaz; depois de algum tempo, ela
passou a prendê-lo todas as vezes que o namorado chegava, o que só piorou a situação. Para o cão, a
presença do namorado dela passou a significar ser ignorado e confinado.
Muitas vezes, sem querer, fazemos nossos cães associarem uma porção de coisas negativas com
pessoas ou outros animais. Se você simplesmente ignorar os sentimentos de seu cão, não se surpreenda
quando ele rosnar especificamente para alguém ou
216
tentar impedir que determinada pessoa chegue perto de você. Você não pode permitir esse tipo de
comportamento, mas procure evitar, da melhor forma possível, que a situação chegue a esse ponto.
COMO LIDAR COM O PROBLEMA
O chefe da matilha é quem controla as regras do convívio, portanto, a primeira medida a ser
tomada para mudar este comportamento é se tornar o líder de seu cão. Leia e coloque em prática o
capítulo: A Matilha. Se você for o líder da matilha, seu cão saberá que não cabe a ele decidir quem deve
se aproximar de você ou quem não pode fazer isso.
Como o ciúme é causado por sentimentos negativos relacionados a pessoas e animais, é
importante que se reduzam os motivos para o ciúme, e qualquer punição deve vir diretamente da pessoa
que está sendo protegida pelo cão, pois, caso contrário, mais relações negativas irão somar-se àquela
determinada pessoa, agravando o problema. Quando um cão, ao proteger a mulher, ataca o marido, este
não deve punir o cão, pois, se o fizer, piorará ainda mais a situação.
CUIDADO COM PUNIÇÕES E PRIVAÇÕES SELETIVAS
A punição nesses casos, embora às vezes seja necessária, deve ser evitada, para não agravar o
problema. Procure agir positivamente, relacionando coisas agradáveis com a presença da outra pessoa ou
animal que seja a causa do ciúme e recompensando seu cão quando ele demonstrar comportamentos
desejáveis nessas situações. A minha cliente, seguindo minha orientação, resolveu o problema dando um
petisco ao cachorro sempre que seu namorado chega, e, às vezes, vão juntos levar o cachorro para
passear. A atitude agressiva do cão, atualmente, transformou-se em u"ma atitude simpática e alegre
quando os três estão juntos.
Pessoas que possuem mais de um cão, muitas
217
vezes, param de fazer carinho quando o segundo cão se aproxima ou, ainda, só dão petiscos quando os
animais se encontram separados, achando que assim evitarão disputas e ciúmes. Os cães em pouco tempo
relacionarão a presença do outro com algo desagradável, já que são privados de petiscos e atenção,
aumentando ainda mais a chance de conflitos e ciúmes.
Uma outra situação problemática ocorre quando a mulher permite que seu cão durma em sua cama
apenas na ausência do marido. O cão relacionará a presença do marido com privação de carinho e
conforto, aumentando o ciúme e prejudicando a relação entre ambos.
RESUMO: ¾ Torne-se o chefe da matilha para ter o direito, perante seu cão, de alterar as regras do
convívio.
¾ A punição nunca deve vir da pessoa que está sendo ameaçada pelo cão.
¾ Procure evitar relações negativas entre seu cão e seus amigos ou outros animais. Não deixe
de dar atenção e não o prive de nada toda vez que uma determinada pessoa ou animal venha visitá-lo ou
se aproxime de você.
¾ Recompense seu cão por condutas agradáveis e corretas. Mostre a ele, positivamente, o que
você espera dele.
PROBLEMAS DO CÃO EM RELAÇÃO À CASA
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Por que seu cão faz buracos em seu jardim.
¾ Que, ao subir nos móveis, o cão se sente recompensado de alguma maneira.
¾ Que o filhote rói móveis e objetos para aliviar a coceira nas gengivas, mas o cão adulto
pode também apresentar esse comportamento.
¾ Formas de ensiná-lo a viver "civilizadamente" numa casa.
CAVAR O JARDIM
Cavar para os cães é uma atividade natural e saudável. Infelizmente, na maioria das casas não há
condições para permitir que o cão cave, por isso, além de eliminar os motivos que automaticamente
recompensem seu cão, é necessário puni-lo quando ele o fizer.
Muitos comportamentos, como o de latir exageradamente, destruir coisas, cavar, etc. podem ser
resultado de um cão estressado por falta de exercício ou por falta de companhia. Cães são animais sociais
que dependem de companhia para levar uma vida saudável. Caso seu cão não tenha acesso a companhia,
ao puni-lo por cavar, você se verá diante de outro problema.
O cão pode estar cavando por diversos motivos, como:
¾ para esconder sobras de alimentos ou ossos;
¾ para "preparar" um lugar fresco para deitar;
¾ para imitá-lo;
¾ para chamar sua atenção;
¾ para exercitar-se ou para aliviar o tédio ou a ansiedade.
ELIMINE AS CAUSAS
Procure não deixar seu cão abandonado no quintal, permita-lhe participar de atividades sociais e
leve-o para se exercitar. Caso seu cão passe grande parte do tempo sozinho, procure criar atividades para
que ele possa se distrair, aliviando o estresse da solidão. Alguns brinquedos são projetados especialmente
para este fim.
A segunda medida a ser tomada é certificar-se
220
de que seu cão tenha um lugar fresco e agradável para deitar, assim diminuirá as chances de que ele eleja
um determinado canteiro de flores para descansar.
Como em relação a vários outros comportamentos, o cão pode perceber que, quando cava, ele
chama sua atenção. Se você sair de casa e correr para o quintal para dar bronca em seu cão porque ele está
cavando ou, ainda, ficar um tempão tapando os buracos que ele fez, ele passará a cavar sempre que se
sentir carente. Por isso, não lhe dê atenção quando estiver fazendo algo errado, e procure tapar os buracos
e reparar os estragos discretamente.
Os cães também aprendem por imitação, por isso, não plante ou cave buracos na frente de seu
cachorro. Muitas pessoas ficam abismadas porque seu cão sempre destrói o canteiro preferido logo depois
de elas terem revolvido e adubado a terra, sem perceber que o cão estava tentando imitá-las.
QUANDO E COMO PUNI-LO
Quanto mais eficazes formos ao aplicar as punições, mais rapidamente o problema cessa. Se todas
as vezes que seu cachorro for cavar se deparar com algo desagradável, em alguns dias você terá resolvido
o problema. Se você permitir que ele cave grande parte das vezes e só conseguir puni-lo de vez em
quando, o problema persistirá, por isso, considere a possibilidade de manter seu cão em algum lugar que ele não possa cavar quando você não estiver preparado para puni-lo.
As punições devem ser despersonalizadas para que o cão não cave, também, na sua ausência. Há
inúmeras maneiras de punir o cão por cavar, como colocar fezes deles mesmos no fundo dos buracos
antes de tapá-los, colocar bexigas cheias e cobrir com um pouco de terra, o que lhe causará um susto ou
uma sensação desagradável, influenciando-o a deixar de cavar. Uma ou-
221
tra maneira é jogar algum objeto punitivo, como várias latas, na sua direção, sem que ele perceba que
você as está atirando, para que ele acredite que, quando cava, objetos desagradáveis vindos do nada caem
sobre ele.
RESUMO:
¾ Localize quais são e elimine os motivos que levam seu cão a cavar.
¾ Crie oportunidades para que seu cão tenha companhia, leve-o para se exercitar, verifique se
há um lugar fresco e agradável para ele descansar e compre brinquedos que o entretenham na sua
ausência.
¾ Não tape os buracos feitos pelo seu cão, nem plante ou cave buracos na frente dele, pois
ele irá imitá-lo.
¾ Coloque fezes dele nos buracos antes de tapá-los ou crie outras formas de punição
despersonalizadas para quando ele começar a cavar ou já estiver em plena ação.
SUBIR NOS MÓVEIS
Os cães sobem nos móveis ou porque foram ensinados ou porque são recompensados ao subirem.
Quando o cão pula no sofá, por exemplo, além de conseguir a nossa atenção, o próprio sofá o
recompensa, pois torna a sonequinha dele superconfortável.
Se o seu cão sobe na mesa, ele sobe para chamar sua atenção ou porque às vezes acha alguma
comida gostosa que o faz sentir-se recompensado.
O primeiro passo é impedir que ele seja recom-
222
pensado ao pular. Não deixar a comida espalhada em cima dos móveis é uma providência óbvia, mas
como impedir que o sofá não torne a soneca de seu cão mais agradável? Ao sair de casa, coloque algo que
torne o sofá desconfortável. Tiras de fita adesiva viradas para cima assustam o cachorro, pois, quando ele
as toca, elas ficam presas no pêlo dele, e o cão provavelmente não tentará subir no sofá por algum tempo.
Uma outra maneira é colocar papel-filme (do tipo que serve para vedar pratos de comida) sobre o sofá.
A ARTE DE DESPERSONALIZAR PUNIÇÕES
Estes truques ensinam o cachorro a não subir nos móveis estando você presente ou não, pois, a
punição não sendo personalizada, seu cão não associará sua presença no recinto com o fato de não poder
subir no sofá. Se puni-lo diretamente, assim que você sair de casa o cão pode achar que subir no sofá é
permitido, já que nada lhe acontece na sua ausência. Utilize sua imaginação e criatividade para criar
maneiras de punir seu cão na sua ausência, quando ele fizer algo de errado. Uma dica é colocar um
barbante esticado em cima do sofá e preso a algo barulhento como uma lata cheia de parafusos e moedas -
quando o cachorro tentar subir, a lata cairá, mas cuidado para colocá-la numa posição em que não haja
risco de machucá-lo. Aos poucos, você criará alguns objetos dos quais seu cão não vai querer ficar
próximo, como a lata com parafusos e moedas; quando essa aversão ficar bem caracterizada, será
suficiente colocar o objeto odiado em cima dos móveis que seu cão não deva subir, numa posição bem
visível.
O problema é: quem gosta de ficar numa casa forrada com papel-filme ou, ainda pior, com latas
cheias de parafuso decorando o ambiente? Eu não gosto! Por-
223
tanto, você pode utilizar essas técnicas somente quando não houver ninguém em casa e ensiná-lo
"pessoalmente" a não subir quando você estiver presente.
DEIXE A SITUAÇÃO BEM CLARA RARA SEU CÃO
Você deve estimulá-lo a subir no sofá sem utilizar nenhum comando, já que nunca se deve punir o
cachorro por obedecê-lo. Bata no sofá, divirta-se com o sofá e, quando ele pular no sofá, pare
imediatamente a farra, agarre-o pela coleira, coloque-o no chão, dizendo chão. Não diga mais nada e não olhe para ele. Repita tudo de novo, até que ele se recuse a pular no sofá, aí transfira toda a alegria e
bagunça do sofá para ele, ou seja, brinque e faça carinho nele, no chão. Resumindo: induza-o a subir no
sofá sem chamá-lo; caso ele faça isso, puna-o colocando-o de volta no chão, e caso não suba, elogie-o e
faça-lhe carinhos.
Se você estiver próximo de seu cachorro e perceber que ele está em cima do sofá ou subindo nele,
diga chão e ande seriamente na direção dele, pegue-o pela coleira e coloque-o no chão. Não lhe dê
nenhuma atenção. Andar na direção dele já pode ser considerado como atenção, por isso, sempre que
possível, dê preferência a armadilhas (latas barulhentas, papel-filme, etc.).
É importante induzir seu cão a fazer a coisa errada inúmeras vezes (sem lhe dar comandos, pois
nunca se deve punir o cão por obedecer um comando) para que fique claro para ele o que é errado. Não se
esqueça de elogiá-lo e dar-lhe atenção sempre que ele se recusar a fazer a coisa errada. É mais importante
recompensar as atitudes corretas do que punir as erradas.
224
RESUMO:
¾ O que causa o comportamento são as recompensas. Identifique-as e elimine-as, se possível.
¾ Ensine seu cão a não subir nos móveis na sua presença. Mostre a ele que é errado.
¾ Despersonalize as punições montando armadilhas, para que ele não suba também na sua
ausência.
¾ Não se esqueça de recompensá-lo por não subir nas coisas.
ROER AS COISAS
Roer grande parte do dia e praticamente tudo o que encontram pela frente é um problema
característico de filhotes, mas cães adultos ansiosos ou com problemas fisiológicos também podem
apresentar esse comportamento.
Aja com os animais adultos da mesma forma que com os filhotes, e procure exercitá-los
freqüentemente para diminuir a ansiedade deles.
São vários os problemas fisiológicos e psicológicos que podem levar o cão a roer excessivamente,
como verminoses, falta de sais minerais, desequilíbrio quími-
225
co-cerebral, etc. Antes de tentar controlar o comportamento, consulte um veterinário para ter certeza de
que seu cão está saudável.
Os filhotes geralmente roem tudo que encontram pela frente porque, ao mastigar, eles sentem
alívio da dor na gengiva, além de provarem gostos e sensações novas.
A dor na gengiva é causada pela troca dos dentes, e é por isso que essa compulsão para roer tudo
ocorre geralmente nos três primeiros meses de vida do cão. Embora essa dor desapareça, muitos cães
conservam o hábito de roer qualquer objeto à disposição pelo resto da vida. O cãozinho não deve ser
privado de roer objetos, deve poder brincar e roer todos, e apenas, os próprios brinquedos, que devem
ficar ao alcance dele.
NÃO PERMITA QUE O COMPORTAMENTO SE TORNE UM VÍCIO
Muitos problemas de comportamento são adquiridos na juventude do cão e persistem por terem
sido recompensados. Quando um cãozinho rói o sofá da sala, ele automaticamente está sendo
recompensado pelo alívio de sua dor, portanto, para ele, roer o sofá é algo bom. O simples fato de privar
seu cão, nessa fase, de roer qualquer objeto que não os brinquedos dele, impede que esse comportamento
se torne um vício.
Punir seu cão por roer algo que não deva e recompensá-lo por roer os próprios brinquedos é a melhor maneira de resolver esse comportamento.
DEIXE OS BRINQUEDOS AINDA MAIS INTERESSANTES PARA SEU CÃO
Os cãezinhos são curiosos e adoram receber novos brinquedos, portanto procure sempre renová-
los
226
para que eles não percam o interesse. Coloque no freezer alguns brinquedos antes de dá-los ao filhote
para aliviar ainda mais a dor que ele sente na gengiva. Procure mostrar ao cãozinho que os brinquedos
novos são para ele, brincando com eles e estimulando o filhote a fazer a mesma coisa, diminuindo assim a chance de ele eleger determinados objetos dispersos pela casa como brinquedos. Evite dar-lhe tênis
velhos ou qualquer coisa que se assemelhe a objetos de uso das pessoas da casa, para não ensiná-lo a
brincar indevidamente com eles.
SUPERVISIONE O COMPORTAMENTO DELE E PUNA-O QUANDO NECESSÁRIO
Além de fornecer várias alternativas para seu filhote aliviar a dor na gengiva, puna qualquer
intenção de roer algo que não seja dele. Um enérgico Não! e uma batida de jornal ou garrafa plástica rio
chão, ao lado de seu cãozinho, quando ele optar por roer algo como o tênis que está no seu pé é uma da
punições que podem ser aplicadas. Se ele estiver mordendo o seu sapato, prepare-se com um spray de
água ou com algo que faça barulho e, toda vez que ele tentar fazê-lo, utilize o objeto de punição. Sempre
que estiver preparado para puni-lo, induza-o a cometer o ato, puna-o por demonstrar o comportamento
indesejável ou recompense-o por recusar-se, mesmo quando induzido.
Procure deixar claro para seu cãozinho que o ato de roer não é ruim, mas roer determinadas coisas
é. Ofereça-lhe brinquedos e estimule-o a mastigá-los.
As melhores punições para esse problema são as não diretamente relacionadas com a sua presença, do
ponto de vista do seu cão. Quando estiver a uma certa distância, procure atirar objetos barulhentos como o
molho de chaves ou a lata com parafusos sem que seu cão desconfie que foi você quem os atirou. Ou,
ainda, coloque produ
227
tos amargos, não tóxicos, em locais que seu cachorro roa. Assim, o problema deixará de ocorrer não só na
sua presença mas também quando você estiver ausente.
Todos os comportamentos problemáticos que automaticamente recompensem o seu cão devem ser
cautelosamente supervisionados, pois nesses casos basta o cão agir erradamente para ser imediatamente
recompensado. Quando ele rói qualquer coisa, ele é recompensado pelo alívio da dor na gengiva, por isso,
até passar essa fase, o cão deve ser observado grande parte do tempo e, quando você não puder ficar
atento, confine-o em locais em que esse comportamento indesejável não possa ocorrer. Até aprender a
respeitar os objetos da casa, e se for corretamente acostumado, seu filhote poderá passar curtos períodos
do dia confinado na caixa de transporte, sem nenhum constrangimento, o que é uma solução segura, pois
evita que ele se acidente, roendo, por exemplo, algum fio elétrico.
RESUMO:
¾ Verifique com seu veterinário se seu cão não possui nenhum problema físico que possa ser
a causa do problema.
¾ Não permita que seu filhote roa nada além dos brinquedos dele. Ofereça-lhe vários
brinquedos e renove-os de tempos em tempos. Se possível, congele-os antes de dá-los ao cãozinho.
¾ Aplique punições despersonalizadas quando o filhote estiver roendo algo que não pertença
a ele e recompense-o com atenção e brincadeiras quando ele optar por morder os próprios brinquedos.
228
PROBLEMAS DO CÃO RELACIONADOS AO ATO DE COMER
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Que seu cão provavelmente não sabe que é errado roubar comida.
¾ Como impedi-lo de roubá-la.
¾ A ensiná-lo a não pedir comida quando você estiver comendo.
¾ Como evitar que ele coma as fezes de outros cães.
¾ Como tentar combater o hábito de comer as próprias fezes.
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ROUBAR COMIDA
Os cães enquanto viveram livres, em sua condição natural, eram obrigados a aproveitar cada
chance que tinham para comer, independentemente do local ou da hora. Por outro lado, os cães
dominantes, pelas leis da matilha, têm o poder de impedir os demais de se alimentar ou o de proteger a
própria comida, portanto, se você for o líder da matilha, ficará mais fácil para seu cão aprender a respeitar
sua comida.
O seu cão pode estar roubando comida sem ter a menor idéia de que está fazendo algo de errado.
Mas, se ele é inocente, por que só rouba quando você se distrai ou sai para fazer alguma coisa? A resposta
é simples, ele acha que pegar comida quando você está olhando é errado pois leva uma bronca, mas, quando você se distrai, é certo, já que nada acontece, e a comida continua tendo um gosto ótimo. Quando
está "roubando" a comida e avista você, ele sai correndo, pois sabe que as regras do jogo mudam na sua
presença. Mais uma vez, a solução é despersonalizar a punição.
O PRÓPRIO O ATO SE AUTO-RECOMPENSA
Muitos atos que são problemas de comportamento automaticamente recompensam o cachorro, e é
por isso que eles continuam a agir de tal modo. O seu cão será automaticamente recompensado sempre
que conseguir roubar e comer algum alimento. É equivalente a quando se senta e recebe de nós um
petisco - sempre que ele
230
rouba, também recebe.
Considere a hipótese de não deixar nenhum alimento ao alcance ou disponível para seu cão. Assim ele
não criará o hábito de roubar.
A PUNIÇÃO DEVE SER RELACIONADA COM O FRACASSO DA INTENÇÃO
Para puni-lo, planeje armadilhas e fique atento para que seu cão não consiga ingerir o alimento
após a armadilha funcionar. Eu já presenciei cães que puxam um pedaço de carne cautelosamente
esperando alguma coisa cair (o que quer que estivesse amarrado na carne com o intuito de assustar o cão),
para depois sair correndo e ingerir o pedaço sossegadamente. Ou ainda cães que abocanham pedaços de
carne ligados na eletricidade e rapidamente os atiram longe, desconectando-os, para depois ingerirem
alegremente o alimento. Para eles, o que estavam fazendo não tinha nada de errado! Qualquer que seja a
armadilha, certifique-se de que a intenção do cão falhou, ou seja, tenha a certeza de que ele não vai
ingerir o alimento, caso contrário a punição perderá o efeito e o comportamento persistirá.
Amarrar no alimento algo que caia fazendo barulho quando seu cão tentar roubá-lo ou, mesmo,
ligar o alimento na eletricidade (nunca ligue diretamente na tomada 110 V, você pode matar seu animal!
Punições devem criar sensações desagradáveis e não machucar o cão.) são providências que funcionam
desde que você entre em ação para impedi-lo de ingerir o alimento, caso exista chance disso ocorrer.
Se você conseguir disfarçadamente surpreender o cachorro roubando a comida, atire algo na
direção dele que cause um susto e esconda-se ou finja que não teve nada a ver com a punição.
Cuidado: Produtos desagradáveis adicionados ao alimento para que seu cão tenha uma surpresa
desagradável podem resultar em intoxicação.
231
RESUMO:
¾ Não deixe alimentos espalhados se houver a possibilidade de seu cão alcançá-los.
¾ Planeje armadilhas para punir seu cão no ato do roubo. A punição para ser efetiva deve
estar associada ao fracasso, ou seja, o seu cão não pode conseguir ingerir o alimento após a armadilha
entrar em ação.
PEDIR COMIDA QUANDO VOCÊ ESTÁ COMENDO
Alimentar seu cão com comida preparada para "gente" é uma péssima idéia. Os cães possuem
necessidades nutricionais diferentes das nossas e devem comer alimentos que não os prejudiquem.
Cães que pedem comida geralmente são aqueles que a recebem de seus donos enquanto eles
comem, e logo aprendem que, se latirem ou ficarem pedindo de alguma outra forma, conseguirão mais
um pedacinho.
NÃO RECOMPENSE POR COMPORTAMENTOS QUE VOCÊ QUER ELIMINAR
Nunca dê nada comestível para seu cão enquanto você estiver comendo e não permita que
ninguém faça isso em sua casa, e dentro de poucos dias seu cão deixará de implorar por comida durante
as suas refeições.
É importantíssimo que qualquer incômodo que seu cão cause nas horas da refeição seja totalmente
ignorado e jamais recompensado. É muito comum obser-
232
var pessoas que estão tentando desacostumar o cachorro a comer "indevidamente" ficarem tão
impacientes com o comportamento obsessivo do cão, que acabam lhe dando um pedacinho, só para que
ele "cale a boca". Não é preciso dizer que essas pessoas estão treinando o animal a se portar permanentemente de maneira errada.
RESUMO:
¾ Não se deve alimentar o cão com comida adequada apenas para pessoas, por mais
"humano" que você considere seu cão.
¾ É muito importante resistir a latidos, trejeitos e sons produzidos por seu cão na hora das
refeições, em sua tentativa para ganhar um bocado de comida.
¾ Não dê nenhum alimento ao seu cão durante as suas refeições, e também não permita que
ninguém o faça, independentemente de quanto ele implorar.
COMER FEZES DE OUTROS ANIMAIS
Alguns cães comem fezes de outros animais, isto, embora normal, é um hábito que, além de causar
nojo às pessoas e produzir um hálito superdesagradável, aumenta a chance do animal contrair doenças e
verminoses.
As fezes, por incrível que pareça, ainda possuem muitos nutrientes e vitaminas não absorvidos ou
digeridos, portanto o animal, ao comer fezes, está se alimentando. Assim, deficiências nutricionais ou
distúrbios do aparelho digestivo são fatores que contribuem muito para o desenvolvimento do hábito de
comer fezes.
233
SOLUÇÕES
Informe-se primeiramente com seu veterinário se o problema não pode ser resolvido com
mudanças na dieta, ou, talvez, com alguma suplementação nutricional.
Se o cão come as fezes do seu gato, procure colocar a caixa de areia do gato em algum lugar que
fique inacessível para o cão, ou então faça uma caixinha fechada com apenas uma porta que seja do
tamanho do gato, para que o cão não consiga entrar.
Você também pode aplicar punições despersonalizadas para controlar o comportamento, jogando
objetos barulhentos na direção do cão ou colocando nas fezes algum produto não tóxico que lhe cause
uma sensação desagradável (peça uma indicação do seu veterinário).
RESUMO:
¾ Leve seu cão ao veterinário para avaliar se ele está sofrendo de deficiências nutricionais.
Suplementação alimentar ou alterações na dieta podem solucionar o problema.
¾ Procure combater vermes ou doenças que possam ter sido contraídas por intermédio desse
comportamento.
¾ Sempre que for possível, impeça seu cão de entrar em contato com fezes de outros animais.
¾ Procure aplicar punições despersonalizadas, como atirar algum objeto barulhento nas
proximidades do cão quando ele estiver prestes a ingerir as fezes ou, ainda, coloque nelas algu
234
ma substância que impeça seu cão de ingeri-las.
COMER AS PRÓPRIAS FEZES
Este hábito é mais raro do que a ingestão de fazes de outros animais, e também mais difícil de ser
eliminado. Embora o problema possa ter exatamente as mesmas causas que provocam a ingestão de fezes
de outros animais, como a deficiência nutritiva, esse comportamento pode ser provocado por imitação,
recompensa ou ansiedade. Você deve estar se perguntando como é que surge por imitação se ninguém em
uma casa normal come fezes. Quando seu cão observa você limpando as fezes dele, ou seja, removendoas de onde ele defecou, ele pode tentar fazer a mesma coisa. Independentemente do que ele ache que você
fez com as fezes, o cão só tem uma única maneira de imitá-lo: para remover as fezes do local ele precisa
comê-las.
Vamos explicar agora de que forma você pode ter, inconscientemente, ensinado seu cão a comer
fezes. Se você chegar em casa e encontrar fezes no meio da sala, certamente você ficará chateado ou
bravo com seu cão. Algumas vezes, ele pode resolver comer as fezes, e, para surpresa dele, quando você
chega em casa, não avistando as fezes, faz festa e se mostra contente. O seu cão pode vir a fazer a
seguinte relação: - Meu
235 dono fica contente quando eu como as fezes e fica bravo ou chateado quando não faço isso. - E passa a
ingeri-Ias com mais freqüência.
A terceira possível causa desse comportamento é a ansiedade. Cães que adquirem esse hábito
geralmente são animais que ficam grande parte do dia sozinhos ou confinados em canis. A falta de
exercício e companhia tem muita influência sobre esse tipo de comportamento.
AS SOLUÇÕES PARA ESSE PROBLEMA
A primeira providência a ser tomada é consultar um veterinário para que ele possa avaliar se o
problema é fisiológico ou comportamental.
Alimentos com maior teor de proteína ou substâncias específicas adicionadas às fezes que tornem
a ingestão delas desagradável podem ser a solução para o problema. Colocar vinagre ou algum outro
produto atóxico diretamente sobre as fezes também pode contribuir para fazer rarear esse comportamento.
Procure não recolher as fezes na frente dele e, para evitar que ele as coma nesse intervalo, jogue
sobre elas algum produto de sabor desagradável. Assim que seu cão sair do local, recolha-as sem que ele
possa observá-lo.
Leve o cão ao local em que deva defecar algumas vezes por dia e não se esqueça de agradá-lo e
elogiá-lo por evacuar no local correto. Assim, fica muito mais fácil de controlar esse comportamento, pois
você estará no local no momento em que o cão defecar. Se você simplesmente puni-lo por defecar nos
lugares im-
236
próprios, seu cão pode achar que o problema é defecar na sua presença, e aí se tornará cada vez mais
difícil resolver o problema, porque ele evitará defecar quando você estiver presente, e, quando você
estiver fora, nada poderá fazer para impedi-lo de comer as fezes.
RESUMO:
¾ Consulte seu veterinário e verifique se a causa do problema não é nutricional.
¾ Procure aumentar o teor de proteína na dieta ou adicione algum produto na ração que
modifique a composição das fezes e desestimule o cão a ingeri-las.
¾ Não recolha as fezes na presença do seu cão, coloque vinagre ou alguma outra substância
para impedi-lo de comê-las até que você possa removê-las.
¾ Leve seu cão para defecar e elogie-o quando ele o estiver fazendo. Assim ficará muito mais
fácil o controle do problema.
¾ Evite dar broncas em seu cão quando ele estiver defecando para que ele não comece a fazê-
lo às escondidas, o que dificultará o controle do comportamento.
237
PROBLEMAS COM O CÃO NA HORA DO PASSEIO
Neste capítulo você vai aprender:
¾ Os motivos que levam seu cão a puxar a guia.
¾ Como neutralizar ou eliminar esses motivos.
¾ Como ensiná-la a não tracionar a guia e a prestar mais atenção em você.
¾ Como evitar que seu cão seja atropelado.
¾ A ensiná-la a não atravessar a rua sem ter recebido o comando.
239
PUXAR A GUIA
Se seu cachorro estiver levando você para passear, e você não for um esquimó, os conceitos e
dicas descritos aqui serão muito úteis.
É importante ensinar seu cão a andar sem puxar a guia para o seu bem e para o bem dele. O
passeio fica mais confortável e aumentam as chances das outras pessoas da casa quererem passear com
ele.
HÁ MOTIVOS PARA SEU CÃO PUXÁ-LO, PELO MENOS ELE ACHA QUE SIM
O seu cachorro pode estar puxando a guia pelos seguintes motivos (ou por uma combinação
deles):
¾ Ele quer a liderança. ¾ Julga que pode atrasá-lo ou adiantá-lo se puxar fortemente a coleira.
¾ Acha que faz parte do passeio ser puxado pelo pescoço.
¾ Quer fazer um exercício extra, pois ele tem muita energia.
O treinamento consiste em simplesmente retirar essas recompensas e mostrar a seu cachorro que
puxar a coleira não deve fazer parte do passeio.
Cães que têm muita energia dificultam um pouco o treinamento, portanto, se você tiver condições
de dar uma corrida ou liberar o estresse e a ansiedade de seu cão, antes de começar o treinamento, isso
tornará as coisas bem mais fáceis.
Neste capítulo estão descritas as técnicas de andar com seu cachorro e não o comando junto, cuja
explicação está em Técnicas de Adestramento. O objetivo aqui é ensinar o seu cachorro a não puxá-lo
durante o passeio.
240
A IMPORTÂNCIA DO EQUIPAMENTO CORRETO
O equipamento adequado para este treino é uma guia comprida, resistente, mas sutil (tão leve e
simples quanto possível) e um enforcador confortável e leve (leia sobre o assunto em Equipamentos). O
enforcador auxiliará no treinamento e não machucará seu cachorro se for utilizado corretamente.
A importância do equipamento correto não é simplesmente garantir o conforto de seu animal, mas
também sua segurança, e tem a finalidade de facilitar o adestramento. A coleira leve e silenciosa não é
percebida pelo seu cão, a não ser que ele mesmo a tracione. Qual é a grande vantagem disto? Futuramente
seu cachorro irá respeitá-lo com ou sem a coleira e, mesmo que ela escape de sua mão ou arrebente, seu
cachorro não sairá correndo e, provavelmente, nem perceberá que você perdeu o controle sobre ele.
Para deixar mais claro, vou explicar uma das técnicas que utilizo para cães que perseguem !}atos.
Amarro uma corda leve e silenciosa na coleira do cachorro e provoco a situação (coloco um gato nas
proximidades), o cachorro sai correndo e leva um tranco da corda, o que o pega de surpresa. Na segunda
ou terceira vez, mesmo sem a corda, o cão não persegue mais o gato, pois passa a acreditar que o ato de
perseguir o gato
241
que lhe dá um tranco. Se ele relacionasse o tranco com a corda, assim que eu desamarrasse a corda o
cachorro sairia correndo atrás do gato. Portanto, o exercício só faz sentido se for uma corda levíssima e
silenciosa.
O TREINAMENTO PROPRIAMENTE DITO
Coloque a guia e o enforcador no seu cachorro e saia para passear. Cada vez que seu cachorro
puxar, pare. Simplesmente pare. O cachorro irá tentar puxá-lo, mas fique firme; como ele está usando o
enforcador, começará a se enforcar até desistir; assim que ele afrouxar a corda, volte a andar. Você
acabou de mostrar para ele que puxar a coleira leva ao fracasso; antes, ele imaginava que só chegava em
algum lugar porque puxava a guia; agora, quando puxa a guia, o passeio "trava". Durante este treinamento
é importante que você não dê trancos e nem broncas -simplesmente pare de andar. Quanto mais
instantânea for a sua parada, melhor.
Uma outra técnica que deve ser associada com a primeira é mudar de direção completamente
quando seu cachorro passar à sua frente, ou seja, toda vez que o cão passar à sua frente, você dará meiavolta e sairá andando na direção oposta. O cachorro tomará um tranco e, surpreso, verá que você está
seguindo na direção contrária à dele. Surpreenda-o várias vezes, e logo seu cão estará prestando bastante
atenção em você e evitando adiantar-se muito. Se seu cão parar para cheirar algo, continue andando, não
pare. Deixe que a coleira dê um tranco naturalmente. A única maneira que seu cachorro encontrará para
evitar trancos será prestar atenção em você. Guias muito curtas impossibilitam surpreender o cão, por isso
procure utilizar as que tenham pelo menos 2 metros para praticar este exercício.
Lembre-se de que sempre que você estiver andando, a guia deve estar frouxa, de tal maneira que
seu cachorro nem ao menos possa senti-la. Andar com a guia
242
tensa é uma das melhores formas de ensinar o seu cachorro a puxá-la, e não é o que você deseja. Evite
falar e dar trancos, assim, a única maneira de o cachorro saber exatamente onde você está é olhando para
você.
OUTROS EQUIPAMENTOS QUE AUXILIAM O ADESTRAMENTO Existem alguns equipamentos que auxiliam bastante a solução desse problema. São equipamentos
que procuram punir o cão sempre que ele tracionar a guia, mas de forma mais clara para ele, sem enforcá-
lo, ou seja, dispensando o enforcador. Mesmo com este equipamento, é importante utilizar as técnicas
aqui descritas.
ASSIM SEU CÃO ENTENDERÁ QUE NÃO ADIANTA PUXAR!
Com esses simples procedimentos eliminamos todos os motivos para seu cachorro querer puxar a
guia. Para começar, ele aprenderá que não faz parte do passeio andar com a guia esticada e que não
adianta querer liderá-lo andando na sua frente, pois sempre que ele faz isto você muda de direção e ele
fica para trás e, ainda, leva um tranco no pescoço. E se a intenção do cão, tracionando a guia, era chegar
mais rápido em algum lugar, ele terá uma surpresa: ela trava.
Utilizando essas técnicas, seu cachorro aprenderá rapidamente a não puxar a guia e prestará mais
atenção
243
em você, o que é fundamental para o treino.
Atenção: Enforcadores com espinhos ou ferros pontudos virados para dentro só devem ser
utilizados em casos extremos. Por exemplo, se a sua avó de 90 anos tiver a intenção de passear com um
Dog Alemão rebelde.
RESUMO:
¾ Utilize uma guia e um enforcador leves, silenciosos, mas resistentes.
¾ Não ande na direção que seu cachorro estiver tracionando. Limite-se a parar ou mude de
direção energicamente.
¾ Durante a caminhada, mude de direção de repente, se o cão não estiver prestando atenção
em você, naturalmente levará um tranco.
¾ Alguns equipamentos, como Halti e Gentle Lead, facilitam a correção desse comportamento.
¾ Nunca ande com a guia tensa.
CORRER PARA A RUA (E O PERIGO DE SER ATROPELADO)
Ensinar um cão a não atravessar a rua é algo muito simples e fácil de ser ensinado, e pode evitar
sérios acidentes. Normalmente, os, cães preferem ficar nas calçadas, que estão impregnadas com cheiros
muito mais interessantes, do que no meio da rua, ou seja, é necessário ensiná-los a não mudar de calçada.
É preciso ser coerente em suas atitudes para que
244
seu cão nunca atravesse a rua sozinho. Além de ensiná-lo, é importante nunca deixá-lo atravessar a rua
sozinho.
Comece ensinando-o na guia, chegue perto da calçada, brinque com ele e vá para a rua. Ele
naturalmente o seguirá. Com o auxílio da guia, impeça imediatamente que ele pise na rua e diga Não!,
seriamente. Repita algumas vezes o exercício até que ele se recuse a ir para rua, aí volte imediatamente,
elogiando-o e agradando-o.
Atenção: Não o chame quando você já estiver na rua para poder puni-lo. Você nunca pode punir
seu cão por obedecê-lo. Apenas induza-o, não o chame!
Assim que ele entender que não deve ir para a rua, jogue algum brinquedo na rua e surpreenda-o
com um tranco na guia, que deve ser praticamente imperceptível para ele, assim que tocar com a pata no
asfalto. Jogue a bolinha mais algumas vezes e elogie-o quando ele se recusar a ir para a rua.
Ao ensiná-lo a não ir para a rua, é necessário mostrar que seu cão pode andar e correr atrás da
bolinha na calçada, portanto intercale o exercício mostrando que ele não pode ir para a rua mas que é
permitido andar e brincar na calçada.
Assim que seu cão entender que não pode atra-
245
vessar a rua, ensine-o a atravessar somente sob comando. Diga Não!, dê um tranco na guia impedindo que
ele toque a rua com as patas tentando atravessar a rua sem autorização e, finalmente, permita que ele a
atravesse com você e sob comando.
Para deixar ainda mais claro para o cão quando ele pode atravessar a rua, eu seguro diretamente
no enforcador, além de dar o comando. Costumo deixar o cão atravessar a rua somente quando consigo ter o domínio total sobre ele, excluindo qualquer chance de atropelamento.
É importante treiná-lo em diferentes locais e em diferentes tipos de calçada, para que ele entenda
perfeitamente o que se espera dele.
RESUMO
¾ Com o auxílio de uma guia, ande em direção à rua e impeça-o de pisar nela dizendo
seriamente Não! Repita a operação algumas vezes, até que ele se recuse a ir para a rua.
¾ Recompense-o com atenção, brincadeiras ou petiscos sempre que você induzi-lo a ir para a
rua e ele se recusar.
¾ Utilize brinquedos para estimular seu cão a ir para a rua e, com uma guia leve e silenciosa,
não permita que ele o faça, até que comece a se recusar a ir para rua sob qualquer estímulo.
¾ Após tê-lo ensinado a evitar a rua sob qualquer hipótese, comece a ensiná-lo a atravessar a
rua somente sob seu comando e próximo a você.
246
PARTE FINAL:
CURIOSIDADES
COMPORTAMENTOS
POR QUE O CÃO CHEIRA O RABO DOS OUTROS?
Porque nessa região há vários odores que fornecem muitas informações aos demais cães. Próximo
ao ânus está uma glândula de cheiro que identifica cada animal, como uma espécie de impressão digital
para nós. Além dessa glândula, os ancestrais dos cães domésticos podiam identificar o líder da matilha
pelo cheiro do ânus, pois descobriam se ele estava comendo com freqüência (defecando freqüentemente)
e se estava comendo a melhor parte da caça (partes mais nobres da caça são ingeridas pelos líderes, e
essas partes possuem cheiro diferenciado depois de digeridas e excretadas).
Um cão que quer se impor, levanta o rabo como se tivesse orgulho do cheiro do seu ânus,
enquanto um animal submisso o esconde com a cauda como se estivesse dizendo que não faz questão de
se impor e que também não tem orgulho do seu cheiro nem do alimento que vem ingerindo ultimamente.
247
MITOS
CÃES SÃO RACISTAS?
Não. Eles podem se tornar racistas por traumas, mas geralmente o que ocorre é uma falta de
socialização primária com etnias diferentes. Para um cão criado com negros desde pequeno, um homem
branco pode ser considerado um ser estranho e perigoso, o inverso acontecendo com cães que são criados
somente com brancos. Nós humanos também possuímos cheiro, forma e cor diferentes, e é importante
socializarmos nossos cães, enquanto ainda são filhotes, com as diversas etnias humanas.
O CÃO PRECISA APRENDER A ATACAR PARA NÃO ATACAR?
Não. Não é necessário e nem recomendado estimular ou permitir a agressividade em um cão que
não será destinado à guarda ou à caça. Muitas pessoas ensinam seu cachorro a atacar, mesmo quando
estão apenas querendo ter um animal para companhia. Se este for o seu caso, não faça isto.
CÃES PREFEREM FICAR APERTADOS DENTRO DE CASA (COM AS PESSOAS) OU
LIVRES NO QUINTAL (SOZINHOS)?
Por mais estranho que possa parecer, a grande maioria dos cães prefere ficar com os
“companheiros de matilha”, independente da condição em que estiverem. Cães são animais que
dependem de com
248
panhia, portanto não ache que só porque seu quintal é grande você pode abandonar seu cão lá. Um cão
será muito mais feliz se puder morar junto dos outros membros da matilha, mesmo que isto envolva um
espaço reduzido na maior parte do tempo. Apesar de os cães preferirem viver num espaço reduzido com
sua "matilha" do que abandonados, para serem saudáveis, eles necessitam passear e se exercitar.
DEIXAR O CÃO PRESO É UMA BOA MANEIRA DE “FABRICARMOS” UM CÃO-DEGUARDA? Não. Um cão-de-guarda deve ser corajoso e atacar para proteção sob comando. Um cão preso a
uma corrente fica agressivo e neurótico, pois a única maneira que ele tem de se proteger de potenciais
perigos é atacando, já que está exposto e sem possibilidade de sair do local. Cães que crescem nessas
condições desenvolvem temperamentos instáveis e perigosos. Socializar e evitar traumas é sempre a
melhor saída para obtermos um cão emocionalmente equilibrado e que responda bem ao treinamento,
incluindo o treinamento de ataque.
É PRECISO REPETIR VÁRIAS VEZES ALGO PARA QUE O CÃO APRENDA?
Nem sempre. Cães podem aprender instantaneamente. Imagine quantas chances teria um lobo
para aprender que não se deve lutar contra ursos sozinho? A repetição no condicionamento é fundamental
apenas para fixar o aprendizado e para ajudar seu cão a identificar exatamente o comportamento desejado
e o não desejado.
249
CAPACIDADES
INTELIGÊNCIA DOS CÃES
Cães são animais inteligentes que possuem habilidade de resolver problemas mentalmente,
podendo analisar situações e imaginar meios de manipulá-las ou controlá-las. Infelizmente, grande parte
das pessoas acredita que os cães reagem a estímulos externos como se fossem robôs, e os tratam de
acordo com essa idéia. Essas pessoas são facilmente manipuladas pelos próprios cães, pois não
desenvolvem a capacidade de imaginar o que seu animal pode estar pensando.
Para se tornar um bom adestrador de animais, é necessário que você consiga sintonizar-se com a
inteligência do animal que está adestrando, só assim conseguirá imaginar as dúvidas e os problemas de
aprendizagem que seu aluno poderá vir a ter. É importante observar todas as relações que seu cão é capaz
de fazer e utilizá-las para melhorar o convívio entre vocês.
A inteligência dos cães varia muito conforme a raça. Vários estudos procuram identificar quais são
as raças mais inteligentes e quais as menos inteligentes, mas esses estudos devem ser analisados
detalhadamente, já que a inteligência possui diversas facetas e, dependendo do teste aplicado, uma ou
outra raça será beneficiada pelos resultados.
Algumas raças têm maior facilidade para lidar com determinadas coisas e maior dificuldade para
outras, por isso é impossível julgá-las sem definir os parâmetros específicos que estão sendo analisados.
250
ÓRGÃOS SENSORIAIS
Poucas são as espécies que variam tanto em forma, tamanho e aptidões como a dos cães. Devido a
essa grande diversidade, torna-se difícil a comparação dos órgãos sensoriais entre cães e humanos. Uma
comparação mais detalhada deve levar em conta cada raça, já que existem grandes diferenças entre elas.
VISÃO
Comumente se diz que a visão dos cães é inferior à dos humanos, mas isto não é verdade, a visão
dos cães apresenta algumas características melhores que a nossa e outras, piores.
A visão dos cães é muito mais sensível à luz e ao movimento que a nossa, portanto eles têm maior
facilidade de localizar algo que está se movendo, principalmente se estiver escuro para os padrões da
visão humana.
Por outro lado, a visão dos cães possui uma resolução bem inferior à nossa, com menos
capacidade de focar a imagem, e eles enxergam menos cores do que nós.
Cães enxergam em azul, amarelo e cinza e não conseguem diferenciar as cores verde, amarelo,
laranja e vermelho.
Portanto, não se iluda em pensar que uma ração vermelha possa interessar mais o cão do que uma
ração verde ou, ainda, que sangue ou um pano vermelho possam desencadear alguma reação específica no
cão devido à cor.
Se você quiser ensinar seu cão a buscar objetos atirados no gramado, opte por objetos azuis, já que
objetos amarelos, laranja ou vermelhos serão mais difíceis do cão identificar contra um fundo verde
(grama).
251
OLFATO Os cães são capazes de diferenciar e identificar odores que nós nem percebemos. Os cães
conseguem identificar e seguir os rastros de cheiro de pessoas passados vários dias. Devido a essa
tremenda capacidade, os cães são utilizados para detectar drogas, perseguir ladrões pelo mato, seguir
trilhas deixadas por animais e outras finalidades semelhantes.
Os cachorros possuem cerca de 200 milhões de receptores para odores, enquanto os humanos
possuem somente cerca de 5 milhões, ou seja, 40 vezes menos do que os cães.
AUDIÇÃO
A audição dos cães também é extremamente desenvolvida. Eles são capazes, com o auxílio de
suas orelhas direcionáveis, de localizar com precisão a direção da origem do som em apenas 6 centésimos
de segundo, e conseguem ouvir o mesmo som a uma distância quatro vezes maior do que somos capazes.
Por exemplo, um comando que uma pessoa é capaz de ouvir a apenas 2 metros de distância, um cão ouve
a 8 metros.
Além de mais sensível, a audição dos cães capta sons aquém e além da freqüência que temos
capacidade de ouvir, o que nos permite utilizar apitos ultra-sônicos para nos comunicarmos com os cães.
Os humanos ouvem freqüências entre 16 e 20.000 Hz, enquanto o cão pode ouvir entre 10 e 40.000 Hz.
252
INTERAÇÕES ESPECIAIS COM HUMANOS
CÃES PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA VISUAL
Cães podem ser treinados para guiar pessoas cegas, funcionando praticamente como olhos para o
proprietário. Em grande parte dos países, a entrada desses cães é permitida em qualquer espaço público,
como bancos, restaurantes, ônibus, etc. Eles, além de guiarem a pessoa por calçadas, escadas, etc.,
desviam de obstáculos no caminho, inclusive de obstáculos altos que poderiam bater na cabeça do
condutor. São capazes, também, de ignorar qualquer distração enquanto estão "trabalhando".
As raças mais empregadas nesse serviço são as dos cães Labradores, Pastores Alemães e Golden
Retrievers, pois são cães inteligentes, obedientes e possuem um tamanho adequado.
CÃES PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Existem instituições que treinam cães para ajudar pessoas com deficiência auditiva. Esses cães
alertam seus donos para uma variedade de sons. Eles vão até a pessoa e voltam para a fonte sonora
diversas vezes, até a pessoa identificá-la. São cães treinados para avisar seu proprietário quando toca o
telefone, quando alguém bate à porta, quando dispara o alarme contra incêndio, se um bebê estiver
chorando, etc.
CÃES PARA PARAPLÉGICOS
Cães treinados para auxiliar paraplégicos ajudam o proprietário a se locomover, puxando a cadeira
de rodas, ajudam-no a pegar objetos ou os trazem para o dono, acendem e apagam as luzes e ajudam a
carregar outros materiais.
253
BIBLIOGRAFIA PRAYOR, Karen. Don't shoot the dog!. New York : Bantam, 1985.
KILCOMMONS, Brian. Good owners, great dogs. New York : Warner, 1992.
GYGAS, Theo. O cão em nossa casa. São Paulo : Discubra, 1976.
GIACOBINI, Philippe. Guia do seu cão. São Paulo: Abril, 1990.
MARSHALL THOMAS, Elizabeth. A vida oculta dos cães. Rio de Janeiro : Ediouro, 1995.
SANTOS, Renato. Adestramento de cães. São Paulo :Nobel, 1980.
DELANO CONDAX, Kate. 101 Training tips for your dog. New York : Bantam, 1994.
FOGLE, Bruce. Complete dog training manual. New York : Dorling Kindersley, 1994.

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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